HEGEL E O SALTO PLATÔNICO

Hegel estabelece uma hierarquia entre as diferentes formas políticas. Na verdade, esta é uma hierarquia evolucionária, já que cada regime é melhor que o anterior. Mas, diferente das ideias de Marx, essa evolução é, ao mesmo tempo, não somente uma reflexão da Antítese, e não é o desenvolvimento da matéria e da natureza. Essa é a distinção do Espírito, que foi originalmente inerente à natureza e à matéria. Do seguinte modo, não há materialismo aqui. Nós estamos lidando com um esquema complexo que combina a opção platônica (no princípio havia Espírito, não matéria) e o modelo evolucionário (no qual nós começamos a considerar a história a partir da Antítese, o que é reminiscente da ideia da Grande Mãe). Marx amputou a parte platônica, por isso sua interpretação de Hegel é puramente materialista. Mas Hegel é mais complexo.

Hegel à luz da Quarta Teoria Política – um breve esboço

A filosofia do alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel tem interessantes ferramentas para oferecer ao pensamento dissidente. Conceitos como dialética, práxis e Volkgeist, se adaptados à nossa luta, se tornam instrumentos de análise e de ação. Aliás, tal adaptação é fundamental, o que passa também pelo estudo de todo o percurso do pensamento pós-hegeliano, tanto em pensadores considerados de esquerda quanto nos considerados de direita. Ecos de Hegel estão em obras de naturezas tão diferentes como as de Marx, Lênin e Gramsci num oposto e Spengler, Gentile e Schmitt num outro. Essa é a distância que a sombra da influência hegeliana alcança. Nós podemos e devemos beber dessa fonte.

A Quarta Teoria Política: Não ao Liberalismo, ao Comunismo e ao Fascismo

Muitos se perguntam sobre os posicionamentos teóricos e ideológicos da Nova Resistência e acabam se confundindo, projetando na Organização doutrinas que consideramos mofadas e esgotadas. A Nova Resistência se associa ao esforço de construção da Quarta Teoria Política. Esse vídeo explica, de modo geral, o que significa esse esforço, qual seu objetivo e sua relação com as teorias políticas modernas.

Contra acusações de fascismo

Quarta Teoria Política (nem liberalismo nem comunismo nem fascismo). De resto, não somos tutelados pelo Movimento Eurasiano de Dugin (ou qualquer outro) e nem lhe devemos qualquer satisfação nem tampouco nos responsabilizamos por quaisquer posicionamentos desse ator político russo. Somos brasileiros e latino-americanos, com nossa própria “agenda” de interesses.
Isso dito, cumpre esclarecer que Dugin, um patriota russo anti-liberal, não pode em absoluto ser considerado um autor fascista – e muito menos racista (nem todo fascista é racista, de qualquer forma – ainda que fosse o caso). Nos anos 1990, Dugin esteve próximo do movimento “nacional-bolchevique” e, provocativamente, se apropriou da ideia de um “fascismo vermelho” russo. Contudo, Dugin rompeu com o Partido Nacional Bolchevique de Limonov naquela mesma década e renunciou a tais ideias há muitos anos, conforme a evolução de seu pensamento.

Kemi Seba: esperança africana de um mundo multipolar

Ele conseguiu, pela força da estratégia e do conhecimento das ruas africanas, domesticar um conceito ainda desenhado e concebido por/para o Ocidente, que vem a ser a sociedade civil. Ao fundir sua circunferência (geralmente composta de ONGs alimentadas com os seios da Europa ou dos Estados Unidos) com a rua real, ela brutalmente descompartimentou um espaço metapolítico que não pertencia a povos enraizados, mas na verdade, para as elites apátridas globalizadas. Ele entendeu o status ideológico das três principais teorias políticas modernas, que são o liberalismo, comunismo e nacionalismo. Seguindo essa lógica, ele acabou, por meio do progresso intelectual, a chegar à Quarta Teoria Política, baseada na busca da tradição primordial em sua acepção africana e no domínio dos mecanismos conceituais da multipolaridade político-civilizacional.  

Rumo à Quarta Teoria Econômica

A comunidade camponesa foi concebida como um ente soberano, e a supraestrutura acima desta consistia na esfera dos mortos e dos espíritos, que, em alguns casos, era ocupada por grupos heterogêneos (como, por exemplo, a elite dos conquistadores). Os sacrifícios, assim, eram enviados para lá, independentemente de tal esfera ser representada corporeamente (castas superiores) ou não (espíritos e mortos). Em todo caso, o eixo metafísico era personificado e responsável pela destruição dos excedentes ou das anomalias. Contudo, é fundamental estabelecer que o equilíbrio entre produção e consumo se dava no domínio da imanência pura, ou seja, era suficiente em si mesmo.

O liberalismo e a globalização foram decisivamente derrotados.

O mesmo vale para o crescimento econômico infinito ou para a classe média global ou para a sociedade civil. O mesmo vale para o pós-modernismo e o 'Aufklärung der Aufklärung'. Não há mais continuidade possível para o futuro. Estamos nos aproximando do momento da grande descontinuidade. Isso não significa que o futuro será garantidamente nosso, mas a verdade é que ele não será mais deles. Ele está aberto mais uma vez. A censura liberal dos meus livros e dos coletes amarelos pela Amazon ou banimentos pelo Facebook de qualquer forma de discurso não-liberal são os signais de que o fim se aproxima. Todos aqueles que sofrem sanção e são banidos hoje, todos aqueles que são atacados como Estados-párias ou 'putinistas', todos aqueles que são marginalizados e criminalizados - brancos, populistas, homens, religiosos, defensores da justiça social, tradicionalistas, conservadores e assim por diante - serão mais provavelmente os vencedores do primeiro período pós-liberal. Mas nada disso está garantido e não há plano ou estratégia para o futuro. 

Quarta Via Política!

Nenhuma das grandes formações ideológicas ou grupos políticos insatisfeitos com o status quo consegue identificar com alguma proximidade qual é a natureza das transformações políticas que vem se impondo progressivamente no Brasil desde o retorno da democracia. E por que isso ocorre? Por causa exatamente desse apego a modelos teóricos ultrapassados, que bloqueia essa identificação. E ausente essa capacidade, o máximo que uma força política de oposição pode almejar é adiar por um punhado de anos (como fazem as ditaduras reacionárias) a difusão da decadência e da dissolução.

Pois bem, este livro de Alexander Dugin possui o grande mérito exatamente de fornecer instrumentos teóricos que nos permitam compreender os processos de transformação ideológica pelos quais o mundo vem passado desde a instauração da modernidade, assim como algumas diretrizes e orientações que se mostrarão extremamente úteis para que os autênticos revolucionários apliquem na construção de uma Quarta Teoria Política, segundo suas próprias realidades espaciais.

O feminismo como manifestações da agenda anti-humanista

As projeções da mentalidade masculina por sobre as mulheres é tão paranoica quanto as projeções da mentalidade feminina por sobre os homens. Normalmente, as mulheres são muito mais sensíveis e delicadas do que os homens neste sentido. Nem mais submissas ou inclinadas à resignação – apenas mais sábias. Em certo sentido, elas são mais humanas e autênticas… Mas ainda assim – estes são dois universos essencialmente humanos e essencialmente diferentes.

