A Quarta Teoria Política: Ser ou Não Ser

Para o meu país, a Rússia, a Quarta Teoria Política tem, entre outras coisas, uma importância prática considerável. A integração com a comunidade mundial é experimentada pela maioria dos russos como um drama, como uma perda de sua identidade. Na década de 1990, a ideologia liberal se vê quase totalmente rechaçada pela população russa. No entanto, por outro lado, a intuição sugere que o retorno às ideologias políticas não-liberais do século XX - o comunismo e o fascismo - é pouco provável em nossa sociedade, sendo que estas ideologias historicamente demonstraram serem incapazes de resistir ao liberalismo, sem mencionar o custo moral do totalitarismo.

Da Natureza do Tempo

A real diferença entre as naturezas do tempo real e ilusória é o caráter de evento e o de consistência, ambos ligados à noção de substância do ser, à natureza do próprio ser. O caráter de consistência leva em consideração a limitação inerente à multiplicidade do ser, ou seja, prende-se ao modo da manifestação cuja direção é essencialmente descendente e divergente, fuga do centro sintético do ser, unidade, essência, harmonia. Por sua vez, o caráter de evento é o modo ascendente e sintetizador do ser, cuja direção é o retorno a nada mais nada menos do que a origem perdida e esquecida. Só que este retorno não significa um ciclo, é irrepresentável, porque o ciclo, sendo uma sucessão de pontos, uma linha que se dobra, tem o mesmo caráter do da linha reta, que é a sucessão indefinidamente circular dos "momentos" - qualitativamente, linha circular e linha reta são idênticas, e a real distinção do tempo se dá metafisicamente, como já apresentado acima.

Uma Leitura Ôntico-ontológica do Dasein como Principal Sujeito Histórico da Quarta Teoria Política: uma Resposta a Álvaro Hauschild

Meu referencial teórico nesta réplica continua sendo a Quarta Teoria Política do professor Alexandr Dugin, desta vez centrada no Dasein (o macro-sujeito sócio-político da referia teoria), em respeito à delimitação do objeto da querela ora entabulada. Ademais, cumpre assinalar, preambularmente, que não atacaremos o mérito da natureza temporal (qualitativa/quantitativa) da escatologia cristocêntrica, uma vez que, no que concerne a este tópico, endossamos cada palavra de Hauschild e até incentivamos aprofundamentos subsequentes, dado o interesse de possíveis neófitos pela matéria.
 

A Sexta Coluna

No entanto, de volta para a quinta coluna na sociedade russa. Agora a natureza é mais evidente: ela consiste daqueles grupos que apoiam a civilização do Mar (Estados Unidos, a OTAN) e opor-se a identidade historicamente dominante na Rússia, a Terra, a identidade da Eurásia. Andrei Kozyrev quando, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, declarou abertamente a sua posição "atlantista" - Esta quinta coluna apoiou o colapso da estrutura continental da Terra, representada pela União Soviética, em seguida, chegou ao poder sob Yeltsin na década de 90 -, e ele foi, então, à frente da política dominante elite econômica e cultural da Rússia até 2000. O conjunto de seu mandato não poderia ser chamado como uma "quinta coluna" no sentido pleno, uma vez que foi capaz de conseguir tudo poder e suprimir a oposição patriótica. A Quinta Coluna eo regime de reformistas liberais russos da década de 1990 são sinônimos. No entanto, no contexto geopolítico e, em seguida, a elite governante russo não era outro senão a quinta coluna: não trabalhar para o interesse nacional, mas como um instrumento de controle externo. O centro da tomada de decisão estava nas liberais ocidentais e Moscou foram aplicadas apenas soluções, tentando maximizar os benefícios e os lucros para si e para os seus negócios. Assim foi criada a oligarquia russa, o poder de um pequeno grupo de magnatas confiscando através da privatização irresponsável e corrupção, os monopólios estatais inteiros: primeiro, o campo de energia.

A Quarta Ideologia

A Quarta Teoria Politica é uma teoria que se encontra além das três teorias modernas por estar além da modernidade. Para superar o liberalismo ela propõe seguir além da modernidade e da pós-modernidade. Críticos da quarta teoria questionam como é possível um movimento revolucionário de caráter tradicionalista e conservador, assim Dugin lança a pergunta “o que é conservadorismo?”, desse questionamento, ele nos apresenta três tipos de conservadorismo: conservadorismo liberal, conservadorismo tradicional e o conservadorismo revolucionário.  
 
