Europe

O Retorno de Settembrini e Naphta no Século XXI – Debate entre Aleksandr Dugin e Bernard-Henri-Lévy

Quando Bush estava em Moscou, no momento da invasão dos Estados Unidos no Iraque, ele disse: “Por favor, seja paciente, você também terá democracia, tal como no Iraque”. Putin disse: “Muito obrigado, encontraremos outra maneira de construir nossa sociedade”.

Eu acho que a imagem que você deu é correta, mas ela não tem nada a ver com a sociedade ocidental moderna, onde existe uma maneira puramente totalitária de descrever os fatos, não a favor de um pequeno grupo de proprietários de uma mídia de massa ou de outra, mas em favor de uma elite política. E eles são, nesse sentido, uma espécie de platonistas, tirando suas verdades de sua ideologia liberal; isso também é algo platônico também. E o povo se revolta contra isso, em diferentes países, também no Ocidente. Penso que a onda de populismo é precisamente a recusa do povo europeu, não da direita ou da esquerda, mas uma recusa dos cidadãos europeus comuns em relação a essa agenda absolutamente abstrata das elites liberais. Então, acho que agora não se trata do Estado, estamos falando de elites políticas.

Abstração e Diferenciação em Julius Evola

Evola fala de arte abstrata, mas para ele toda a arte – a arte em si – é abstrata. Diferentemente da filosofia, da metafísica, da religião ou da moral, a arte é, para Evola, um campo abstrato, uma zona do abstrato. Ou a arte é abstrata ou não é. Realmente? Não seria um exagero? Aqui devemos nos referir a outro. A Martin Heidegger, para sermos mais precisos. Filósofo dos filósofos, príncipe dos filósofos, filósoco por excelência (que, entre outros, Evola não entendeu nem apreciou; todavia, as omissões dos grandes homens demandam estudo e entendimento, nunca condenação), Heidegger acreditava que o espírito possuía dois cumes – a filosofia e a poesia (mais em geral, a arte). São diferentes: as pessoas que neles ascendem veem tudo de maneira diferente, a partir de ângulos diferentes. E, ainda assim, são semelhantes: ambos se colocam muito acima do vale dos homens comuns. A filosofia opera com a razão: independentemente de como se lida com ela, de ser mais ou menos inventiva, é um fato que se ocupa apenas dela. A poesia, por sua vez, tem a ver com outra coisa... Poder-se-ia dizer “loucura”, mas seria prematuro, ainda que não tão distante da verdade... Heidegger acreditava que a filosofia se concentrava no Ser. E a arte? O que é iluminado pelos seus refletores? Heidegger responde: o sagrado (Heilige). Talvez seja um indício.

INTRODUÇÃO AO NOOMAQUIA. LIÇÃO 9. O Logos Sérvio

A terra de origem dos sérvios, portanto, não corresponde aos Balcãs, mas está localizada mais ao norte. Ao mesmo tempo, surge a questão da pátria original, o Urheimat dos eslavos, geralmente aceito como localizado ao norte dos Cárpatos. Este último não constitui a terra direta de origem sérvia, mas a terra natal original habitada pelos protoeslavos, que viviam ao norte dos Cárpatos, no espaço da atual Ucrânia oriental. Após a expansão eslava, uma parte dos eslavos migrou para o norte, para o Báltico, e entre eles estavam os eslavos de Polabi, que após os séculos V e VI representavam a população dominante nas costas do Báltico. Supõe-se que os ancestrais dos sérvios devam ser atribuídos a uma dessas tribos polabe, especificamente entre os lótus, os bodrici e os lusacianos. Os ancestrais dos sérvios, portanto, viviam a oeste das outras tribos Polabe. A partir de então, eles migraram para os Balcãs orientais, e esse território foi reconhecido e garantido a eles pelo império bizantino, na intenção de defender as fronteiras do império contra os ávaros.