As Cinco Lições de Carl Schmitt para a Rússia

O famoso jurista alemão Carl Schmitt é considerado um clássico do direito moderno. Alguns o chamam de “Maquiavel moderno” por sua falta de moralismo sentimental e de retórica humanista em sua análise da realidade política. Carl Schmitt acreditava que, ao determinar questões legais, é importante primeiramente dar um contorno claro e realista dos processos políticos e sociais e evitar o utopismo, os anseios e imperativos e dogmas apriorísticos. Hoje, as heranças jurídica e acadêmica de Carl Schmitt compõem um elemento necessário da educação jurídica em universidades ocidentais. Para a Rússia também, a criatividade de Schmitt é de interesse especial e de importância particular, já que ele tomou interesse nas situações críticas da vida política moderna. Indubitavelmente, suas análises do direito e do contexto político da legalidade podem nos ajudar a compreender mais claramente e profundamente o que exatamente está acontecendo em nossa sociedade e na Rússia.

A Anatomia do Populismo e o Desafio da Matrix

Os "coletes amarelos" rebelaram-se contra Macron bem como contra a elite liberal dominante. Mas hoje, já não é mais um movimento da direita ou da esquerda clássica. Macron é de esquerda no apoio à migração, proteção de minorias, a legalização de distorções e o chamado "marxismo cultural", mas de direita (direita liberal) em termos de economia, defendendo firmemente os interesses dos grandes negócios e da burocracia europeia. Ele é um globalista puro, sem descartar uma declaração direta de sua pertença à Maçonaria (seu famoso sinal de mão, representando um triângulo), e até com slogans satânicos diretos: “Faça o que quiser, mas vote em Macron.” A revolta dos “coletes amarelos” é precisamente contra essa combinação de direita liberal e esquerda liberal.

Se Mélenchon e Marine Le Pen não podem ser unidos politicamente, sendo um - muito à esquerda e o outro – muito à direita, então os "coletes amarelos" farão isso no lugar dos líderes políticos que buscam liderar um movimento populista. Os “coletes amarelos” não são apenas contra a política econômica ou a imigração - eles são contra Macron como um símbolo de todo o sistema, contra o globalismo, contra o totalitarismo liberal, contra o “estado atual das coisas”. O movimento dos "coletes amarelos" é uma revolução populista e popular. E a palavra "povo" (populus, "le peuple") no conceito de "populismo" deve ser entendida literalmente.

As raízes da identidade

A identidade extrema é sempre relativa, individual e condicional. A identidade profunda é absoluta, universal – no âmbito de uma sociedade em específico – e não depende da expressão individual. A identidade extrema é um produto específico da identidade difusa. A identidade profunda precede a identidade difusa e funciona como a potência espiritual que a constitui.

Semelhante análise é muito importante para uma compreensão precisa do desenvolvimento do nacionalismo no mundo atual.

Na Rússia, a identidade difusa (patriotismo) está em ascensão. Concentra-se particularmente no Estado e em Putin, especialmente após o ocorrido na Crimeia. Os Jogos Olímpicos ajudaram a cultivar e a revitalizar tais formas em particular.

A Quarta Teoria Política e o Pós-Liberalismo

Muitas pessoas estão fazendo isso. Isso é como uma reação natural ou um reflexo de vômito. Se alguém nos alimentava pensamos voltar a essa comida que não nos adoecia. Agora só o liberalismo nos alimenta e estamos doentes por isso, e lembramos febrilmente o que era antes, tratamos de pensar em como eram as coisas outrora, como não estávamos adoecidos e como podíamos seguir vivendo. E alguém dirá: o fascismo não era tão ruim e era também uma alternativa ao liberalismo. E daí em diante.

De fato, aqui surge a Quarta Teoria Política. Se analisamos mais a fundo o que propomos contra essa globalização e o liberalismo, se propomos, desafortunadamente, o comunismo da segunda teoria política ou o fascismo da terceira teoria política, então não podemos propor nada mais contra o liberalismo.

Os liberais mesmos esfregam as mãos ao ver isso. Quando começamos a criticar a globalização, dizem que somos fascistas e comunistas. Quando começamos a explicar que há algo mais, dizem que não. "Está justificando o comunismo e o fascismo, vocês são só comunistas ou fascistas enrustidos! Vocês são fascistas enrustidos ou comunistas enrustidos!" Neste sistema da filosofia política da modernidade não existe o conceito de uma quarta. O significado da Quarta Teoria Política começa com essa suposição de que não existe, mas deveria existir. Ela é necessária para derrotar o liberalismo sem cair na armadilha do comunismo e do fascismo. Talvez possamos ir de novo pelo mesmo caminho e construir uma sociedade socialista e totalitária na qual haverá pouca liberdade, e cedo ou tarde virão os liberais e tudo voltará a se repetir. Podemos construir um Estado fascista em algum lugar, como se tenta na Ucrânia, até que as pessoas entendam que não há liberdade suficiente e que o racismo, o nacionalismo e o chauvinismo são repugnantes. E logo voltaremos ao mesmo liberalismo novamente.

 

Quarta Teoria Política: Resposta às Críticas Marxistas

Não são poucos os desafios que a Quarta Teoria Política há de encontrar para se estabelecer no cenário político e intelectual nacional como uma teoria completamente nova e descomprometida em relação a todas as teorias e projetos de poder que a precederam. Em um primeiro momento, percebemos que a maior parte das vozes que se levantam para lançar críticas e acusações contra a Quarta Teoria Política, e seus adeptos, não vêm do inimigo declaradamente liberal, mas daqueles que, de uma forma ou outra, rebelam-se contra este mesmo inimigo. Isso não é nada surpreendente, e soa até natural, por algumas razões centrais.

Em primeiro lugar, porque o liberalismo teme a Quarta Teoria Política, já que a compreende como sendo o mais afrontoso desafio lançado contra si desde o início da modernidade. Os liberais conscientes não temem a 2ª e a 3ª TPs, pois, combatendo no campo dos paradigmas modernos, sabem-se vitoriosos e tem o testemunho da História a assegurar-lhes tanto. Já há muito tempo, o liberalismo aprendeu a instrumentalizar o simulacro sobrevivente da oposição que um dia os fascismos e os marxismos representaram para perpetuar-se como detentor de um poder hegemônico virtualmente inquestionável. Assim, a 1ª TP joga comodamente com as duas teorias modernas consecutivas, ambas confinadas à inexpressividade desde que foram derrotadas, e coloca-as para se digladiar esporadicamente conforme julga oportuno.  É evidente que em tal cenário não lhe convém a formação de uma ameaça real às próprias bases modernas sobre as quais o liberalismo globalista se consolidou, e seus agentes se esforçarão para manter-nos na marginalidade e para afastar de nós possíveis aliados, antigos simpatizantes das teorias fascistas e marxistas, usando da própria influência dos elementos modernos (e, portanto, comuns ao liberalismo) nessas teorias. Ora, a forma mais simples de executar essa estratégia divisionista é procurar identificar-nos com os espantalhos que os atuais simulacros fascistas e marxistas ocupam-se em extirpar, ou seja, tentarão nos apresentar como “marxistas esquerdistas” aos que vem da 3ª TP e como “fascistas capitalistas” aos da 2ª TP. É apenas ridiculamente previsível, portanto, que as principais críticas que os pretensos seguidores dessas teorias nos lançam sejam todas construídas nessa chave!

