Global

Pós-Antropologia

Uma sociedade concreta (fenomênica) sempre consiste em duas partes, a superficial e a subterrânea. A parte superficial é a que normalmente chamamos "sociedade", significando uma esfera de atividade racional onde o logos (λόγος) prevalece. Este é o domínio do "diurno". A parte subterrânea é a ilha escura, subaquática, do inconsciente coletivo, a região da noite social (o "noturno"), onde o mito (μύθος) governa.

O Populismo Moderno

O Povo é um conceito político que está aparecendo, hoje, em oposição ao liberalismo. Os liberais estão gritando sobre uma ameaça fascista ou comunista, e são incapazes de compreender a essência do momento populista, o qual interpretam por meio de velhos clichês. É por isso que eles estão perdendo. É por isso que eles estão condenados.

No entanto, tanto a Esquerda quanto a Direita são unânimes em achar que este é apenas um momento, um período de tempo limitado, uma espécie de quantum no movimento histórico. Provavelmente, ninguém pode dizer se o Povo (e, consequentemente, o populismo) é um sistema, um programa, uma estratégia ou apenas uma correção temporária no curso da globalização liberal.

Os globalistas tiveram seu momento no início dos anos 90 - o momento unipolar. Eles arruinaram tudo o que puderam ao longo de trinta anos, transformando a globalização e o mundo unipolar numa horrenda caricatura. Os reformadores da Rússia nos anos 90 fizeram o mesmo com a democracia. Agora, um momento diferente está chegando. O Povo está aparecendo no palco da história do mundo. Esta é uma chance, um risco, uma responsabilidade e um desafio. Mas é o nosso momento. Não utilizá-lo seria um verdadeiro crime.

Consenso de Washington: Neoliberalismo, Economia Dependente e a Globalização

Em novembro de 1989, o Fundo Monetário Internacional, protocolou o documento denominado Consenso de Washington. Este protocolo, baseado em dez recomendações, tais quais a disciplina fiscal, redução dos gastos públicos, juros de mercado, câmbio de mercado, abertura comercial, investimento estrangeiro direito, com eliminações de restrições, privatização das estatais, desregulamentação da economia e o direito à propriedade intelectual.

Estas medidas foram oferecidas pelo Estado Norte Americano em discussões de órgãos internacionais de economia. Suas discussões iniciais foram galgadas na Organização Mundial do Comércio, onde fora sugerido que estes protocolos de ações políticas fossem exigências formais para que países viessem a pedir ajuda monetária ao FMI.

Os Estados Unidos e a Nova Ordem Mundial na perspectiva de Aleksandr Dugin

A Nova Ordem Mundial é um projeto geopolítico que começou a ser debatido no final dos anos 80, quando, no fim do regime Soviético, Gorbachev cogitou a cooperação entre a União Soviética e os Estados Unidos, convergindo em uma política internacional em comum, especialmente em específicas cooperações de interesses comuns, tal qual a Guerra do Golfo, em 1991.

Este conceito geopolítico é moldável às circunstâncias históricas, após 1991, sob o fim do regime socialista no Leste Europeu, o historiador Fukuyama escreve a respeito de uma Nova Ordem Mundial, caracterizada pela hegemonia econômica pautada no livre mercado e tendo seu principal ator, os Estados Unidos da América em que foi o guia desta vitória durante o processo de Guerra Fria.

No atual momento histórico não há uma ordem mundial vigente, mas um período de intervalos que determina um processo histórico de criação de uma ordem, devido à paradigmas das relações internacionais que estão tentando delimitar o poder político-econômico a nível global por meio dos interesses de possíveis atores de medidas em escalas internacionais; o pensador russo cria uma dicotomia entre o regionalismo e o globalismo, analisando-os enquanto delimitações geográficas possíveis de alcance e controle de poder político.

A Quarta Teoria Política e o Pós-Liberalismo

De fato, aqui surge a Quarta Teoria Política. Se analisamos mais a fundo o que propomos contra essa globalização e o liberalismo, se propomos, desafortunadamente, o comunismo da segunda teoria política ou o fascismo da terceira teoria política, então não podemos propor nada mais contra o liberalismo.

