O Conceito Cosmoliberal de Liberdade

Πρωτεύουσες καρτέλες

O cosmoliberalismo executa uma adulteração na concepção de liberdade. Como explicado pelo professor Alexandr Dugin, o conceito liberal de liberdade é essencialmente negativo, oriundo de John Stuart Mill. É sempre a liberdade "de" algo, e não "para" algo.

Além do aspecto essencialmente negativo contido na semântica liberal, há a desfiguração da liberdade como algo unicamente individual - a liberdade no singular, nunca no plural. "Eu" sou livre - "nós", não. É a liberdade para o cosmético, o minimalista e sistematicamente irrelevante: a liberdade para "escolher" a cor e o corte dos cabelos, as roupas, as companhias sexuais, a raça de cachorro, a decoração da sala de estar, o estilo musical, a ideologia, a tribo urbana, o time favorito, a religião e até mesmo o gênero e a raça (trans-racialismo). O indivíduo pode escolher suas "partes", seus dispositivos.

Mas, coletivamente, não existe liberdade em essência. Povos e nações não têm liberdade para escolher seus próprios destinos; o indivíduo é essencialmente alheio ao processo político, aos conteúdos midiáticos, ao processo econômico, aos valores impulsionados; enfim: tudo aquilo que é realmente relevante não conta com a participação do indivíduo, mas de sujeitos e estruturas alheios a ele.

Tudo o que é irrelevante é incluído no conceito liberal de liberdade. Tudo aquilo que é significativo e sublime está fora dessa equação. O indivíduo é um espectador do processo e do fluxo histórico, dos grandes eventos, das mudanças cíclicas no mundo. Ele é um observador passivo nesse aspecto, sendo um agente ativo apenas na ação de compra e venda.

É, assim, criatura especialmente massificada: todos são individualmente "únicos", "especiais" - e coletivamente massificados, iguais. A ilusão da individualidade é parte desse processo de desintegração dos conceitos mais amplos e significativos de liberdade.

Contanto que se tenha liberdade para comer um hambúrguer e realizar uma cirurgia de mudança de sexo, não interessa realmente se o político eleito cumpre com sua plataforma eleitoral ou não - e é possível fazer uma doação para alguma ONG na África, aliviando a consciência (a somatória da anulação da ação impactante real com o ativismo infantil e sentimentalista complementa o quadro).

O indivíduo é um fim em si mesmo e é ele mesmo sua limitação: nenhuma ação para além dele pode ou deve ser permitida. Ele é seu universo limitado, seu ser desfigurado e acorrentado. O "eu" individual é capaz de realizar tudo - e, coletivamente, de absolutamente nada.