DO NIILISMO LIBERAL À QUARTA TEORIA POLÍTICA: UMA BREVE INCURSÃO TEÓRICA EM “OS DEMÔNIOS”, DE DOSTOIÉVSKI, RUMO AOS CONFINS DA PÓS-MODERNIDADE

Eis a origem niilista da democracia liberal, que de democrática só tem o requinte da nomenclatura, posto que ela não preserva a mais mínima semelhança com aquilo que os atenienses entendiam como sendo a manifestação autêntica do fenômeno democrático. É que, na Grécia Antiga, o que fornecia aos membros da pólis a legitimidade para participar do debate de questões políticas era o fato de eles preencherem os requisitos mínimos para se enquadrar na categoria de cidadãos, e não a tese especificamente moderna de acordo com a qual a participação em assembleias deliberativas compete, ainda que indiretamente, aos titulares dos direitos humanos e individuais – noções completamente alógenas à conjuntura da experiência grega. Assim sendo, o humanismo liberal-democrático de Kiríllov pode ser descrito pela imagem alegórica de um nevoeiro que nos impede de olhar para as coisas elas mesmas a fim de tocar sua verdadeira natureza. Essa neblina, evidentemente, é a raiz de toda a confusão de que padecem almas atormentadas como as de Stavróguin e de Vierkhoviénski; e, por essa razão mesma, Kiríllov talvez seja a chave para a compreensão da mensagem que Dostoiévski quis transmitir ao leitor, qual seja: liberal é todo aquele para quem a liberdade do indivíduo vale mais do que a própria vida humana, não importando quantas cabeças tenham de rolar e quantos ídolos tenham de ser profanados a pretexto de promovê-la.

Rumo à Laocracia

No capitalismo, os capitalistas governam. No socialismo, são os representantes da classe trabalhadora – o proletariado – que governam. No nazismo ou fascismo, governa a elite nacional ou racial.

No marco da Quarta Teoria Política, quem deve governar é o Povo – do russo Narod, semelhante ao Volk alemão (não é a mesma coisa que “população”).

A Rússia moderna situa-se no plano do capitalismo. Logo, ela é governada por capitalistas e, portanto, não pelo Narod. Para construir a Rússia na qual governará o Narod, é necessário concretizar uma revolução anticapitalista (anti-oligárquica, ao menos): magnatas financeiros deveriam ser excluídos do poder político (e isso é o central).

Todos devem escolher: Poder ou Dinheiro. Escolha o Dinheiro – esqueça o Poder. Escolha o Poder – esqueça o Dinheiro.

O Pacto Histórico com a Pátria

Alain De Benoist concedeu bastante relevo a essas ideias na década de 1970 e propôs o modelo para um “gramscismo de direita”. Ele convidou os intelectuais europeus a realizarem um pacto histórico com suas identidades (com a França, com a Alemanha, etc.), tomando-o nos termos de um sistema de valores de oposição ao moderno e ao pós-moderno. De Benoist afirmou que não importava se havia apoio, representação partidária ou recursos, em qualquer país, um pacto histórico com a Tradição deveria ser firmado pelos intelectuais que, em seguida, deveriam trabalhar nos jornais, realizar filmes, criar poesias, até que o pacto histórico reverberasse e, por fim, algum êxito fosse conquistado.

Isso está acontecendo agora na Europa, em grande parte devido à eleição de Trump. Parte da elite intelectual europeia e americana encontrou a força necessária para ir além da hipnose. Eles fizeram uma escolha em favor da Tradição e da identidade. E o que os russos podem concluir disso? Os pensadores russos devem estabelecer um pacto histórico com a Rússia e com o Povo, com nossa identidade. Não importa em que estágio estamos ou de quem a mídia toma partido. O pacto histórico com a identidade russa, a transição para o lado russo deve ser realizado: isso é o salutar. A maneira como vamos formalizar esse pacto não é relevante: um jornalista escreverá um artigo. Um funcionário público levá-lo-á em consideração em sua tomada de decisão. Um diretor realizará um filme. E no seio do Pacto, nossa dignidade intelectual e espiritual.

O Holismo Político: O Conceito de Sistema da Quarta Teoria Política

A palavra “política” vem do grego polis, que significa cidade-Estado. Não é uma cidade, não é um Estado, mas é como se fosse um Estado em escala muito reduzida, com um centro urbano que funciona como uma instituição de unificação do Estado, onde todas as atividades direcionadas ao público, isto é, a política em sentido amplo, que inclui administração, formação intelectual, moral, religiosa e militar daquele povo. Eram “cidades” independentes em todos os sentidos, autossuficientes. Por isso elas constituem uma espécie de universo: a cidade-Estado é um universo à parte. E este é o sentido primitivo e originário do termo “política”: ser um universo, um microcosmo.
Nosso interesse aqui é buscar compreender um pouco de que modo as teorias modernas compreendem este universo e de que modo a Quarta Teoria o compreende. Porque são teorias completamente diferentes, que levam a consequências radicalmente distintas na estrutura, na organização e, assim, na administração desta estrutura.

E para compreender isto é necessário ter em mente o seguinte: em toda a história do pensamento e da política, bem como de todas as instituições subsequentes, como as ciências, o Direito etc., o que está em jogo nesta estrutura sistêmica (e metafísica) é uma tensão entre dois polos opostos: o indivíduo, de um lado, e o coletivo de outro. As disputas políticas, por essência, estão baseadas nesta tensão, pois os lados enxergam aspectos diferentes nela ou partem de interesses divergentes.

Multipolaridade: A Definição e a Diferenciação entre seus Significados

Mais e mais obras sobre relações exteriores, política mundial, geopolítica, e atualmente, política internacional, são dedicadas ao tema da multipolaridade. Um número crescente de autores tentam compreender e descrever a multipolaridade como um modelo, fenômeno, precedente ou possibilidade.

O típico da multipolaridade foi tocado, de uma maneira ou de outra, nas obras do especialista em relações internacionais David Kampf (no artigo, "A Emergência de um Mundo Multipolar"), do historiador Paul Kennedy da Universidade de Yale (em seu livro, "A Ascensão e Queda das Grandes Potências"), do geopolítico Dale Walton (no livro, "Geopolítica e as Grandes Potências no Século XXI: Multipolaridade e a Revolução em Perspectiva Estratégica"), do cientista político americano Dilip Hiro (no livro, "Após o Império: Nascimento de um Mundo Multipolar"), e outros. O mais próximo da compreensão do sentido da multipolaridade, em nossa opinião, foi o especialista britânico em RI Fabio Petito, que tentou construir uma alternativa séria e substanciada ao mundo unipolar com base nos conceitos legais e filosóficos de Carl Schmitt.