Os liberais mesmos esfregam as mãos ao ver isso. Quando começamos a criticar a globalização, dizem que somos fascistas e comunistas. Quando começamos a explicar que há algo mais, dizem que não. "Está justificando o comunismo e o fascismo, vocês são só comunistas ou fascistas enrustidos! Vocês são fascistas enrustidos ou comunistas enrustidos!" Neste sistema da filosofia política da modernidade não existe o conceito de uma quarta. O significado da Quarta Teoria Política começa com essa suposição de que não existe, mas deveria existir. Ela é necessária para derrotar o liberalismo sem cair na armadilha do comunismo e do fascismo. Talvez possamos ir de novo pelo mesmo caminho e construir uma sociedade socialista e totalitária na qual haverá pouca liberdade, e cedo ou tarde virão os liberais e tudo voltará a se repetir. Podemos construir um Estado fascista em algum lugar, como se tenta na Ucrânia, até que as pessoas entendam que não há liberdade suficiente e que o racismo, o nacionalismo e o chauvinismo são repugnantes. E logo voltaremos ao mesmo liberalismo novamente.

René Guénon: Tradicionalismo como Linguagem

René Guénon é a pessoa mais reta, inteligente e importante do século XX. Um trabalho mais esperto, profundo, claro e absoluto não houve e provavelmente não poderia haver. Não é coincidência que o tradicionalista francês René Alleau em um volume dedicado a Guénon comparou sua obra à de Marx. Aparentemente, figuras bem diferentes, opostas. Guénon é um ultratradicionalista conservador. Marx era um inovador revolucionário, um iconoclasta subversivo radical. Mas René Alleau adivinhou de forma absolutamente correta a mensagem revolucionária da exegese de Guénon, o inconformismo extremo e brutal de sua posição, sua derrubada de tudo, a natureza totalmente radical de seu pensamento. O fato de que René Guénon foi o único autor, o único pensador do século XX, e muitos séculos antes disso, que não só identificou e entrou no paradigma secundário da linguagem, mas também questionou a própria essência da linguagem (e da metalinguagem). A linguagem do marxismo era metodologicamente muito interessante (especialmente em certo momento histórico), reduzindo estreitamente a existência histórica da humanidade por uma fórmula clara e convincente ao confronto entre trabalho e capital (o que, na verdade, foi um progresso epistemológico e revolucionário colossal, na medida em que permitiu que muitas coisas fossem organizadas e postas em um design dinâmico e mais ou menos consistente). Sendo um zeitgeist paradigmático, o marxismo foi tão popular a ponto de conquistar as mentes dos maiores intelectuais do século XX. Mas na obra de Guénon há uma análise ainda mais fundamental, um desmascaramento ainda mais radical, um conflito ideológico ainda mais amplo, pondo tudo em questão.
 
Guénon desenvolveu um dos sistemas intelectuais paradigmáticos mais importantes. Naturalmente, ele existia antes de forma vaga, e foi usado em alguma medida, mas somente Guénon o identificou enquanto linguagem. Ele fez algo similar a Saussure ou outros linguistas estruturais. O aspecto mais importante do sistema paradigmático de Guénon, que ele havia deduzido, e que é, talvez, o mais universal e poderoso dos termos e conceitos de nossa época, é o conceito de "linguagem da modernidade".

Do Paradigma Moderno e do Tradicional, e da Linguagem

A tecnologia moderna depende dos sistemas da ciência, a ciência depende da filosofia, isto é, da visão-de-mundo filosófica expressa em conceitos abstratos. E esta visão-de-mundo, por sua vez, de um paradigma linguístico. As ideologias, em geral, inclusive a Quarta Teoria Política, participam da tecnologia, da ciência e da visão-de-mundo, dependendo do nível de profundidade e influência em que elas estão enraizadas. Nenhuma ideologia, contudo, alcança o patamar subjacente e universal da linguagem – todas as ideologias estão presas a um paradigma linguístico que é, atualmente, o “aristotélico”, inclusive a Quarta Teoria Política.
 
Entretanto, o objetivo da QTP é peculiar, e apresenta uma grande influência heideggeriana neste ponto: é acenar, desde dentro do paradigma moderno e aristotélico, para um outro paradigma, esquecido. O fato da filosofia guenoniana ser usada como o paradigma anti-moderno, ao qual a QTP aponta, é mais simbólico do que exato e analítico. Guénon expressou-se, obviamente, em terminologia moderna, negando-a porém; portanto, seu paradigma não se reduz aos seus conceitos modernos, ele os ultrapassa e busca uma simplicidade primordial sobre a qual Heidegger discursa quando se inclina a encontrar outro sentido, ontológico e não conceitual, para o termo “linguagem”. A linguagem nos mostra o mundo, é uma invocação mística, e acontece sem palavras: a flor que desabrocha nos fala o ser; um filósofo moderno pode rabiscar muitos conceitos e não nos dizer nada ainda assim, uma vez que seus conceitos não passam de abstrações e manipulação lógica.

