Bukharin – A Economia Mundial e o Imperialismo

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A Noção de Economia Mundial

A partir do desenvolvimento das relações de mercado, são desenvolvidas trocas econômicas a nível internacional, isso envolve processo de produção, trabalho, mercantilização, financeirização, modalidades de investimentos de caráter global, não limitando-se a um território específico, havendo a relação de várias burguesias nacionais no mercado mundial.

Assim como toda empresa individual constitui uma parte componente da economia nacional, cada uma ‘dessas economias nacionais’ é também parte integrante do sistema econômico mundial. (A economia mundial e o imperialismo: esboço econômico / Nikolai I. Bukharin ; tradução de Raul Carvalho. – 3 ed. – São Paulo: Nova Cultural, 1998. p. 17).

O advento da globalização propicia uma divisão internacional do trabalho, além das condições políticas de cada país, em que cada burocracia permite em uma região, o desenvolvimento de modelos específicos de economias. Além desta variável, existe as condições naturais de cada ambiente, determinados produtos, em especial do ramo alimentício, só são encontrados em regiões geográficas propícias ao seu plantio.

O surgimento do desenvolvimento desigual e combinado surge quando a integração das economias nacionais dentro do sistema internacional permite criar uma dinâmica econômica com um fim específico, a aquisição de lucros, sob o desenvolvimento econômico de cada região, baseada em suas particularidades, em que a base social de cada país permite o mercado regional ter características de uma economia desenvolvida ao patamar de sua época ou em desenvolvimento.

A divisão entre a cidade e o campo, em que cada um cumpre uma função dentro do sistema econômico, adquire uma dimensão internacional. No advento do capitalismo, a indústria de um país, ao utilizar as matérias primas vindas do campo, geravam bens industrializados voltados para o consumo; sendo o campo demarcado por uma economia extrativista (extração de matérias primas) e a cidade, uma economia baseada na indústria, esta demarcação de ramos, dantes ocorrida em uma nação, será demarcada pela divisão entre nações.

As condições de produção de cada nação dependem de suas condições internas de desenvolvimento e das relações de dependência com os produtos necessários a serem alocados no seu comércio, a exemplo de exportações, em caso de um modelo de substituição de importações, este deve possuir todo o aparato burocrático, técnico e científico para produzir os bens que são comprados em outros países, em geral bens que possuem métodos sofisticados de produção.

O investimento em processos produtivos do trabalho, a exemplo das indústrias, manufaturas e produção agrícola é diferente dos investimentos em capitais. Este não é o papel da produção e sim da financeirização, função esta desempenhada pelos banqueiros. Estes emprestam dinheiros sob juros, geralmente nos contratos de empréstimos, apresentam-se os juros compostos, conhecidos também como juros sob juros, taxas acumulativas; capitalistas de regiões periféricas de países centrais do capitalismo possuem a tendência de realizar empréstimos de bancos estrangeiros para financiar os seus negócios.

Os países desenvolvidos adquirem uma nova maneira de transferirem a renda dos países subdesenvolvidos para os seus, antes pela exportação de mercadorias, em um outro momento da história, por meio da exportação de capitais; adentra-se outra variável dos encargos empresariais do capitalista do país dependente, o pagamento de taxas ao banco. Dentro deste processo de reorganização dos gastos é comum a introdução de máquinas para a substituição do custo salarial, ou a diminuição da remuneração do trabalhador, quando permitido pela legislação do país.

Desenvolvimento da Economia Mundial

O desenvolvimento dos laços econômicos internacionais e, em consequência, o desenvolvimento do sistema das relações de produção, através do mundo, podem realizar-se de duas maneiras: os laços internacionais podem expandir-se amplamente, englobar regiões que até então ficavam à margem do ciclo da via capitalista – e, nesse caso, temos um desenvolvimento extensivo da economia mundial; ou esses laços se desenvolvem em profundidade, multiplicam-se, concentram-se – e temos então um desenvolvimento intensivo da economia mundial. Concretamente, o desenvolvimento histórico da economia mundial opera-se simultaneamente nessas duas direções, enquanto seu desenvolvimento extensivo se faz principalmente por meio da política de conquistas coloniais das grandes potências. (A economia mundial e o imperialismo: esboço econômico / Nikolai I. Bukharin ; tradução de Raul Carvalho. – 3 ed. – São Paulo: Nova Cultural, 1998. p. 27).

