Eurasianism

Os Estados Unidos e a Nova Ordem Mundial na perspectiva de Aleksandr Dugin

A Nova Ordem Mundial é um projeto geopolítico que começou a ser debatido no final dos anos 80, quando, no fim do regime Soviético, Gorbachev cogitou a cooperação entre a União Soviética e os Estados Unidos, convergindo em uma política internacional em comum, especialmente em específicas cooperações de interesses comuns, tal qual a Guerra do Golfo, em 1991.

Este conceito geopolítico é moldável às circunstâncias históricas, após 1991, sob o fim do regime socialista no Leste Europeu, o historiador Fukuyama escreve a respeito de uma Nova Ordem Mundial, caracterizada pela hegemonia econômica pautada no livre mercado e tendo seu principal ator, os Estados Unidos da América em que foi o guia desta vitória durante o processo de Guerra Fria.

No atual momento histórico não há uma ordem mundial vigente, mas um período de intervalos que determina um processo histórico de criação de uma ordem, devido à paradigmas das relações internacionais que estão tentando delimitar o poder político-econômico a nível global por meio dos interesses de possíveis atores de medidas em escalas internacionais; o pensador russo cria uma dicotomia entre o regionalismo e o globalismo, analisando-os enquanto delimitações geográficas possíveis de alcance e controle de poder político.

Contra-Iniciação: Comentários Críticos sobre Aspectos da Doutrina de René Guénon

A questão da "contra-iniciação" é a mais obscura e ambígua em todo o pensamento tradicionalista. Talvez isso seja resultado da própria realidade do que os tradicionalistas, seguindo Guénon, chamaram de "contra-iniciação". O significado da contra-iniciação é apresentado no livro "O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos". Em resumo, nós podemos dizer que por contra-iniciação René Guénon compreende a totalidade das organizações secretas possuindo dados esotéricos e iniciáticos, que, porém, dirigem suas atividades e seus esforços para o objetivo que é o exato oposto do propósito da iniciação normal, que é, não alcançar o absoluto, mas uma extinção fatal e dissolução no "reino da quantidade", no crepúsculo externo. Os hierarcas da contra-iniciação, seguindo o esoterismo islâmico, foram chamados por Guénon de "Awliya al-Shaytan", i.e., "santos de Satã". Em sua perspectiva, os representantes da contra-iniciação se encontram por trás de todas as tendências negativas da civilização moderna, e dirigem secretamente o curso dos eventos a caminho da degradação, da materialização e da degeneração espiritual.

Eurasianismo Ortodoxo

1 - O termo "Eurasianismo Ortodoxo" é cada vez mais usado pela Junta de Kiev para descrever a visão de mundo da República da Novorossiya. Por mais que seja claro que esse elemento de linguagem tenha sido inventado em Washington, ele é, no entanto, do meu ponto de vista, precisamente correto.

2 - Quase todos os Eurasianistas históricos foram patriotas Russos Ortodoxos. Contudo, diferentemente de Eslavófilos e Leontiev, eles eram céticos sobre a possibilidade de unir todos os Eslavos porque eles sentiam que as diferenças culturais, religiosas e históricas entre eles eram mais importante que suas proximidades etno-linguísticas. Ao mesmo tempo, eles enfatizaram que a civilização russa integrou, em uma unidade do destino, um número de povos não-Eslavos (Turcos, Caucasianos, o povo da Sibéria) que estavam em contato geográfico conosco.
3 - Cedo, nos anos 90, sob nossa influência, o Eurasianismo integrou no seu corpo, a geopolítica (talassocracia contra telurocracia, Eurásia contra o mundo Atlântico, Eurasianos contra Atlanticistas) e tradicionalismo (Tradição contra o mundo moderno e pós-moderno).
 

A Nova Rússia é a resistência contra a Nova Ordem Mundial

Teoricamente a idéia da separação de parte da Ucrânia já era afirmada nos anos 90, nos meus escritos chamados “Fundamentos da Geopolítica”, onde está a mesma idéia, que é: a Ucrânia deve ser dividida ou entrar no contexto eurasianista, que é pouco provável. 
 
A razão para isso é que há duas identidades dentro da Ucrânia, dois povos, duas sociedades, com opções totalmente divergentes. 
 
Uma parte das pessoas jovens da Ucrânia do leste era parte do Movimento Eurasianista desde antes, mas é interessante que algumas pessoas do Pravyi Sektor, entre os nacionalistas ucranianos, também estavam interessadas pela Quarta Teoria Política, por geopolítica, por Tradicionalismo, etc. 
 