A "ordem mundial multipolar" também é repetidamente mencionada nos discursos e escritos de figuras políticas e jornalistas influentes. Foi assim que a ex-Secretária de Estado Madeleine Albright, que primeiro chamou os EUA de a "nação indispensável", afirmou em 2 de fevereiro de 2000, que os EUa não querem "estabelecer e impôr" um mundo unipolar, e que a integração econômica já criou "um certo mundo que pode até ser chamado multipolar". Em 26 de janeiro de 2007, na coluna editorial do "The New York Times", foi escrito abertamente que a "emergência do mundo multipolar", junto com a China, "agora assume lugar na mesa em paralelo com outros centros de poder como Bruxelas ou Tóquio". Em 20 de novembro de 2008, no relatório "Tendências Globais 2025", do Conselho de Inteligência Nacional dos EUA, foi indicado que a emergência de um "sistema global multipolar" podia ser esperada para dentro das próximas duas décadas.

A luta contra o liberalismo possui um aspecto antropológico

As raízes das ideologias totalitárias remontam à modernidade. A essência modernista do liberalismo mostra-se agora. Ele ficou sozinho e, assim, manifesta sua própria estrutura. Há aqueles que dizem “sim” a ele (ao eixo de governo liberal, a quinta e a sexta colunas). No entanto, a maioria da humanidade, cada vez mais, diz “não”. E, então, começamos a nos situar na Quarta Teoria Política. Enquanto permanecemos dentro do quadro das três teorias [modernas], nos deslocaremos sempre para uma delas (ou para uma mistura ideológica). No trato com seus oponentes, o liberalismo simplesmente os rotula ou de “fascistas” (equiparando-os a Hitler) ou de stalinistas. Como estamos diante de uma sociedade aberta (em referência à Sociedade Aberta de Karl Popper), seus inimigos são classificados como comunistas e fascistas. Mas a QTP propõe uma fórmula importante: “somos contra o liberalismo”. Se a armadilha da hegemonia consiste em nos identificar imediatamente com os fascistas ou os comunistas, a QTP propõe ir além destes, acrescentando à fórmula anterior: “não somos fascistas e nem comunistas”.

O sujeito da QTP é o Povo [Narod], considerado não enquanto população ou enquanto um conjunto de cidadãos: o Povo como um conceito cultural e histórico, que existe para além dos microciclos temporais, isto é, na eternidade social – aquilo que foi, é e será.

A Quarta Dimensão

No século XIX , testemunhamos a ascensão de guerras conduzidas em nome da humanidade, isto é, guerras de natureza moralizante e criminalizante, guerras baseadas em uma ideologia, onde princípios abstratos eram defendidos. Esse tipo de guerra assinalou o retorno da “guerra justa” (sua primeira aparição pôde ser observada durante a Guerra Civil Americana). A quarta forma de guerra é, agora, a guerra contra o “terror” (ou a “Guerra nas Estrelas”): uma guerra de caráter assimétrico e total.

Em muitos sentidos, nós já entramos na quarta dimensão da guerra. Entrar nesta quarta dimensão nos traz para mais perto da hora da verdade. A questão que permanece é: qual será a configuração geral das questões neste século, as principais linhas de demarcação e as clivagens decisivas? Por enquanto, vivemos em um tipo de interregnum. Porém, a partir de agora, a questão essencial deve ser abordada: o enigma do sujeito do processo histórico em um mundo cominado pelo capitalismo, no qual o próprio capitalismo está sujeito a terríveis contradições internas, enquanto, ao mesmo tempo, se torna cada vez mais forte, dia após dia. Quem será o sujeito histórico que abalará as coisas agora?

A pessoalidade econômica

Teoricamente, devemos afirmar um retorno radical ao Trabalhador integral, à pessoalidade econômica, contra a “ordem” capitalista desintegrada (que é, mais precisamente, um caos controlado) e o indivíduo crematístico. Isso implica em uma desurbanização radical e em um retorno às práticas agrícolas e à criação de comunidades camponesas soberanas. Este é o programa econômico da QTP – o ressurgimento da economia após a noite nebulosa da crematística, o renascimento da pessoalidade econômica do abismo do individualismo.

Mas não podemos ignorar a escala profunda do niilismo capitalista. O problema não tem uma solução técnica: o capitalismo não pode ser corrigido, ele deve ser destruído. O capitalismo não é apenas uma acumulação da parte maldita, ele é a própria parte maldita – essa é a sua essência. Portanto, a luta contra o capitalismo não é uma competição em termos de eficiência, mas uma luta escatológico-religiosa contra a morte.

O capitalismo, historicamente, ou melhor, historialmente (seynsgeschichtliche), é o penúltimo acorde do mistério eleusiano. A economia está apodrecendo sob a crematística, a pessoalidade econômica segue sendo despedaçada na esteira do Indivíduo, assim como os elementos e as estruturas vitais vão sendo destruídos pela mecânica do desejo eletrônico. Mas tudo isso passa a ter algum sentido se concebermos a história econômica como um mistério. Deste modo, estamos na última hora antes da aurora. Hoje, o capitalismo chegou em seu limite. O selo do Anticristo eletrônico foi desatado – tudo fica mais claro. Não se trata apenas de uma crise ou de uma disfuncionalidade técnica: chegamos no momento do Juízo Final, que é justamente o momento da Ressurreição. Mas para que a Ressurreição aconteça, é necessário que haja um sujeito da ressurreição, isto é, um iniciado, uma Pessoa, uma pessoalidade – um camponês.

Os precursores iranianos da Quarta Teoria Política

À época da Revolução Iraniana de 1979, apenas Fardid permanecia vivo do trio de Fardid, Al-e-Ahmad e Shariati. Porém, suas ideias exerceram uma influência definitiva sobre a oposição ao Xá Reza Pahlavi, a partir do qual governava um regime modernista e ocidentalizante, ajudado pelas forças repressivas da brutal polícia secreta SAVAK. A oposição popular e islâmica mobilizou milhões, culminando na expulsão do Xá. Após sua chegada no Irã, o próprio Khomeini visitou o cemitério, em que muitas das vítimas do Xá que haviam caído na revolução foram enterradas, para prestar tributo a seus sacrifícios. O “xiismo vermelho” do martírio havia conquistado uma vitória crucial. Após a Revolução, o Irã seria reconstituído, não nas bases das ideologias modernas do comunismo ou do capitalismo, mas segundo sua própria tradição islâmica. Em face das disputas por poder na Guerra Fria, o Irã traçaria um caminho independente, pressagiando a visão multipolar da Quarta Teoria Política. Ademais, o Irã eventualmente desenvolveria um programa nuclear, subjugando o poder da tecnologia à vontade do Estado islâmico, um desenvolvimento que Al-e-Ahmad certamente aprovaria.