O Globalismo e a Guerra Cultural

Em um vídeo interessante, Ariano Suassuna trata da questão da guerra cultural e de como seu papel é fundamental na imposição do globalismo anglo-saxão. Em primeiro lugar, é preciso retirar o conceito “Guerra Cultural” – termo apropriado pela própria direita de inspiração anglo-saxã. Aqui, vemos como o ideal globalista é pervertido: esta mesma direita afirma que há uma guerra cultural contra os Estados Unidos, praticada pela “esquerda globalista”. E nada pode ser mais mentiroso.

Em primeiro lugar, só há um projeto globalista: o americano, inspirado nos ideais do “Destino Manifesto”. Mesmo com o caráter diferente e pós-moderno, sua essência atualmente é a mesma: racista, supremacista e aniquilador de todas as culturas diferentes. O que, por exemplo, só serve para aumentar ainda mais o vexame de Olavo de Carvalho em seu debate contra o Professor Alexander Dugin: defender os Estados Unidos como vítima do globalismo e maior opositor a ele já nasce como uma grande mentira.

O mito da borboleta dourada

Uma estranha criatura, pouco conhecida nas lendas do hemisfério norte, é muito significativa no sul: a epifania da borboleta dourada é uma das curiosas provas da teoria hermética sobre a intensidade da vida do norte (Polo Norte, como o centro da vida real) e o avanço para a morte, em direção à Antártida. Entomologistas chamam tal criatura de mariposa auri sinistra – borboleta dourada agourenta. Da Amazônia ao Zaire, de Madagascar à Polinésia, vemos crenças sobre a borboleta em diferentes personagens, mas sempre sinistras: não voa para o fogo; pode matar apenas por ser fitada e, na melhor das hipóteses, causar doenças – quando visita um berço, causa a morte do bebê. São inumeráveis as lendas sobre os efeitos nocivos da borboleta dourada entre os povos indígenas. A literatura europeia também presta uma homenagem a este monstro entomológico. Aqui está um resumo da história de Hanns Heinz Ewers, “A Vingança da Borboleta Dourada”: um viajante europeu foi até os extremos da Amazônia para fazer a  coleta  de sua coleção entomológica; após deitar para dormir, viu sobre a mesa uma borboleta dourada; tremendo de impaciência, pegou um grampo de cabelo e prendeu a borboleta. Durante o sono, sonhou com um dragão dourado e acordou: a borboleta perfurada girava em torno de sua cabeça, tentando furar seu olho. Apesar de todos os esforços do colecionador, ela assim conseguiu.

COUNTER-HEGEMONY IN THE THEORY OF THE MULTIPOLAR WORLD

Although the concept of hegemony in Critical Theory is based on Antonio Gramsci’s theory, it is necessary to distinguish this concept’s position on Gramscianism and neo-Gramscianism from how it is understood in the realist and neo-realist schools of IR.

The classical realists use the term “hegemony” in a relative sense and understand it as the “actual and substantial superiority of the potential power of any state over the potential of another one, often neighboring countries.” Hegemony might be understood as a regional phenomenon, as the determination of whether one or another political entity is considered a “hegemon” depends on scale. Thucydides introduced the term itself when he spoke of Athens and Sparta as the hegemons of the Peloponnesian War, and classical realism employs this term in the same way to this day. Such an understanding of hegemony can be described as “strategic” or “relative.”

In neo-realism, “hegemony” is understood in a global (structural) context. The main difference from classical realism lies in that “hegemony” cannot be regarded as a regional phenomenon. It is always a global one. The neorealism of K. Waltz, for example, insists that the balance of two hegemons (in a bipolar world) is the optimal structure of power balance on a world scale[ii]. R. Gilpin believes that hegemony can be combined only with unipolarity, i.e., it is possible for only a single hegemon to exist, this function today being played by the USA.

In both cases, the realists comprehend hegemony as a means of potential correlation between the potentials of different state powers. 