Mas a idéia era: o que prevalece? A Geopolítica ou a Terceira Via, o Neonacionalismo? A questão da geopolítica era mais importante, porque do ponto de vista da geopolítica, a identidade oriental da Ucrânia deve se desenvolver somente no contexto eurasiático. 
 
 

Geografia Sagrada à Geopolítica

O tipo do povo do Norte pode ser projetada no Sul, Leste e Oeste. No Sul, a Luz do Norte gerou grandes civilizações metafísicas, como os indianos, iraniano ou chinês, que na situação do "conservador" do Sul há muito tempo guardados a Revelação, confiado por ele. No entanto, a simplicidade e clareza do simbolismo do norte virou aqui em um emaranhado complexo e diverso de doutrinas sagradas, sacramentos e ritos. No entanto, quanto mais ao Sul, as fracas são os traços do Norte. E entre os habitantes das ilhas do Pacífico e África do Sul, os motivos "nórdicos" na mitologia e sacramentos são salvos em uma forma extremamente fragmentada, rudimentar e até mesmo distorcida.
No Oriente, o Norte é mostrado como a sociedade tradicional clássico fundado na superioridade unívoca do supra-individual acima do indivíduo, onde o "humano" eo "racional" são apagados antes do Princípio supra-humana e supra-racional. Se o Sul dá a civilização um caráter de "estabilidade", o Oriente define sua sacralidade e autenticidade, o principal fiador de que é a Luz do Norte.

O neo-eurasianismo e o redespertar russo

O termo eurasianismo apresenta diversas acepções. Surge pela primeira vez no século XIX, cunhado pelo movimento eslavófilo que defendia a rica diversidade da Eurásia2, numa espécie de outra via que não europeia ou asiática, e que juntasse a cultura e tradição da Ortodoxia e da Rússia. Esse foi, pois, seu primeiro uso.

Tais ideias foram retomadas logo após a I Guerra Mundial, por figuras como o filólogo e etnólogo Nikolai S. Trubetskoy, pelo historiador Peter Savitsky, pelo teólogo ortodoxo G. V. Florovsky e, mais a frente, pelo geógrafo, historiador e filósofo Lev Gumilev, que defendia a luta cultural e política entre, de um lado, o Ocidente e, de outro, o subcontinente da Eurásia3, guiado pela Rússia. Gumilev foi o criador de duas teorias: i) a da etnogénese, pela qual as nações são originárias da regularidade do desenvolvimento das sociedades; e ii) a da paixão, sobre a capacidade humana para se sacrificar em prol de objetivos ideológicos.

Do liberalismo novo bicho-papão

Com o mundo parecendo resolver em um paradigma neo-Guerra Fria, é cada vez mais claro que os formuladores de políticas dos Estados Unidos estão desesperados para transformar a Rússia de volta ao império do mal aos olhos do público em geral. Durante os dias da União Soviética, isso era tarefa fácil de realizar com prontas vilões como Stalin responsáveis ​​e os problemas muito visíveis de uma economia comunista.

A Federação Russa é um pouco mais complicado, porque não tem nenhuma ideologia definitiva, é liderada por um cara mesmo Russófobos obstinados acho que é um badass, e não tem nenhum sistema de gulag para apontar para e refletir em terror.

Vladimir Vladimirovich Putin & O Império Eurasiano dos Últimos Tempos

Diferentemente dos EUA em que a "conspiração" é normalmente sem face, Parvulesco lista duas pessoas como os conspiradores-mor da Rússia. Um era o chefe do Serviço de Segurança Soviético (GRU) e outrora Comandante-em-Chefe do Pacto de Varsóvia, General S.M. Stemenko (morto em 1976), o outro era o Marechal N.V. Ogarkov, ex-Chefe de Estado Maior do Exército Soviético, que morreu em 1994, que segundo rumores teria estado por trás de uma tentativa de golpe que falou, que por sua vez levou a um tipo de contra-conspiração que levou Mikhail Gorbachev ao poder.
 
Parvulesco está convicto de que se essa contra-conspiração não tivesse tido sucesso, o fim da URSS teria vindo vários anos antes, com uma transição da URSS para a Nova Rússia que teria sido muito mais dura. De fato, ele sublinha que anos antes do fim efetivo da URSS, o regime estava em coma, à disposição para ser tomado, assim como - aos olhos de Parvulesco - a Europa Ocidental (e os EUA) estão agora.
 