A conexão das condições da produção e serviços ao expandirem-se criaram possibilidades globais de investimento, a exemplo da transmissão de energia elétrica que permite o desenvolvimento de produtos sofisticados dos setores da tecnologia ou de outros bens que necessitam dessa tecnologia, dependente de tal fonte para fabricar este produto; gases, óleos minerais, motores de combustão interna também passaram a ser geradores de energia e com isso matérias primas necessárias para a indústria.

O autor também trata das inovações tecnológicas e da substituição de recursos antigos pelos novos na economia capitalista, ele cita o exemplo do motor a Diesel que ao ser introduzido na economia, substituiu progressivamente a máquina a vapor. O Estado sendo o comitê executivo dos setores dirigentes da economia, preocupou-se em destinar departamentos de pesquisa para as pessoas abastadas da sociedade do período da Belle Époque com o fim de abastecer estes mercados de novas possibilidades de trocas a partir da introdução de novos bens.

A indústria química alterou o modo de produzir, a sofisticação e a necessidade da educação profissional para a classe trabalhadora surgem no aumento da complexidade e a necessidade de manter a força de trabalho viva, não a perdendo em possíveis acidentes nos postos de trabalho. As máquinas, as quais diminuíam o tempo socialmente necessário de trabalho, paralelamente desempregava trabalhadores.

A disseminação das informações e o estímulo da competitividade de mercados também foi possibilitada pela criação de meios de comunicação e a velocidade dos mesmos, os trens poderiam distribuir diversos jornais em países distintos da Europa em um menor espaço de tempo, devido a qualificação dada à malha ferroviária; o telefone fizera as pessoas comunicarem-se e abordarem diferentes realidades nacionais por este aparelho.

Neste período intensifica-se o financiamento privado de pesquisas, inclusive o aparecimento de um novo componente das grandes iniciativas privadas, laboratórios químicos, os quais funcionavam dentro do espaço físico das empresas e que forneciam informações de que maneira a produção poderia ser aprimorada ou a criação de produtos dentro desses mesmos laboratórios.Estes cientistas também desempenhavam estudos com o propósito de descobrir possíveis soluções para a diminuição de custos da produção, vinculado ao capital fixo, ou seja, os custos materiais de bens necessários à produção.

De acordo com Lênin, em “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, a associação de laboratórios científicos e empresas privadas, garantiram a determinados empreendedores um barateamento dos custos de produção, ao qual aumentavam a margem de lucro da mercadoria, quando vendida pelo mesmo preço, sob a justificativa de seu preparo e competência técnica de profissionais voltados à qualificação do produto. Isso possibilitou a falência de capitalistas que não acompanharam essa mudança no mercado e demonstrou a lógica concorrencial de Karl Marx e Friedrich Engels do “Capital Volume II”, a respeito da possibilidade de uma acumulação de capital ao qual gere o monopólio e o aumento do capitalismo, acompanhado da diminuição do número de capitalistas.

A substituição do capital variável – este que não é estável e permanente na iniciativa privada – ao qual é denominada de força de trabalho no “Capital Volume I” pelo capital fixo, correspondente aos meios de produção é o que possibilita a ausência de poder aquisitivo de ex trabalhadores, aos quais foram transferidos para a classe do lumpemproletariado e não estão inseridos no sistema de produção de capital, logo não colaboram pela sua continuidade e qualificação, pois estão à margem do consumo e não permitem aos capitalistas a aquisição necessária de um excedente que não modifique o capital inicial para a continuidade do investimento econômico.

Se a circulação das mercadorias exprime uma “mudança material” no organismo social e econômico do mundo, a circulação internacional da população expressa sobretudo, em compensação, um deslocamento do principal fator da vida econômica: a força de trabalho. (A economia mundial e o imperialismo: esboço econômico / Nikolai I. Bukharin ; tradução de Raul Carvalho. – 3 ed. – São Paulo: Nova Cultural, 1998. p. 27).

A circulação de mão de obra é um processo comum ao capitalismo, a priori na formação das economias nacionais. O mesmo movimento migratória poderia ocorrer dentro do território nacional, entre distintas regiões, porém, a partir da internacionalização do capital, este deslocamento da força de trabalho ocorre entre países, a força de trabalho é uma mercadoria, pois o trabalhador a vende ao capitalista, se de início a um capitalista do seu país de origem, a posteriori, não.