Gramsci's understanding of hegemony is completely different and finds itself in a completely opposite theoretical field. To avoid the misuse of this term in IR, and especially in the TMW, it is necessary to pay attention to Gramsci’s political theory, the context of which is regarded as a major priority in Critical Theory and TMW. Moreover, such an analysis will allows us to more clearly see the conceptual gap between Critical Theory and TMW.

Contra-Iniciação: Comentários Críticos sobre Aspectos da Doutrina de René Guénon

A questão da "contra-iniciação" é a mais obscura e ambígua em todo o pensamento tradicionalista. Talvez isso seja resultado da própria realidade do que os tradicionalistas, seguindo Guénon, chamaram de "contra-iniciação". O significado da contra-iniciação é apresentado no livro "O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos". Em resumo, nós podemos dizer que por contra-iniciação René Guénon compreende a totalidade das organizações secretas possuindo dados esotéricos e iniciáticos, que, porém, dirigem suas atividades e seus esforços para o objetivo que é o exato oposto do propósito da iniciação normal, que é, não alcançar o absoluto, mas uma extinção fatal e dissolução no "reino da quantidade", no crepúsculo externo. Os hierarcas da contra-iniciação, seguindo o esoterismo islâmico, foram chamados por Guénon de "Awliya al-Shaytan", i.e., "santos de Satã". Em sua perspectiva, os representantes da contra-iniciação se encontram por trás de todas as tendências negativas da civilização moderna, e dirigem secretamente o curso dos eventos a caminho da degradação, da materialização e da degeneração espiritual.

O Paradigma do Fim

A análise das civilizações, sua correlação, sua confrontação, seu desenvolvimento, sua interdependência, são questões extremamente difíceis enquanto problemas, seja na dependência dos métodos, na profundidade da pesquisa, onde alguém pode obter resultados não apenas diferentes, mas diretamente contrários. Contudo, mesmo para obter as mais aproximadas conclusões, alguém deve aplicar a redução, reduzir a variedade de critérios para um modelo simplificado. O marxismo prefere apenas a abordagem econômica, que se torna substituta e denominador comum para todas as outras disciplinas. Assim também é o liberalismo (apesar de o ser menos explicitamente). 
A geopolítica, que é menos conhecida e menos popular que uma variedade de aproximações econômicas, mas não menos efetiva e óbvia em explicar a história das civilizações, sugere outro método de redução completamente diferente. Outra versão do reducionismo são as formas diversas de abordagem ética, que incluem "teorias raciais" como seu aspecto extremado.

A Quarta Teoria Política: Ser ou Não Ser

Para o meu país, a Rússia, a Quarta Teoria Política tem, entre outras coisas, uma importância prática considerável. A integração com a comunidade mundial é experimentada pela maioria dos russos como um drama, como uma perda de sua identidade. Na década de 1990, a ideologia liberal se vê quase totalmente rechaçada pela população russa. No entanto, por outro lado, a intuição sugere que o retorno às ideologias políticas não-liberais do século XX - o comunismo e o fascismo - é pouco provável em nossa sociedade, sendo que estas ideologias historicamente demonstraram serem incapazes de resistir ao liberalismo, sem mencionar o custo moral do totalitarismo.

Dicotomia “Direita” e “Esquerda”: Indeterminação do Liberalismo

O que hoje se divide em direita e esquerda, no século XVIII, representava um único grupo: o dos liberais, iluministas. É uma ilusão, portanto, acreditar que a política se reduz a este dualismo; primeiro porque exclui, de antemão, qualquer pensamento não-moderno e não-iluminista e, em segundo lugar, porque a completa indefinição desses conceitos relativiza todo debate político, criando confusões profundas e absurdas que não podem existir em um meio que busca uma resolução para os problemas políticos.
 
Não vamos expor aqui o que se entende por direita e esquerda, porque os absurdamente diversificados aspectos de cada um acabam por confundir ambos em uma coisa só. As múltiplas noções de liberdade podem ser encontradas tanto em um lado como em outro, o que dificulta uma análise genuína de ambos os lados. As noções de Estado mínimo e máximo, de igualdade e dignidade humana, que derivam do princípio de liberdade, são completamente relativizadas neste debate, de modo que encontramos de um mesmo lado opiniões completamente antagônicas e, de lados opostos, idênticas, fazendo com que seu enquadramento na “direita” ou na “esquerda” seja apenas uma questão de interpretação arbitrária dos conceitos debatidos. A própria identificação da direita com o capitalismo e da esquerda com o comunismo é absurda, pois temos, por exemplo, auto-intitulados direitistas que louvam um Estado protetor, criticando um desaparecimento do Estado na esquerda, e outros direitistas que louvam um Estado mínimo e meramente regulador, criticando o “Estado máximo” da esquerda, e assim por diante.