Parvulesco não está sozinho em sua avaliação desses dois homens. O especialista de inteligência francesa Pierre de Villemarest que escreveu a história da GRU, chamada de "o serviço secreto mais secreto dos soviéticos", diz que o General Sergei Matveevich Stemenko foi "um dos primeiros geopolíticos da URSS, talvez até o primeiro". Ainda que Villemarest chamasse Stemenko de soviético, ele se considerava efetivamente um "Grão-Russo". "Para essa casta", escreve Villemarest, "a URSS era um Império que foi convocado a dominar o continente eurasiático, não apenas dos Urais a Brest, mas também dos Urais à Mongólia, da Ásia Central ao Mediterrâneo".

Rússia, a Pátria do Arcanjo

Desde o ponto de vista da Tradição nada nesse mundo perecível é aleatório, espontâneo, surgindo, existindo e desaparecendo segundo o capricho de circunstâncias caóticas ou pelo jogo de forças cegas. A Tradição vê a história da humanidade, a história do cosmo, a história do Ser como um processo significativo e providencial onde cada ponto do espaço e do tempo, cada elemento do universo desempenha uma função especial, porta o selo sagrado da Necessidade Sacral. Isso é verdadeiro para todos os aspectos naturais e culturais da história já que não há linha divisória entre artificial e natural, humano e miraculoso na esfera do sagrado. As criações humanas são seu próprio produto na mesma medida em que são criações da natureza. O Espírito Santo está fazendo a história do Ser através das pessoas e através dos elementos da natureza.

Qualquer história é uma história sagrada. Mas a humanidade é um aspecto subjetivo do sacral já que foi encarregada da missão misteriosa da implementação providencial do pensamento de Deus, seu plano sagrado na Terra. Porém, a história sagrada da humanidade é especificada pela sua divisão em diferentes povos. Precisamente os povos são os sujeitos principais da história. Dentro deles, sua diversidade, sua diferença, sua singularidade, em seus gestos e suas tragédias há um conteúdo de drama divino. Povos e seus destinos são capítulos do livro do Espírito Santo.

O Retorno do Mito

O escrito No Muro do Tempo pelo autor alemão Ernst Jünger retrata a transição do mito em história, o momento em que a consciência mítica foi substituída pela histórica. A história, é claro, não existe há tanto tempo quanto o homem: a consciência histórica rejeita como ahistóricos os vastos espaços e épocas ("pré-história"), e povos, civilizações e nações, porque "uma pessoa, um evento deve ter características muito específicas que as tornem históricas". A chave para essa transição, segundo esse autor, fornece a obra de Heródoto, através da qual o homem "passa por um país iluminado pelos raios da aurora".

A Concepção Sagrada dos Espaços

Nós definimos o tema que escolhemos para a nossa discussão, "A Concepção Sagrada dos Espaços". Como você bem sabe, a escola de pensamento do tradicionalismo integrante baseia-se sobre um determinado assunto: os conceitos polares opostos subjacentes à abordagem dialética da realidade humana são dois simetricamente opostos - Tradição e Modernidade. Por Tradição compreendemos de modo geral a abordagem do "sagrado" ao real, uma leitura simbólica da mesma que, trabalhando com o que Carl Schmitt chamou de "catolicismo romano e forma política" princípio da representação, consideraremos o plano como um reflexo do mundo imanente transcendente, como expresso sistematicamente pela filosofia platônica. É um erro, porém definir o conservadorismo como um ramo da filosofia derivada do idealismo platônico porque, em sua visão ortodoxa, é considerada a ciência que estuda a manifestação do Uno pré-existente imanente - uma revelação eterna - e as estradas a fim de acessar sua experiência direta. A abordagem tradicional também pode ser definida cosmologicamente. A modernidade é a ruptura drástica com a concepção de existência simbólica e espiritual: a chave para o que não é mais cosmológico, como é na concepção tradicional, e sim mecânico. Se o pensamento tradicional é generalizante, representante, universalizante e essencialmente metafísico, o pensamento moderno, como seu oposto radical, manifesta-se como fragmentado, mecanicista e potencialmente niilista. 

Ulisses, Alexandre e Eurásia

Há algum tempo relia o canto XXVI do Inferno de Dante (o célebre canto de Ulisses). Como provavelmente recordareis, em certo momento o Ulisses dantesco recorda a arenga com a qual convenceu seus companheiros de expedição para atravessarem as Colunas de Hércules: "O frati, dissi, che per cento milia - perigli siete giunti all'occidente (...)" . Esforçando-me em vislumbrar algo daquele sentido alegórico que, por declaração expressa de Dante, tenha ficado oculto por trás do sentido literal, aventurei a seguinte conjectura: o Ocidente evocado por Ulisses na sua pequena oração é provável que não esgote seu significado na acepção espacial e geográfica do vocábulo "Ocidente", que designa o lugar do "Sol que morre" (Sol occidens), o lugar onde acaba o cosmos humano e começa o "mondo sanza gente", o reino das trevas e da morte.