O primeiro conservadorismo, o de cunho liberal, é o conservadorismo daqueles que dizem “sim” às mudanças liberais e o avanço do mundo moderno unipolar, mas de uma forma desacelerada. O conservador liberal acredita nos preceitos liberais da modernidade, mas para os preceitos da pós-modernidade é um pouco cedo. Entretanto, ele não negará a pós-modernidade e seus danos, eles de qualquer forma ocorrerão. 

Os Ataques Terroristas em Paris: Lição de Enantiodromia

Estamos vivendo no momento decisivo em que a civilização ocidental se aproxima de seu fim. Atos terroristas como os de 13/11 de Paris mostram isso de forma clara e inequívoca. O Ocidente que conhecemos não existe mais. Ele não pode existir por mais tempo. Era uma vez houve um certo Ocidente. Com valores patriarcais heroicos, identidade cristã, cultura profunda e rica com raízes grecorromanas. O Ocidente de Deus, do homem e da natureza. Não há nada como isso em vistas. As ruínas. A civilização liberal fraca e venenosa, baseada na auto-indulgência e ao mesmo tempo no ódio por si mesmo. Sem identidade, a não ser uma puramente negativa. Povoada por humanos egoístas e envergonhados de si mesmos. Ela não pode ter futuro. Diante de combatentes brutais pós-modernos do ISIS, ela não pode afirmar nada, não pode opôr nada, não pode sugerir nada. O Ocidente não pode mais ser ocidental. Ele está perdendo a si mesmo. Está se afogando. A França não é o pior lugar. Todo o resto da Europa e dos EUA estão da mesma maneira. O Ocidente tem medo. Não do ISIS, de si mesmo, de seu vazio, de seu niilismo. Se o Ocidente sobreviver, não será o mesmo Ocidente que conhecemos. Ou ele se transformará em um clone do Oriente Médio em sangue e fogo e sem saída, ou em um sistema totalitário obcecado com segurança. O ISIS não é o perigo real, ele é um sintoma de máxima decadência. Os vermes não podem causar a morte. Eles vem quando tudo está no fim. Se você negar Aquele que se ergueu dos mortos e salvou o outro, a morte é o verdadeiro fim. Assim, é o dia do juízo final.

O que é o Brasil? O Brasil Visto à Luz da Quarta Teoria Política

A ordem vigente, formada pela relação de poderes do pós-segunda guerra mundial, é uma ordem caduca, não mais capaz de representar a real distribuição de forças do mundo atual. Assim, embora o BRICS ainda não advogue o rompimento com tal ordem, busca uma reforma que traga mais justiça aos países emergentes e em desenvolvimento, adquirindo assim também forte importância simbólica – importância essa que cada vez mais deixa de ser somente simbólica para transformar-se em uma liderança real na busca da multipolaridade.
 
A informalidade dos BRICS, poder-se-ia alegar, representaria uma fraqueza em sua solidificação. Porém, como argumentam Cooper e Farooq, essa fraqueza pode, em verdade, ser sua força. O caráter informal é justamente a maleabilidade que permite que o BRICS não seja obrigado a tratar de todos os temas, tendo maior enfoque nos objetivos em comum. Se se tentasse incialmente tratar as mais diversas pautas em uma estrutura rígida e formal, tornar-se-ia um tanto difícil alcançar consenso e cooperação. A informalidade abre espaço para unir esforços nos pontos de convergência, respeitando o tempo necessário para que se alcance maior formalidade conforme a consonância de interesses aumente. Ao mesmo tempo, o pequeno quadro de membro do BRICS torna mais dinâmica a construção do consenso (COOPER e FARROQ, 2015). Se é verdade que mesmo entre 5 países coordenar ações não é tarefa fácil, em um grupo que fosse formado por um número muito grande de países, seria de se esperar que houvesse lentidão e imobilidade de ações, pois as divergências seriam extremamente trabalhosas e tomariam muito tempo para se resolver. 

Por Que Lutamos na Síria?

O caos criado pelos americanos é assim dirigido não apenas contra o Oriente Médio e a Ásia Central, mas também contra a Europa. Quanto mais caos e desordem no Oriente Médio e no norte da África, mais migrantes irão para a Europa. Isso, por sua vez, levará à desestabilização da infraestrutura social e, portanto, à paralisia política no continente europeu. E aqui nós não devemos esquecer que milhares de terroristas entram na Europa como parte do processo migratório. Caso esta tendência continue, e com a chegada futura de 10, 20 ou mesmo 30 milhões de imigrantes vindo à Europa, isso significaria o fim da Europa. O continente europeu não seria "islamizado" per se, nem um "Califado" seria construído, mas ao invés a Europa afundaria no caos total e seria aniquilada.
 