Império de Nosso Amanhã

Em nosso Sacro Estado Grão-Continental, haverá três tipos (com variações e subtipos, bien sûr):
  • filósofos-padres (clero)
  • guerreiros heroicos reais (nobreza)
  • trabalhadores-camponeses (povo)
Se você não se identifica em nenhum destes, não será incluído em nosso Estado.
Esta é a estrutura clássica da sociedade indo-europeia, que existiu a princípio e sempre (para sempre!) foi a verdadeira essência das ideias políticas das culturas europeias e indo-europeias da Eurásia. 
Emergiu em tempos antigos, na antiguidade, na civilização do Mediterrâneo na Idade Média e até na patologia dos tempos modernos (de formas distorcidas). Nós lidamos com paródias – precisamos de um Sacro Império.
Em sua cabeça, o sacro basileu, o Grande Monarca.

Manifesto da Aliança Revolucionária Global

Vivemos no final de um ciclo histórico. Todos os processos que constituem o sentido da história chegaram a um impasse lógico.  

O fim do capitalismo: O desenvolvimento do capitalismo chegou ao seu limite natural. Há somente uma coisa deixada para o sistema econômico mundial – entrar em colapso no abismo. Baseado em um aumento progressivo das instituições puramente financeiras, bancos em primeiro lugar e, em seguida, estruturas de ações mais complexas e sofisticadas, o sistema do capitalismo moderno, completamente divorciado da realidade, a partir do equilíbrio da oferta e da procura, a partir de relação de produção e consumo, a partir da conexão com uma vida real. Toda a riqueza do mundo está nas mãos da oligarquia financeira mundial através das manipulações complicadas com a construção de pirâmides financeiras. 

Batalha pelo Estado

No sentido político, a situação na Rússia está se tornando crítica. Essas são mudanças fundamentais mais do que flutuações na superfície. Tentemos criar um esquema conceitual dos eventos atuais.
Há um Povo (Narod em russo, similar ao Volk alemão), e há povo (população). Essas são duas coisas diferentes (conceitos diferentes). E todos eles são coletivamente conhecidos como "Rússia". Essa homonímia gera camadas de significado, e tudo se torna confuso. Vamos ortogonalizar a imagem situado tudo em seu próprio nível.
Narod é uma comunidade histórico-cultural. É um sujeito de destino e criador da história. Porém, nem todas as filosofias e ideologias reconhecem sua existência nesse sentido. Narod não existe para os liberais - há apenas um agregado de indivíduos. Nem ele existe para os comunistas - apenas classes existem; para os nazistas - apenas raça existe; e para os fascistas - apenas o Estado. E, ainda que soa paradoxal, Narod não existe para os nacionalistas também - para eles, há uma nação política baseada na pertença individual (a nação burguesa clássica é um produto da Europa durante o período da Modernidade). Narod não existe para todas essas ideologias - isto é, para a nomenclatura ideológica completa da Modernidade. Mas ele existe - é a única coisa que realmente existe. 

Rumo à Laocracia

A Rússia moderna possui capitalismo. Portanto, ela é governada por capitalismo e portanto não o Narod. Para construir a Rússia na qual governará o “Narod”, é necessário concretizar uma revolução anti-capitalista (ou, ao menos, anti-oligárquica). Magnatas financeiros deveriam ser excluídos do poder político. E isso é o central. Todos devem escolher – poder OU dinheiro. Escolha o dinheiro - esqueça o poder. Escolha o poder – esqueça o dinheiro.
 
A revolução deve se concretizar em três estágios:
 
1. Ultimato a todos os grandes oligarcas (uma centena tirada de uma lista da Forbes e mais outra centena que se esconde, mas que todos sabemos quem são) para que jurem lealdade aos ativos Russos (todos ativos estrangeiros e nacionais estratégicos serão agora controlados por corpos especiais).
2. Nacionalização de todas as propriedades privadas de importância estratégica.
 
3. Transmutação dos representantes patrióticos do grande capital para a categoria de funcionários com a transferência voluntária da sua propriedade para o Estado. Eliminação dos direitos civis (incluindo aqui o fim do direito de voto, participação em campanhas eleitorais, etc.) para aqueles que preferirem preservar o capital em escala não estratégica, mas significante.