Intelectuais como Al-e-Ahmad, Fardid e Shariati plantaram as sementes do poder iraniano, um poder baseado em sua essência histórica, em um mundo multipolar. Sua integração orgânica das antigas tradições de seu país com as ideias mais revolucionárias do século XX fornece um mapa para os partidários da Quarta Teoria Política. A obra de Fardid, Al-e-Ahmad e Shariati é um excelente exemplo do que deve ser feito em todo país que busca construir a base intelectual para sua libertação do globalismo ocidental, de modo a garantir seu futuro em um mundo multipolar. Eles mostraram o caminho para a renovação das grandes civilizações tradicionais em uma era de forças culturalmente destrutivas emanando do Ocidente.

A América Latina deve representar um grande poder regional

Tenho a impressão de que nos tempos de Cristina Kirchner e de Dilma Rousseff, as duas nações mais importantes da América do Sul, países chave da América Latina, como o são Argentina e Brasil, estavam muito mais a favor da multipolaridade. Essa tendência de hoje, com a mudança dos líderes de Argentina e Brasil, pode ser uma reação globalista, como foi o caso da mudança de (Jacques) Chirac e (Gerhard) Schroeder, dois quase antiamericanos e mais próximos de nós em relação a (Nicolas) Sarkozy e (Angela) Merkel, que foram muito mais pró-liberais e menos continentalistas. Aqui, dois liberais como (Michel) Temer e (Maurício) Macri substituíram duas mulheres que estavam mais a favor da multipolaridade.

Rumo à Quarta Teoria Econômica

O socialismo [marxista] não é uma alternativa genuína ao capitalismo, porque aceita esta clivagem como um destino universal. Todo o Manifesto de Marx está relacionado a isso: ele busca ser não apenas anticapitalista (e também anti-pré-capitalista), mas também pós-capitalista. Neste sentido, Marx odiava os camponeses. O marxismo exige o agravamento da clivagem, a absolutização da Gestalt proletária, que seria o último estágio, o limite da divisão e da alienação. O proletário não existe como realidade individual (figura central do liberalismo). O que existe é apenas um camponês urbanizado, infeliz e, em todo caso, dividido – tanto como trabalhador industrial da cidade quanto como um pequeno-burguês.

A QTP rejeita o capitalismo em suas raízes, bem como a modernidade. Consequentemente, no campo da economia, a QTP representa um retorno ao Trabalhador integral. Em grande parte, isso corresponde ao populismo americano do final do século XIX (a União dos Agricultores e a criação do Partido Populista em 1892, sendo Frances Willard, Thomas Watson, etc., aqueles que poderíamos chamar de seus fundadores) ou o anarquismo agrícola de Proudhon, inspirado na experiência suíça.

No entanto, a restauração da figura do Trabalhador integral só é possível mediante a restauração dos dois outros tipos indo-europeus: o Sacerdote integral e o Guerreiro integral (um exemplo do guerreiro integral seria o cavaleiro).

O nacionalismo no Terceiro Mundo e a ideia de uma Quarta Teoria Política

Estamos falando de ideologias como o Chavismo na Venezuela, doutrina indubitavelmente socialista patriótica, pautada na criatividade política de Hugo Chávez, que conseguiu forjar uma Quarta Via em relação capitalismo-liberal, ao comunismo e ao nacionalismo chauvinista, conciliando suas influências peronistas e velasquistas com a perspectiva de um Estado Comunal baseado na autonomia produtiva dos trabalhadores. Sua finalidade? Como delineado em seu Plan de la Patria, estabelecer uma ordem mundial multipolar e pluricêntrica e efetivar construir um socialismo fundado sobre valores patrióticos na Venezuela.

Ou da Jamahiriya de Kadafi, doutrina política influenciada pelas ideologias de Segunda e de Terceira Posição, mas que também procurou forjar uma Quarta Via em relação a estas: sem deixar de reconhecer a atualidade da luta de classes e a preeminência da nação, Kadafi conferiu ao Povo, e somente a este, organizado em Comitês Populares, o papel de agente histórico e de sujeito político. Não a classe trabalhadora por si só ou a nação, mas ao Povo. Seu objetivo? Criar um Estado Social pautado na democracia orgânica, no socialismo natural e na Tradição (que ele identifica, em seu Livro Verde, como a lei natural que regia as sociedades antes do aparecimento das classes).

As raízes da identidade

A identidade profunda é o elemento que singulariza uma sociedade, um povo, uma cultura ou uma civilização – que faz com que eles sejam o que são. Desdobra-se de maneira difusa através de gerações e através das massas, mantendo sempre sua singularidade e frescor.

A identidade extrema é sempre relativa, individual e condicional. A identidade profunda é absoluta, universal – no âmbito de uma sociedade em específico – e não depende da expressão individual. A identidade extrema é um produto específico da identidade difusa. A identidade profunda precede a identidade difusa e funciona como a potência espiritual que a constitui.

Semelhante análise é muito importante para uma compreensão precisa do desenvolvimento do nacionalismo no mundo atual.

Sobre o sentido de Outubro

Todas elas devem ser descartadas: a Revolução de Outubro deve ser entendida a partir da nossa própria história russa. Foi um evento pelo qual somos responsáveis. Em minha opinião, é irresponsável afirmar coisas como: “Eles mataram Deus”, “Eles forjaram a modernidade”, “Eles fizeram a revolução”. Nós fizemos isso, na medida em que somos russos. Devemos ter isso em mente. Talvez não possamos aceitá-la ou condená-la – podemos optar por nos orgulhar ou não. Mas ela deve ser situada fora destes três paradigmas.

Precisamos encontrar forças para trazer a Revolução de Outubro para uma Quarta Posição: a partir da perspectiva da história russa, da dialética russa, de nosso sujeito histórico. Não somos um joguete de certas forças, nem uma equação de mudanças históricas sequenciais ou de progresso tecnológico (liberalismo, evolução, etc.) e tampouco um objeto de conspiração.

Crítica ao progresso no pensamento antirracista

No que diz respeito ao estudos culturais e à filosofia, Nikolai Danilevskii, Oswald Spengler, Carl Schmitt, Ernst Jünger, Martin Heidegger e Arnold Toynbee demonstraram que todos os processos na História da filosofia e história da cultura são fenômenos cíclicos. O historiador russo Lev Gumilev também o sugere em sua versão da História cíclica, a qual explicou em sua famosa teoria da passionalidade. Todos esses autores reconhecem que existe desenvolvimento, mas também existe declínio. Aqueles que apostam apenas no crescimento e desenvolvimento agem contra todas as leis da História, contra as leis sociológicas, contra a lógica mesma da vida. Tal modernização unidirecional, tal crescimento, tal desenvolvimento e tal progresso não existem. Piotr Sztompka, sociólogo polonês contemporâneo, afirma [7] que, em termos de progresso, a seguinte mudança aconteceu nas ciências humanas: no século 19, todos acerditavam que ele (o progresso) existe e isso era o principal axioma e um critério científico. Porém, se examinarmos os paradigmas do século 20 nas humanidades e ciências naturais, veremos que quase todo mundo já rejeita tal paradigma; ninguém mais é guiado por ele. Hoje em dia, o paradigma do progresso é considerado quase “anti-científico”; é incompatível com os critérios científicos contemporâneos, bem como é incompatível com os critérios do humanismo e tolerância. Qualquer ideia de progresso é ela mesma um racismo velado ou direto, que reivindica a “nossa” cultura, por exemplo, a “cultura branca” ou a cultura americana como uma cultura superior à “sua” cultura; superior, por exemplo, às culturas africanas, islâmicas, iraquianas ou afegãs. Assim que afirmamos que a cultura americana ou russa é melhor do que a cultura Chukchi ou a dos habitantes do norte do Cáucaso, nós estamos agindo como racistas. Isso é incompatível, seja com a ciência ou com o próprio respeito a diferentes etnias.