Hoje, a Rússia está lutando contra este desenvolvimento, o que também está no interesse da Europa. A Rússia precisa da Europa, e a Europa precisa da Rússia. O colapso da Europa é ruim para a Rússia, e a mesma noção se aplica inversamente, mesmo que isso não seja aceito por muitos governos europeus hoje, que trabalham até contra. Também há algo de continuidade histórica: no passado, a Rússia viu a Europa como um escudo contra o expansionismo turco otomano. A Europa afundando no caos automaticamente significava a Rússia ser ameaçada em suas fronteiras ocidentais e sulistas. Daí, a proteção da Europa está nos interesses da Federação Russa. Para preservar a Europa de cair no caos, hoje a Rússia é o escudo do continente europeu.

Dicotomia “Direita” e “Esquerda”: Indeterminação do Liberalismo

O que hoje se divide em direita e esquerda, no século XVIII, representava um único grupo: o dos liberais, iluministas. É uma ilusão, portanto, acreditar que a política se reduz a este dualismo; primeiro porque exclui, de antemão, qualquer pensamento não-moderno e não-iluminista e, em segundo lugar, porque a completa indefinição desses conceitos relativiza todo debate político, criando confusões profundas e absurdas que não podem existir em um meio que busca uma resolução para os problemas políticos.
 
Não vamos expor aqui o que se entende por direita e esquerda, porque os absurdamente diversificados aspectos de cada um acabam por confundir ambos em uma coisa só. As múltiplas noções de liberdade podem ser encontradas tanto em um lado como em outro, o que dificulta uma análise genuína de ambos os lados. As noções de Estado mínimo e máximo, de igualdade e dignidade humana, que derivam do princípio de liberdade, são completamente relativizadas neste debate, de modo que encontramos de um mesmo lado opiniões completamente antagônicas e, de lados opostos, idênticas, fazendo com que seu enquadramento na “direita” ou na “esquerda” seja apenas uma questão de interpretação arbitrária dos conceitos debatidos. A própria identificação da direita com o capitalismo e da esquerda com o comunismo é absurda, pois temos, por exemplo, auto-intitulados direitistas que louvam um Estado protetor, criticando um desaparecimento do Estado na esquerda, e outros direitistas que louvam um Estado mínimo e meramente regulador, criticando o “Estado máximo” da esquerda, e assim por diante.

O Horizonte Cósmico de Possibilidades da Quarta Teoria Política Rumo à Superação da Pós-Modernidade

O que caracteriza a modernidade como paradigma é a “liquefação dos padrões de dependência e interação” (BAUMAN, p.14) Não conseguindo fixar o espaço por muito tempo, a modernidade líquida prescinde de configuração específica devido ao trânsito livre de suas moléculas, viabilizado pela inoponibilidade de resistência. A circulação do capital mediada por instituições financeiras e catalisada pelas relações de produção em uma sociedade regida pelo princípio da divisão do trabalho materializam a dinâmica de um organismo que, a princípio, parece funcionar a partir de meios de atuação que ele mesmo gera e recicla incessantemente. Esse procedimento tecnocrático viciado repercute nas mais diversificadas searas de interação sócio-política, gerando um déficit de legitimidade acentuado pelo advento da globalização, na década de 70. E aqui precisaremos dedicar maior atenção. 
 
Nos dizeres de Zygmunt Bauman, “a integração e a divisão, a globalização e a territorialização, são processos mutuamente complementares. Mais precisamente, são duas faces do mesmo processo: a redistribuição mundial de soberania, poder e liberdade de agir desencadeada (mas de forma alguma determinada) pelo salto radical na tecnologia da velocidade. A coincidência e entrelaçamento da síntese e da dispersão, da integração e da decomposição são tudo, menos acidentais; e menos ainda passíveis de retificação”. (BAUMAN, p.77)    

IDENTIDADE, TERRITÓRIO E RAÍZES BRASILEIRAS

Bem, primeiro gostaríamos de agradecer sua disponibilidade em nos conceder esta entrevista. Para falar a verdade, alguns de nós sempre achamos curioso ver a “filha do Djavan” (inevitável a associação, não é?) frequentando os meios dissidentes e se aproximando do Dugin e da Quarta Teoria Política. Essa foi uma das razões que motivaram a entrevista.

Dito isto, pode-se dizer que você, além de simpatizante, é uma adepta do corpo teórico e prático da Quarta Teoria Política (4ªTP)?

Totalmente adepta e, indo mais longe, tenho me dedicado integralmente ao desenvolvimento deste corpo teórico e de pôr em prática as ideias desta teoria, sob orientação do Professor Dugin.