A partir da internacionalização do capital, os bancos passam a ter um papel importante na economia, o banco enquanto financiador direto de investimentos e agente de capitalização, além de exportar capitais, por meio de títulos de investimentos, pagamentos e aplicação de recursos em negócios em território estrangeiro, porém, o nome estrangeiro na interpretação do marxismo é algo que não é considerado pela burguesia, pois de acordo com a sua concepção, a burguesia não tem pátria.

O investimento de capital por meio dos recursos advindos do lucro não é mais o único, o capital-juros também permite a continuidade da capitalização; o capital monopolista, associado à legalização dos trustes e cartéis durante o final do século XIX e início do século XX, permite a concentração de capital e a eliminação dos capitalistas que procedem pelo modo anterior da livre concorrência, fase esta superada pelo capital monopolista.

A militarização da vida econômica dos Estados nacionais em um período de disputas territoriais e da Primeira Guerra Mundial exige a exportação de capitais, o que permite a internacionalização dos juros e o novo papel dos bancos no mercado mundial, além da introdução do capital-juros na economia internacional.

De acordo com a teoria marxista, o que permite a existência de imperialismo durante a existência do modo de produção capitalista, especificamente na fase denominada de imperialismo – etapa superior do capitalismo – é a renda de um país encontrar-se em sua maior parte fora de seu território nacional, permitindo o processo de desnacionalização da economia e empobrecimento nacional.

Formas de Organização da Economia Mundial

De acordo com Bukharin, a estrutura da economia do período que escrevera, início do século XX, era anárquica, ausente de uma governação global; os trustes e cartéis autorizados pelos Estados europeus representam a burocracia almejada pela burguesia deste período, adepta ao capital monopolista, salienta distinguir a burguesia da pequena burguesia, se antes a mesma representara o mercado pela livre concorrência, em o “Manifesto do Partido Comunista”, o uso do Estado enquanto comitê executivo desta classe, já não permitira esse modelo econômico continuar.

Além dos bancos nacionais, estavam a ocorrer a associação destes bancos em escala internacional, os sindicatos empresariais e os cartéis desenvolvidos não limitavam-se aos empreendedores de um mesmo país, a internacionalização do capital permitira a expansão das relações econômicas, assim, permitindo o contato entre diferentes agentes econômicos.

Principais combinações econômicas

INDÚSTRIA EXTRATIVA E METALÚRGICA. 1.° — Interntationales Trügerkartel (sindicatos do aço alemão, belga e francês); 2.° — Internationales Schienenkartel (fábricas de rolamentos alemães, inglesas, francesas, belgas, americanas, espanholas, austríacas e russas) 3.° — Internationale Stahlkonvention (trutes de aço norte-americano, Bethlehm Stell Co. e firma Krupp); 40 — Internacianale Bleikonvention (artigos de chumbo alemães, italianos, belgas, americanos, mexicanos, inglêses): Deutsche-Iesterueguscher Stahlgussverband; 6.° — Deutsck-Englische Ferro-manganeisçm-Konvention; 7.º — Internationale Vereiingung von Ferrosiliziumwerlee (Noruega, Suécia, Tirol, Bósnia, Savóia, Alemanha); 8.° — Internationales Metallftiattensyndikat (Alemanha e Áustria); 9.º — Vereingung des zinkplattenfabrikanten (Inglaterra e América) muito influente no mercado mundial; 10.° — Internationale Zinkkonvention. (alemães, belgas, franceses, italianos, espanhóis, inglêses e americanos, representando 92% da produção européia); 11.º — Internatianale Zinleuttenverband (alemães, franceses, belgas, inglêses) ; 12.º — Insernationaks Drahtgeflechtekartell (alemães, belgas, francêses, inglêses); 13.º — Internatianales Abkeinmen der Kupferdrahtiherein 14.º — Deutsch-Englische Schraubenkonvention; 15.º — Internationales Emaillekartell (Alemanha, Áustria, Hungria, França, Suíça, Itália); 16.º — Verinigte Turbinensyndicat (composto sobretudo de alemães e de suíços); 17.° — Vereinigte Dampfturbintengesellschaft (AEG alemã, General Eletric Co. americana, etc.); 18.º — Automobiltrust (Motor Trade Association, englobando quase todas as principais fábricas de construção automobilística na Europa); 19.º — Russich-Deutsck-Oesterreichischeg Syndikat für landwirtschaftliche Gerüte; 20.º — Internationale Vereiningun von Einsenwrenhündleverbünden (Alemanha, Inglaterra, França, Austria-Hungria, Suíça e Bélgica); 21.° — Internationaler Verband der Korsettschliessen, und Federnfabriken (que reúne a quase totalidade das principais fábricas do ramo). (A economia mundial e o imperialismo: esboço econômico / Nikolai I. Bukharin ; tradução de Raul Carvalho. – 3 ed. – São Paulo: Nova Cultural, 1998. P.48-9).