É portanto provável que o Ocidente dantesco, tendo em conta a polivalência do símbolo, assinale também uma fase temporal, assim pois um sentido ulterior do discurso de Dante seria que seus companheiros, enquanto "vecchi e tardi", tenham chegado "a l'occidente" de sua existência, isto é à proximidade da morte. 
E assim como eles representam à humanidade europeia, como não compreender, simultaneamente, que a Europa devia chegar - e de fato teria chegado precisamente na época de Dante, nos inícios do século XIV - à proximidade dessa fase histórico-cultural que, segundo o que disse René Guénon, "representou na realidade a morte de muitas coisas"?

 

Eurásia como conceito espiritual

"Sublinhar e enfatizar as conexões, as linhas de força nas quais se sustenta a trama do conceito espiritual de Eurásia, da Irlanda ao Japão": a esta preocupação de P. Masson Oursel, que se inspira em uma programa esboçado em 1923 em La Philosophie Comparée e prosseguido em 1948 em La Philosophie en Orient, Henry Corbin (1903-1978) atribui um "valor especial". Transcendendo o nível das determinações geográficas e históricas, o conceito de Eurásia vem a constituir a "metáfora da unidade espiritual e cultural que irá recompor o final da era cristã em vista da superação dos resultados desta". Estas são, ao menos, as conclusões de um estudioso que na obra corbiniana descobriu as indicações idôneas para fundar: "aquela grande operação de hermenêutica espiritual comparada, que é a busca de uma filosofia - ou melhor dito: de uma sabedoria - eurasiática". Em outras palavras, a própria categoria geofísica de "Eurásia" não é mais que a projeção de uma realidade geosófica vinculada à Unidade originária, posto que "Eurásia" é, na percepção interior, na paisagem da alma ou Xvarnah ("Luz de Glória", no léxico mazdeano), a Cognitio Angelorum, a operação autológica doAnthropos Téleios, ou inclusive, por último, a unidade entre o Lumen Naturae e a Lumen Gloriae. Daí a possibilidade de abordar a Eurásia com o conhecimento imaginal da Terra como um Anjo.

Da Geografia Sagrada à Geopolítica

 

Conceitos geopolíticos se tornaram os principais fatores da política moderna há muito tempo atrás. Eles são construídos sobre princípios gerais que permitem analisar facilmente a situação de qualquer país e região particular.
A geopolítica em sua forma atual é indubitavelmente uma ciência mundana, "profana", secularizada. Mas talvez, entre todas as ciências modernas, ela haja salvo em si mesma a maior conexão com a Tradição e as ciências tradicionais. René Guénon disse que a química moderna é o resultado da dessacralização de uma ciência tradicional - a alquimia, como a física moderna é da magia. Exatamente do mesmo jeito se poderia dizer que a geopolítica moderna é o produto da laicização e dessacralização de outra ciência tradicional - a geografia sagrada. Mas já que a geopolítica ocupa um lugar especial entre as ciências modernas, e é às vezes categorizada como "pseudo-ciência", sua profanação não é tão realizada e irreversível, como no caso da química ou da física. A conexão com a geografia sagrada aqui é um tanto quanto distintamente visível. Portanto é possível dizer que a geopolítica se encontra em um lugar intermediário entre a ciência tradicional (geografia sagrada) e a ciência profana.

Eurasianismo como a via para a real multipolaridade

 

Globalização como o corpo principal da história moderna
Em sentido amplo, a Idéia Eurasiana e até a Eurásia como conceito não correspondem estritamente às fronteiras geográficas do continente Eurasiano. A Idéia Eurasiana é uma estratégia de escala global que reconhece a objetividade da globalização e o fim dos “nações-estados” (Estados-Nações), mas ao mesmo tempo oferece um cenário diferente de globalização, o qual não confere um mundo unipolar ou um único governo global. Ao invés, ela oferece várias zonas globais (polos). A Idéia Eurasiana é uma alternativa ou versão multipolar da globalização, mas a globalização é atualmente o processo mundial mais fundamental que está decidindo o principal vetor da história moderna.

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