Geografia Sagrada à Geopolítica

O tipo do povo do Norte pode ser projetada no Sul, Leste e Oeste. No Sul, a Luz do Norte gerou grandes civilizações metafísicas, como os indianos, iraniano ou chinês, que na situação do "conservador" do Sul há muito tempo guardados a Revelação, confiado por ele. No entanto, a simplicidade e clareza do simbolismo do norte virou aqui em um emaranhado complexo e diverso de doutrinas sagradas, sacramentos e ritos. No entanto, quanto mais ao Sul, as fracas são os traços do Norte. E entre os habitantes das ilhas do Pacífico e África do Sul, os motivos "nórdicos" na mitologia e sacramentos são salvos em uma forma extremamente fragmentada, rudimentar e até mesmo distorcida.
No Oriente, o Norte é mostrado como a sociedade tradicional clássico fundado na superioridade unívoca do supra-individual acima do indivíduo, onde o "humano" eo "racional" são apagados antes do Princípio supra-humana e supra-racional. Se o Sul dá a civilização um caráter de "estabilidade", o Oriente define sua sacralidade e autenticidade, o principal fiador de que é a Luz do Norte.

Do liberalismo novo bicho-papão

Com o mundo parecendo resolver em um paradigma neo-Guerra Fria, é cada vez mais claro que os formuladores de políticas dos Estados Unidos estão desesperados para transformar a Rússia de volta ao império do mal aos olhos do público em geral. Durante os dias da União Soviética, isso era tarefa fácil de realizar com prontas vilões como Stalin responsáveis ​​e os problemas muito visíveis de uma economia comunista.

A Federação Russa é um pouco mais complicado, porque não tem nenhuma ideologia definitiva, é liderada por um cara mesmo Russófobos obstinados acho que é um badass, e não tem nenhum sistema de gulag para apontar para e refletir em terror.

A Guerra Contra a Rússia em sua Dimensão Ideológica

A guerra contra a Rússia é agora a questão mais discutida no Ocidente. Ela é ainda uma sugestão e possibilidade. Ela pode se tornar realidade dependendo das decisões tomadas por todas as partes envolvidas no conflito ucraniano - Moscou, Washington, Kiev, Bruxelas.
Eu não quero discutir aqui todos os aspectos e a história desse conflito. Eu proponho ao invés a análise de suas raízes ideológicas profundas. Minha visão dos eventos principais está baseada na Quarta Teoria Política, cujos princípios eu já descrevi em meu livro sob o mesmo nome aparecido em inglês pela Editora Arktos há poucos anos atrás.
Assim, eu vou estudar não a guerra do Ocidente com a Rússia avaliando seus riscos, perigos, questões, custos ou consequências, mas o significado ideológico da mesma em escala global. Eu vou pensar no sentido de tal guerra e não na guerra em si (real ou virtual).

O Fim do Mundo Presente

O  Mundo Moderno, a Modernidade é cada vez mais relutante no esforço de tornar o Mundo presente. Assim ele vai relaxando e aqui começa a Pós-Modernidade. A Pós-Modernidade é a recusa de tentar tornar o Mundo algo presente, a recusa de Ser-no-Mundo. O filósofo alemão Eugen Fink dedicou ao problema do Mundo obras filosóficas fenomenológicas muito importantes. Segundo ele, o Mundo não pose ser equiparado à soma das coisas do mundo. Ele é algo mais do que elas porque ele é a Totalidade. A intuição da Totalidade é o esforço existencial que cria o Mundo enquanto Totalidade. Apenas seres humanos conhecem o Mundo precisamente porque apenas seres humanos o criam pelo fato de serem humanos.

Da Geografia Sagrada à Geopolítica

 

Conceitos geopolíticos se tornaram os principais fatores da política moderna há muito tempo atrás. Eles são construídos sobre princípios gerais que permitem analisar facilmente a situação de qualquer país e região particular.
A geopolítica em sua forma atual é indubitavelmente uma ciência mundana, "profana", secularizada. Mas talvez, entre todas as ciências modernas, ela haja salvo em si mesma a maior conexão com a Tradição e as ciências tradicionais. René Guénon disse que a química moderna é o resultado da dessacralização de uma ciência tradicional - a alquimia, como a física moderna é da magia. Exatamente do mesmo jeito se poderia dizer que a geopolítica moderna é o produto da laicização e dessacralização de outra ciência tradicional - a geografia sagrada. Mas já que a geopolítica ocupa um lugar especial entre as ciências modernas, e é às vezes categorizada como "pseudo-ciência", sua profanação não é tão realizada e irreversível, como no caso da química ou da física. A conexão com a geografia sagrada aqui é um tanto quanto distintamente visível. Portanto é possível dizer que a geopolítica se encontra em um lugar intermediário entre a ciência tradicional (geografia sagrada) e a ciência profana.