Império de Nosso Amanhã

Em nosso Sacro Estado Grão-Continental, haverá três tipos (com variações e subtipos, bien sûr):
  • filósofos-padres (clero)
  • guerreiros heroicos reais (nobreza)
  • trabalhadores-camponeses (povo)
Se você não se identifica em nenhum destes, não será incluído em nosso Estado.
Esta é a estrutura clássica da sociedade indo-europeia, que existiu a princípio e sempre (para sempre!) foi a verdadeira essência das ideias políticas das culturas europeias e indo-europeias da Eurásia. 
Emergiu em tempos antigos, na antiguidade, na civilização do Mediterrâneo na Idade Média e até na patologia dos tempos modernos (de formas distorcidas). Nós lidamos com paródias – precisamos de um Sacro Império.
Em sua cabeça, o sacro basileu, o Grande Monarca.

Manifesto da Aliança Revolucionária Global

Vivemos no final de um ciclo histórico. Todos os processos que constituem o sentido da história chegaram a um impasse lógico.  

O fim do capitalismo: O desenvolvimento do capitalismo chegou ao seu limite natural. Há somente uma coisa deixada para o sistema econômico mundial – entrar em colapso no abismo. Baseado em um aumento progressivo das instituições puramente financeiras, bancos em primeiro lugar e, em seguida, estruturas de ações mais complexas e sofisticadas, o sistema do capitalismo moderno, completamente divorciado da realidade, a partir do equilíbrio da oferta e da procura, a partir de relação de produção e consumo, a partir da conexão com uma vida real. Toda a riqueza do mundo está nas mãos da oligarquia financeira mundial através das manipulações complicadas com a construção de pirâmides financeiras. 

Eurasianismo Ortodoxo

1 - O termo "Eurasianismo Ortodoxo" é cada vez mais usado pela Junta de Kiev para descrever a visão de mundo da República da Novorossiya. Por mais que seja claro que esse elemento de linguagem tenha sido inventado em Washington, ele é, no entanto, do meu ponto de vista, precisamente correto.

2 - Quase todos os Eurasianistas históricos foram patriotas Russos Ortodoxos. Contudo, diferentemente de Eslavófilos e Leontiev, eles eram céticos sobre a possibilidade de unir todos os Eslavos porque eles sentiam que as diferenças culturais, religiosas e históricas entre eles eram mais importante que suas proximidades etno-linguísticas. Ao mesmo tempo, eles enfatizaram que a civilização russa integrou, em uma unidade do destino, um número de povos não-Eslavos (Turcos, Caucasianos, o povo da Sibéria) que estavam em contato geográfico conosco.
3 - Cedo, nos anos 90, sob nossa influência, o Eurasianismo integrou no seu corpo, a geopolítica (talassocracia contra telurocracia, Eurásia contra o mundo Atlântico, Eurasianos contra Atlanticistas) e tradicionalismo (Tradição contra o mundo moderno e pós-moderno).
 

O Terceiro Totalitarismo

Nas ciências políticas, o conceito de totalitarismo está subentendido nas ideologias comunista e fascista, que abertamente proclamam a superioridade da totalidade (classe e sociedade no comunismo e socialismo; Estado, no fascismo; raça no nacional-socialismo) sobre o privado (indivíduo).

Eles se opõem à ideologia liberal, a qual situa, ao contrário, o privado (indivíduo) sobre a totalidade (como se essa totalidade não pudesse ser compreendida enquanto tal). O liberalismo assim combate o totalitarismo em geral, incluindo o do comunismo e o do fascismo. Mas, ao fazê-lo, o próprio termo "totalitarismo" revela sua conexão com a ideologia liberal - e nem comunistas nem fascistas concordariam com o termo. Assim, todos os que usam a palava "totalitarismo" são liberais, independentemente de sua consciência sobre isso.

Ideologias Duel:a primeira rodada

Ao mesmo tempo, nós respondemos, de fato, tem um novo estruturas internas canção da Rússia na corrente crítica em conexão com a Ucrânia e as tensões crescentes com as condições Oeste. Temos agora três pólos distintos:
- A oposição liberal, a quinta coluna, ativamente apoiado pelo Ocidente e liderado por Mikhail Khodorkovsky, surgindo em seu manifesto para as principais linhas de inclusão em anti-Putin direito do projeto (nacionalistas) e do (socialistas) esquerda, que se expande de forma significativa - embora em teoria - o campo do movimento de protesto
- O centro em face de Putin, que controla a situação completamente, mas não se pode ignorar a crescente ameaça de uma "revolução colorida" da uma solução prolongada cada vez mais problemático (ou não) com a situação no Donbas quinta coluna, sexta coluna traição, o impacto das sanções e
- Flanco Patriótica, agora claramente tomado forma e apresentado Igor tiro com arco, claramente definida sua posição no seu kontrmanifeste.

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