Etnos e Sociedade: Review

Há alguns meses, a editora Arktos publicou um novo livro do conhecido filósofo russo Aleksandr Dugin, intitulado Ethnos and Society. Considerando que seu trabalho mais conhecido, A Quarta Teoria Política, consiste em um manifesto político pelo retorno à Tradição, tal como a uma luta impiedosa contra a modernidade (e sua fatídica derivação ideológica reinante, o Liberalismo), Ethnos and Society representa, em contraste, uma produção sociológica do professor Dugin ou, para ser mais exato, um trabalho de pesquisa. Mas o que seria, de fato, a Etnossociologia? Enquanto a sociologia moderna parte da sociedade moderna, toma o Indivíduo burguês e o Estado-Nação como normas (na mesma medida em que as comunidades pré-modernas são tidas por “atrasadas” e “selvagens”), a Etnossociologia segue o caminho inverso: concebe a humanidade enquanto etnos (comunidade tribal) como a primeira forma de organização humana e, a partir daí, se detém sobre suas ramificações mais complexas. Quando o vienense Richard Thurnwald fundou tal disciplina no início do século 20, seu objetivo era entender melhor a história social e as diferenças entre as tribos antigas e a sociedade moderna.

“O antifascismo e o anticomunismo visam suprimir a revolta dos povos contra o Pensamento Único

A extrema-esquerda e a extrema-direita são simulacros do século XX, ainda atadas ao conceito de nação do século XIX. Mas o Estado-Nação deve ser superado pelo conceito de Civilização, como Samuel Huntington já havia entendido no início dos anos noventa. É necessário superar a Vestfália e reconhecer a multiplicidade, na esteira do conceito heideggeriano de Dasein, que é o pré-requisito necessário para o reconhecimento das diferentes civilizações. Heidegger criticou o liberalismo e o comunismo, mas também – e de modo profundo – o nacional-socialismo, que ele acusou de ser racista e mecanicista. A Quarta Teoria Política não é uma mera Terceira Via entre o liberalismo e o comunismo. Com isso, ressalto minha crítica e meu ataque ao fascismo, ao nacionalismo e as suas expressões racistas, que têm servido como instrumentos do colonialismos eurocêntrico por parte do Ocidente, que usa destas para minar o desenvolvimento independente das diversas civilizações. Hoje, esse fascismo não tem lugar no Ocidente: diferente do Populismo, que é um fenômeno fundamental.

 

Novo Horizonte: Irão reuniu intelectuais de todo o mundo

Durante três dias Meched recebe anualmente toda uma miríade de intelectuais, académicos, personalidades políticas e militares, cantores, escritores, cineastas, críticos de cinema que se tenham destacado nos seus campos por um posicionamento anti-sionista e anti-imperialista.
A organização afirma que os conferencistas devem estar dispostos a debater os diferentes aspectos dos ideários da humanidade e as realidades do mundo que não recolhem grande tempo de antena pelas instituições e meios de comunicação social mais convencionais ou de maior disseminação e influência.
A temática mais frequente lida com assuntos de âmbito mundial e regional, geopolítica do Médio Oriente e da Eurásia, a presença islâmica na Europa, a islamofobia, a irãnofobia e a discriminação em geral, a hostilidade institucional dos Estados Unidos da América para com a sua população afro-descendente, o lobby sionista, a política externa dos EUA, a cooperação Sul-Sul, os centros decisores da política ocidental, etc.

Manifesto Europa Magna

A Europa é um caldeirão sem saída. O caldeirão sem saída da história. Já não é européia. Tem perdido suas raízes profundas. Para qualquer europeu com consciência histórica clara, nosso tempo é um grande desastre. Assim, necessitamos identificar a essência de sua enfermidade, aprofundar-nos em suas fontes e propor a saída.

A Europa está baseada no aberto domínio da democracia liberal em sua forma mais radical e intolerante. O liberalismo de origem anglo-saxã é imposto à sociedade européia de maneira totalitária. Você está obrigado a ser livre, mas só à maneira liberal Pode optar por ser liberal de esquerda, liberal de direita e, em algum momento, de extrema esquerda – no extremo oposto da extrema direita liberal (liberal, não obstante).

A economia de livre mercado, o papel dominante da elite financeira internacional, o individualismo anti-social mais radical, o credo cego no progressismo técnico, a política de gênero e a forma mais absoluta de secularismo são considerados axiomas absolutos para a classe dominante, que os fixa através do poder político, do sistema educativo, do controle sobre os recursos informativos e dos meios de comunicação de massas, como este, do sistema normativo.

O Holismo Político – O Conceito de Sistema da Quarta Teoria Política

A QTP se baseia no conceito de holos, que também é um termo grego e significa “o todo”. Este todo, porém, é uma síntese entre os dois polos combatentes, o indivíduo de um lado e o coletivo de outro. O conceito de holos é, assim, o modelo primitivo de organização política, é o modelo de um uni-verso, em que a unidade e a diversidade constituem dois aspectos de uma mesma realidade que, no escopo político, constitui apolis, a cidade-Estado ou organização política primitiva e originária.

Assim, o sistema político da QTP constitui um holismo.

O homem, neste sistema, não é mais considerado um indivíduo. Pois, como vimos, o indivíduo é um ser fechado em si mesmo, e o homem, pelo contrário, é um ser orgânico, cuja essência inclui o respirar, o evacuar, atividades essencialmente relacionadas com o meio “externo” ao “indivíduo”.

O Ano Novo e natureza do tempo

O Ano novo é um feriado de liberdade, é sobre o fato de que o próximo ano não será tão linear e repulsivo como o anterior. Nossa tarefa, como Pessoas, é encontrar a ponte para um Ano Novo em nós mesmos, para que possamos permitir que o novo começo se torne realidade. Nós construímos fatalidades lineares por nós mesmos, mas existem outras vias: o ponto de bifurcação, quando a linha do tempo se transforma numa cobra que captura sua própria cauda, pode ser uma ocasião para pensar sobre o que é a verdadeira liberdade, e que não é muito tarde para alterar o curso das coisas.

Para onde quer que formos, sempre iremos errar, mas isso não significa que o atual curso das coisas seja correto: continuar nele é que será um erro. Há uma ocasião para a liberdade, no Ano Novo, que é o fracasso das ideias deterministas, quando um horizonte de possibilidades se abre para nós, situado-nos noutro espaço existencial, cuja abertura se inicia em nós [antropologicamente]. O Ano Novo é uma excelente ocasião para pensar sobre isso.