A Concepção Sagrada dos Espaços

Nós definimos o tema que escolhemos para a nossa discussão, "a concepção do espaço sagrado." Como você bem sabe, a escola de pensamento do tradicionalismo integrante baseia-se sobre um determinado assunto: os conceitos polares opostos subjacentes à abordagem dialética da realidade humana são dois simetricamente opostos - Tradição e Modernidade. Por Tradição compreendemos de modo geral a abordagem do "sagrado" ao real, uma leitura simbólica da mesma que, trabalhando com o que Carl Schmitt chamou de "catolicismo romano e forma política" princípio da representação, consideraremos o plano como um reflexo do mundo imanente transcendente, como expresso sistematicamente pela filosofia platônica. É um erro, porém definir o conservadorismo como um ramo da filosofia derivada do idealismo platônico porque, em sua visão ortodoxa, é considerada a ciência que estuda a manifestação do Uno pré-existente imanente - uma revelação eterna - e as estradas a fim de acessar sua experiência direta. A abordagem tradicional também pode ser definida cosmologicamente. A modernidade é a ruptura drástica com a concepção de existência simbólica e espiritual: a chave para o que não é mais cosmológico, como é na concepção tradicional, e sim mecânico. Se o pensamento tradicional é generalizante, representante, universalizante e essencialmente metafísico, o pensamento moderno, como seu oposto radical, manifesta-se como fragmentado, mecanicista e potencialmente niilista. Digo "basicamente" niilista porque, no desenrolar do fenômeno moderno, não esgota as possibilidades (ou pelo menos, não tivemos a oportunidade de conhecer este evento), mas aprofunda-se, expandindo sua influência e aumentando o grau de entropia que contém, provando ser o tempo da grande confusão prevista por René Guénon. Mais do que um sociólogo, incluindo Jedlowsky, advertiu-nos o fato de que a suposta pós-modernidade não é outra coisa senão o fenômeno moderno que é o apenas aparentemente negar a si mesmo, ele se quebra e se expande, criando uma nuvem de "modernidade diversas", e, aparentemente contrário ao contrário, de fato, todos os participantes do mesmo projeto e relativista perspectivista que, em aparente oposição ao primeiro evento universalista e racionalista da modernidade, na verdade, partes da natureza e cartesiana subjetivista. O professor Dugin, em seu discurso na conferência internacional de Moscou "Contra o mundo pós-moderno", tem bem definida a pós-modernidade como a queda da modernidade, então a expansão, a hipertrofia do princípio da quantidade que caracteriza a própria modernidade. Também o professor Dugin tem repetidamente salientou a necessidade de uma restauração da categoria filosófica do objetivismo, em oposição à natureza subjetivista da modernidade: na verdade ele não é o único que viu no universalismo marxista e no objetivismo (assim como na derrubada da manifestação idealista tripartite do Espírito) a continuação de categorias clássicas e tradicionais de pensamento. Cito neste caso o filósofo italiano Costanzo Preve que, em conjunto com Domenico Losurdo, representam a aresta de corte efectivo da Europa neomarxista. 

Sujeito Sem Limites

Quando a questão é sobre definir o fenômeno da agressão, as pessoas mais comumente apelam a esferas emocionais, psicológicos e sentimentals, deixando de levar em consideração, como é comum no mundo moderno, os aspectos mais profundos e metafísicos do fenômeno. Na veia da tradição humanista apareceu por conta própria a atitude negativa em relação a agressão, que é considerada como algo sujeito à eliminação total ou (o que é mais realista) a redução. Porém, a agressão é tão intimamente ligada à natureza humana, que ela remete a si mesma constantemente - tanto no quotidiano, na psicologia da vida privada e na realidade política de guerras, conflitos, lutas. Tentemos compreender a agressão, abstraindo-nos de todas as opiniões estereotípicas usuais - pacifistas, escandalosamente apologéticas, psicanalíticas ou socialmente deterministas.

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