De acordo com o bolchevique, tratava-se de um sistema de repartição de lucros o acúmulo de capitais, a partir da concentração da propriedade de títulos de bens comerciáveis, permitia uma divisão de lucros e a eliminação da concorrência por meio da manutenção de preços, aos quais um capitalista ou poucos em uma pequena combinação não pudera concorrer com estes. De acordo com Marx e Engels em o “Manifesto Comunista”, a burguesia altera as relações de produção, logo toda estrutura social, com o fim de aumentar sua taxa de lucro.

A concentração dos meios de produção em poucos capitalistas e a associação destes com a iniciativa pública, tende a prejudicar a classe trabalhadora, a eliminação da livre concorrência permite a criação de menos empregos e o aumento da concorrência entre trabalhadores por postos de trabalhos, o que permite aos capitalistas oferecerem menores salários, sob a justificativa do desemprego; isto não permite a unidade da classe e a condição de antigos trabalhadores à classe de lumpemproletariado.

A Economia Mundial e o Estado Nacional

Sendo inexistente a governança global no período do escritor, e esta não garantindo a paz mundial, os conflitos militares eram os procedimentos comuns aos tratamentos de conflitos políticos e econômicos, o neocolonialismo e sua divisão desigual das colônias gerou a rivalidade entre as nações europeias pela aquisição de matérias primas em colônias.

As limitações nacionais das condições de produção levam ao desenvolvimento da política de conquista, isto remete aos escritos de Lênin, ao seu texto, “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo” em que ele critica a academia europeia por designar os conflitos militares enquanto resultado de falhas burocráticas da diplomacia internacional, enquanto ela remete às razões econômicas.

As necessidades de expansão das fronteiras nacionais são oriundas da necessária expansão de capital para a continuidade do modo de produção capitalista, em que o mesmo necessita do aumento da margem de lucro para a ampliação de investimentos, prevendo o retorno financeiro, os recursos de outras nações são necessários à continuidade da acumulação.

Este antagonismo é gerado pelos grupos dirigentes nacionais. O desenvolvimento do capitalismo resulta na internacionalização da vida econômica. O imperialismo, expressão política do capital monopolista, remete ao processo de nacionalização do capital, em que diferentes nações investem no seu complexo industrial militar a fim de defender seus interesses econômicos nacionais e garantir a sua respectiva hegemonia dentro do sistema internacional.

Não sendo mais o capitalismo demarcado pelo regime de livre concorrência, os financiadores das guerras são grupos privados, que conduzem o Estado de acordo com o seu objetivo, o Estado é o comitê executivo da burguesia, as terras conquistadas serão passíveis de acumulação primitiva ou de uso de bens econômicos encontrados nos territórios adquiridos.

Necessidade do Imperialismo e do superimperialismo

O imperialismo é a política do capitalismo financeiro, quer dizer, do capitalismo altamente desenvolvido, o que supõe certa maturidade – no caso, muito importante – da organização produtiva. (Economia mundial e o imperialismo: esboço econômico / Nikolai I. Bukharin ; tradução de Raul Carvalho. – 3 ed. – São Paulo: Nova Cultural, 1998. p. 128).

O imperialismo é necessário historicamente, ele é o amadurecimento da organização produtiva do capital, o capital financeiro; ele internacionaliza e força uma secularização por meio da internacionalização da vida econômica, ele aumenta a exploração da mais valia nos países centrais do capitalismo, pois estes estão demarcados pela monopolização dos meios de produção, ao qual elimina a concorrência e submete a classe trabalhadora às condições hostis de trabalho.