Rumo à Quarta Teoria Econômica

A QTP rejeita o capitalismo em suas raízes, bem como a modernidade. Consequentemente, no campo da economia, a QTP representa um retorno ao Trabalhador integral. Em grande parte, isso corresponde ao populismo americano do final do século XIX (a União dos Agricultores e a criação do Partido Populista em 1892, sendo Frances Willard, Thomas Watson, etc., aqueles que poderíamos chamar de seus fundadores) ou o anarquismo agrícola de Proudhon, inspirado na experiência suíça.

No entanto, a restauração da figura do Trabalhador integral só é possível mediante a restauração dos dois outros tipos indo-europeus: o Sacerdote integral e o Guerreiro integral (um exemplo do guerreiro integral seria o cavaleiro).

O Holismo Político: O Conceito de Sistema da Quarta Teoria Política

Em nível internacional, os Estados-nação estão relacionados de acordo com o conceito de multipolaridade: cada Estado tem seu lugar natural no sistema do mundo, que é o uni-verso em escala macrocósmica. Há uma amizade entre Estados, uma coparticipação no universo. Isto contraria os sistemas modernos, que são por definição universalistas e unipolaristas, buscando adequar o mundo inteiro de acordo com seus sistemas abstratos e individualistas (e exemplo disto são tanto a OTAN, liberal, quanto a União Soviética, socialista).
Os Estados-nação, assim, se tornam ideologicamente vazios, tornam-se ferramentas para a defesa das comunidades étnicas. O separatismo ou o unionismo se tornam vazios de sentido em si mesmos. Separatismo e unionismo são indiferentes para a determinação e preservação dos povos, de modo autônomo. O único fator que pode alterar a balança dos povos internamente aos Estados é o interesse dos governantes destes mesmos Estados.

Transhumanismo e Pós-humanismo

Claro que a grande maioria da humanidade hoje não está pronta para se transformar em cyborgs ou mutantes. Mas ninguém pediu a opinião da maioria da humanidade. Toda a história é feita pelas elites. As massas nunca estão prontas para nada. Mas isso não significa absolutamente nada. Eles não estão prontos - eles estão sendo preparados, e ninguém nem percebe isso.

O transhumanismo é inevitável se aceitarmos a tendência principal da Era Moderna, a fé no progresso, no desenvolvimento e na melhoria da humanidade. Esta religião, ou melhor, pseudo-religião do progresso, foi introduzida na Europa e no mundo pelo Iluminismo. Esta heresia gradualmente substituiu ou empurrou para a periferia todas as formas tradicionais de religião - em primeiro lugar, o cristianismo. É impossível parar a meio caminho neste percurso de progresso. Dizendo "a", temos que dizer "b", "c", "d" e todas as outras letras do alfabeto. H+ é a última carta. Daí em diante, apenas a linguagem do computador começa.

É necessário que nos livremos da globalização das mentes

Assim, o mais importante é construir uma metafísica profunda para um mundo multipolar – uma descolonização profunda. A descolonização política nem sempre é seguida pela descolonização das mentes, uma vez que a modernidade penetra no próprio núcleo da cultura: livrar-se dela e dizer “sim” às suas raízes é muito difícil. Desta forma, a independência política é uma condição necessária, mas não suficiente.

O racismo é parte da ideologia liberal

Em primeiro lugar, as sociedades étnico-orgânicas devem ser salvas da ditadura modernista e nacionalista de tipo ocidental. O eurasianismo é precisamente isto: um Império tradicional, sagrado, religiosos e espiritual, baseado nas sociedades étnico-orgânicas tradicionais, contra o Estado-Nação burguês e contra a globalização (que é a universalização do padrão liberal em escala global). Neste primeiro nível, o nacionalismo étnico pode ser considerado como parte legítima da luta de libertação contra o imperialismo (é o caso da recente luta dos galeses e escoceses, que eu apoio totalmente).

Mais do que isso, considero legítima a vontade dos ucranianos de reafirmarem sua identidade étnica. Mas uma coisa é a afirmação da identidade e outra é criação de novos Estado nacionais burgueses, que irão necessariamente oprimir minorias étnicas. O Estado nacional (grande ou pequeno) não é solução.

A Quarta Teoria Política é uma teoria radical e revolucionária!

Se o Liberalismo é o projeto de poder da classe dominante globalista, afirmado diariamente contra o direito dos povos de forjarem os seus próprios destinos de maneira independente, a Revolução proposta pela Quarta Teoria Política afirma o contrário: a necessidade de se destruir o Liberalismo por completo, materialmente (o modo de produção capitalista) e espiritualmente (os valores liberais e burgueses de base), tendo em vista a edificação de um Novo Mundo, pautado sobre um novo paradigma: o de que os Povos são donos integrais de seus destinos históricos.

A Quarta Teoria Política é a teoria da vitória!

Depois de destruir as medidas historiais-ontológicas da modernidade (o que inclui o Liberalismo em todas a suas manifestações), a Quarta Teoria Política deseja avançar rumo a um futuro luminoso, onde cada povo, uma vez livre do jugo do globalismo e do Capital, poderá determinar os seu próprio destino histórico autenticamente e construir sua própria civilização da maneira que desejar.

Marxismo, multipolaridade e Relações Internacionais

A principal diferença entre a TMM e a teoria neo-marxista do sistema mundial (bem como em relação aos projetos de Negri, Hardt e de outros altermundialistas) consiste no fato da TMM não reconhecer, em absoluto, o fatalismo histórico das teorias marxistas, que insistem na premissa do capitalismo como uma fase generalizadamente obrigatória e universal do desenvolvimento histórico, a qual será seguida da fase igualmente fatal e irrevogável da revolução proletária. Para a TMM, o capitalismo é uma forma empiricamente fixa de desenvolvimento da civilização ocidental-européia, enraizada na cultura desta e difundida quase em escala planetária. Mas uma análise profunda do capitalismo nas sociedades não-ocidentais demonstra, com certa consistência, a sua natureza simuladora e superficial, dotada de propriedades semânticas muito distintas e representando sempre algo atípico e diferente da formatação socioeconômica que prevalece no Ocidente moderno. O capitalismo surgiu no Ocidente e pode tanto continuar a evoluir como perecer. Mas a sua expansão para além do mundo ocidental, embora condicionada pela tendência expansionista do Capital, não tem razão de ser nas sociedades não-ocidentais onde ele projeta-se. Cada civilização possui sua própria noção de tempo, história, economia e lógica de desenvolvimento material.

O neoliberalismo é o niilismo puro

O liberalismo é o processo histórico da libertação do indivíduo. Porém, nem tudo é tão claro como parece. Porque o indivíduo não existe. O indivíduo puro não existe. A pessoa concreta, o ser humano, é o ponto de confluência de muitas identidades coletivas. Por isso, o processo de libertação do indivíduo, das identidades coletivas (a religião, a classe social, a nação, o gênero), se produz ao mesmo tempo em que se cria este indivíduo (que não existe). [John] Stuart Mill, o autor mais importante do liberalismo, dizia que existe liberty e freedom. Liberty é a liberdade de algo. Freedom é a liberdade para algo. O liberalismo é a liberdade “de” algo. De que? Das identidades coletivas. No entanto, isso é negativo. Quem é realmente liberto? Não está claro.  Porque quem aparece depois desta suposta libertação não é o homem, mas, sim, um simulacro: a máquina, o robô, o ciborgue. Porque, libertando este ser, indefinido em termos de coisas concretas, das identidades coletivas, surge algo: que é o pós-humano. É o pós-humanismo. Não se trata de algo casual. E o neoliberalismo, nesta linha, é niilismo puro. Quando não compreendemos isso, quando nos deixamos levar pelo progresso, pelas tecnologias, pelo conformismo e pelo consumismo, embora não sejamos vítimas inconscientes, sem nos darmos conta, estamos aprovando este processo.

O Brasil e o Mundo Multipolar

Antes de tudo, a Quarta Teoria Política é o meio mais importante de desenvolver a política em nosso tempo. Ela não depende de outras teorias políticas. Há dois livros, um em italiano e outro em espanhol, dedicados ao desenvolvimento da QTP; mas a QTP é muito mais importante do que esses livros já publicados. A ideia da QTP é exatamente o que se segue: estamos vivendo sob a Primeira Teoria Política, o liberalismo; então o mundo é baseado nessa ideologia, nesse princípio ideológico. Quando há algo algo que corresponde à principal linha dessa ideologia , então, vivemos nos modelos liberais de liberdade, progresso, política, todos moldados pela ideologia liberal. Isso é absolutamente necessário para manter o mundo dessa forma. O liberalismo é uma ideologia absolutamente totalitária.

Mas, para se aprofundar mais nesse totalitarismo liberal, precisamos expor o tipo de observação histórica a respeito dele. O que há precisamente no liberalismo é esse aspecto totalitário. É algo que se torna global,que se espalha pela globalização. Para atingir o "progresso", o liberalismo deve destruir todas as formas de identidade coletiva: sem Clero, sem Aristocracia, sem Campesinato: todos, para o liberalismo, devem se tornar burgueses. Não deve haver aristocracia, clero nem camponeses, todos devem se tornar capitalistas, burgueses capitalistas. E esse tipo de burguesia é a norma para o típico momento liberal: ideologia capitalista liberal, democracia capitalista liberal, todas as formas devem ser liberais. No século XIX, essa teoria política foi atacada por outra: a Segunda Teoria Política, o Marxismo.

Encontro com Heidegger: Um Convite à Jornada

Dentre os grandes pensadores, dois lugares podem ser colocados pra Heidegger, dependendo de como olhamos pra ele, do grau que o estudamos e em quanto acreditamos nele. Ao menos pode-se afirmar que Heidegger é o maior pensador contemporâneo, entrando na constelação dos melhores pensadores da Europa, deste os tempos pré-socráticos até a nossa época. Nesse sentido, eles o chamam de "príncipe dos filósofos". Mesmo aqueles para os quais a filosofia dele é indiferente ou aqueles que discordam dele reconhecem sua grandeza inquestionável.

Heidegger é universalmente reconhecido como um grande filósofo da história mundial. Ninguém contesta isso seriamente, mas há pessoas que calmamente seguem em frente, se apoiando em outros nichos de filosofia, enquanto outros respondem intensamente a mensagem dele, usando seus termos ("Dasein", "existencial", "Angst", etc.) e se permitindo conduzir pelos pensamentos do filósofo.

Um lugar diferente, especial e exclusivo na história da filosofia pode ser colocado para Heidegger, caso reconheçamos e confiemos plenamente nele, imergindo-nos em seu pensamento e fazendo dele nossa maior autoridade [filosófica]. Em outras palavras, Heidegger, no espaço do heideggerianismo, vai diferir essencialmente do Heidegger na posição média e convencional da história da filosofia.

Nesse caso, Heidegger será revelado não apenas como o maior filósofo, comparável a outros grandes nomes, mas como o maior dentre todos eles, ocupando o lugar de último profeta, concluindo o desenvolvimento do primeiro estágio da filosofia (de Anaximandro a Nietzsche) e servindo como transição, a ponte para uma nova filosofia, a qual ele apenas antecipa em seus trabalhos.

Esquerda Estética

Há a cooptação da população negra pelo uso de negros em comerciais de grandes corporações – mesmo que essas corporações façam uso de trabalho escravo/semi-escravo na África. Podemos citar mesmo a captação econômica dos homossexuais por meio de uma “agenda gay” que se utiliza de gays para representar, por exemplo, marcas de roupas – que se beneficiam do trabalho de milhares de costureiras clandestinas em regime de trabalho escravo e/ou semi-escravo.
Mulheres transexuais para parabenizar o dia da mulher com a logomarca de alguma estrutura corporativa que explora mulheres no Terceiro Mundo. Essas dicotomias não são interessantes para a Esquerda porque, para essa ideologia, as relações de dominação econômica são menos importantes (e menos interessantes) do que a representatividade e o aspecto estético midiático em si. São pequenos efeitos colaterais que podem ser devidamente ignorados num processo “muito mais importante”: promover uma “revolução” nas mentalidades e no comportamento humano.
A representação da mulher burguesa é essencialmente mais importante do que a defesa do homem proletário (ou da própria mulher proletária); um gay rico é esteticamente mais útil para a propaganda em si do que um heterossexual proletário.

O Momento Antropológico na História Humana

Considerações mais gerais serão feitas no futuro. A humanidade está se aproximando do momento de singularidade, quando o intelecto artificial irá igualar ou se tornar mais forte do que o intelecto humano. Tecnicamente, isso está quase concluído - e computadores quânticos e progressos nas redes neurais são coisas incríveis. Logo, precisamos nos concentrar novamente na antropologia profunda, sobre a questão: o que é humano? O que isso significa agora? E, especialmente, diante da Inteligência Artificial. Esse é o principal desafio.

O Conceito Cosmoliberal de Liberdade

O cosmoliberalismo executa uma adulteração na concepção de liberdade. Como explicado pelo professor Alexandr Dugin, o conceito liberal de liberdade é essencialmente negativo, oriundo de John Stuart Mill. É sempre a liberdade "de" algo, e não "para" algo.

Além do aspecto essencialmente negativo contido na semântica liberal, há a desfiguração da liberdade como algo unicamente individual - a liberdade no singular, nunca no plural. "Eu" sou livre - "nós", não. É a liberdade para o cosmético, o minimalista e sistematicamente irrelevante: a liberdade para "escolher" a cor e o corte dos cabelos, as roupas, as companhias sexuais, a raça de cachorro, a decoração da sala de estar, o estilo musical, a ideologia, a tribo urbana, o time favorito, a religião e até mesmo o gênero e a raça (trans-racialismo). O indivíduo pode escolher suas "partes", seus dispositivos.

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