Nas nações colonizadas, retira-se as riquezas nacionais para ampliar a acumulação de riqueza dos financiadores de expedições militares e internacionaliza-se a classe trabalhadora, além de contribuir para o estímulo dos movimentos insurrecionais dos países periféricos do sistema de produção de capital, a mundialização do imperialismo é o que permite o surgimento da revolução internacional.

Nos países coloniais, a burguesia ainda cumpre um papel civilizador, tal qual cumpriu nas revoluções burguesas europeias, concilia a luta com a classe trabalhadora pela libertação da nação e pela construção do capitalismo autônomo, o que permite a nacionalização do capital e a expressão da luta de classes em território nacional, por meio da oposição capital-trabalho.

O imperialismo expressa a concorrência dos trustes nacionais, a iniciativa pública e privada de cada país, associada pela acumulação de riquezas em território nacional, as campanhas militares financiadas por empresas privadas e a privatização dos recursos em território estrangeiro remete a parceria de capitalistas e burocratas descrita por Marx e Engels no “Manifesto Comunista”.

Bukharin ressalta que não há vantagens para os trustes mais avançados em criar uma união com as classes dominantes de outros países, estes agentes econômicos possuem posições e condições de produção desiguais no mercado internacional, a associação de uma produção com uma determinada qualidade com uma inferior a sua, não faria sentido para o capitalista detentor dos bens sofisticados, valeria o investimento em tentar falir o empreendimento concorrente, por meio de introdução de valor artificial à mercadoria, a exemplo de subsídios, ou financiar expedições militares a fim de extrair os recursos alheios para ampliar a sua produção.

A associação de capitalistas distintos necessitaria também de uma tarifa alfandegária unificada e uma legislação tributária idêntica entre nações, o imperialismo serve para a criação de zonas de proteção e reservas de mercados do país imperialista e a exportação de capitais aos países dependentes e periféricos do sistema de produção de capital, a associação internacional de capitalista naquele período não era vantajosa devido ao pacto político econômico estabelecido por governantes e empresários, a fim de criar o protecionismo.

A economia mundial e o socialismo proletário

Bukharin constata que mesmo havendo a precariedade das relações de trabalho em países imperiais e coloniais, a classe trabalhadora não conseguira desencadear uma revolução internacional devido às diferenças existentes entre as diversas burguesias nacionais, as quais davam ao capitalismo especificidades regionais de cada país.

Além disto, a conciliação de classes fora defendida pelos dirigentes nacionais, as quais pregara um nacionalismo étnico, no qual o Estado era composto por indivíduos de uma mesma origem cultural e que os fatores econômicos e desigualdades sociais não justificariam a luta de classes. Esse nacionalismo de caráter chauvinista negava as contradições de classe; soldados foram mandados ao front, para morrerem por capitalistas que expropriavam a sua mais valia e desejavam nesses novos territórios realizar o processo de acumulação primitiva e de erguer um ideal em nome de seus respectivos interesses econômicos.

O internacionalismo burguês, demarcado pela concorrência entre as nações, caracterizado pelos trustes nacionais, associação do Estado com a burguesia local criava rivalidades nacionais e a ausência de identificação dos trabalhadores enquanto membros de uma mesma classe, não os percebendo enquanto a classe dominada pelos monopolistas.

O trabalhismo nacionalista fora o movimento surgido entre o operariado e estimulado pelos burocratas e capitalistas, eles viam neste movimento, a oportunidade de diminuir o impacto que os sindicatos de linha marxista haviam provocado na classe trabalhadora, excluir a visão que a imigração no modo de produção capitalista é comum à internacionalização da vida econômica. O trabalho sendo uma mercadoria torna-se transportável para qualquer região a qual haja a compra da força de trabalho.

Este socialismo proletário associa-se a um ideal de um trabalhismo incentivado pela burguesia, a qual substitui os critérios econômicos que regem as relações de trabalho e que estabelecem relações e divisões de classe por um componente étnico, criando um movimento que os operários sentem-se obrigados à servirem a pátria e, por vezes, serem agressores da classe trabalhadora de outros países sob a justificativa da manutenção do emprego, enquanto isto é uma consequência do capitalismo, que internacionalizou a economia e assim, a força de trabalho.