 

INTRODUÇÃO A NOOMAQUIA. LIÇÃO 8. ANÁLISE NOOLÓGICA DA MODERNIDADE

Uma primeira maneira de desconstruir a modernidade é fazê-lo do ponto de vista pós-modernista. A maioria dos pós-modernistas está insatisfeita com a modernidade porque, na opinião deles, não cumpriu completamente suas promessas iniciais de superar completamente a tradição, de modo que tentam desconstruir a modernidade com sua ética hiper-modernista, a fim de alcançar os objetivos estabelecidos pela modernidade, mas que, devido a seus limites internos, não atingiram. Podemos dizer que aos olhos dos pós-modernistas a modernidade é “tradicional demais” para superar completamente a tradição, como deveria ter sido e como a pós-modernidade se preparava para fazer. A desconstrução da modernidade operada pelos pós-modernistas visa, portanto, mostrar que ela não é “suficientemente moderna”, pois não atingiu o nível de modernização necessário aos olhos da ética pós-modernista. Mas é interessante como, ao fazer isso, nesse ato desconstrutivo, eles revelam a natureza artificial da Modernidade; de fato, você só pode desconstruir algo que foi construído anteriormente.

INTRODUÇÃO AO NOOMAQUIA. LIÇÃO 7. O LOGOS CRISTÃO

Podemos formular alguns princípios gerais sobre a doutrina cristã. Em primeiro lugar, do ponto de vista noológico e geosófico, o Logos cristão é evidentemente apolíneo. Os conceitos do Deus Pai Celestial, da Santíssima Trindade, da transcendência do Criador para a própria Criação, tudo isso gerou um Logos tipicamente apolíneo e patriarcal, com uma organização do espaço metafísica completamente vertical. Estamos lidando com o Pai Celestial transcendente, localizado no Paraíso, que cria o mundo. Esse ato de criação representa uma descida de cima para baixo, da eternidade para o tempo, do Paraíso à Terra, de Deus ao homem e a outras criaturas. O relacionamento entre o Criador e a Criação é, portanto, de um tipo hierárquico, com a Criação que deve ser submetida ao Criador. Essa verticalidade constitui a própria essência da tradição cristã. Nas raízes dos princípios dogmáticos fundadores, existe uma lógica puramente apolínica. Todas as três figuras da Santíssima Trindade também são masculinas, e isso é muito significativo do ponto de vista simbólico.

INTRODUÇÃO SOBRE NOOMAQUIA LIÇÃO 6. A CIVILIZAÇÃO EUROPEIA

A tradição grega é baseada na vitória completa do Logos de Apolo. No entanto, essa vitória, como mencionei na quarta lição, não foi imediata. As tribos helênicas dos jônicos e dos eólios passaram pelas primeiras ondas migratórias nos Bálcãs e no Peloponeso, dominando a civilização matriarcal existente. Mas, enquanto alguns territórios gregos mantinham a estrutura indo-européia trifuncional puramente patriarcal, outros a perdiam total ou parcialmente. Nas culturas Minoica e micênica, portanto, foi criada uma mistura de elementos patriarcais e matriarcais. Foi apenas com a última onda migratória das tribos helênicas dos dórios – provenientes do norte, dos territórios macedônios e portadores de elementos apolíneos e pastorais essenciais – que a cultura micênica foi destruída e um estilo puramente turânico foi introduzido. Tudo isso se reflete no dualismo da cultura grega entre o Esparta dórico e a Atenas jônica, um dualismo que reflete o equilíbrio de Noomaquia dentro do espaço existencial grego, uma vez que o Logos Apolíneo se manifesta em Esparta de forma clara e marcante, ao contrário de Atenas e nas colônias da Anatólia grega, onde, em vez disso, é menos preponderante. Esse dualismo incidente também desempenha um papel fundamental na geopolítica.

INTRODUÇÃO SOBRE NOOMAQUIA LIÇÃO 4. O LOGOS DE CIBELE

A análise noológica do sedentarismo dos indo-europeus, dos quais nesta lição abordamos os pontos mais importantes, fornece-nos os elementos para entender a estrutura existencial de todas as sociedades indo-europeias. Agora sabemos que existem dois horizontes existenciais sobrepostos um ao outro, e é apenas a partir deste resultado que é possível aprofundar o estudo aprofundado de cada sociedade indo-européia específica – da Europa Ocidental, Europa Oriental, Irã ou Indiana. Tenho dedicado a cada uma dessas sociedades – ao Logos francês, germânico, latim, grego, inglês, iraniano, indiano – diferentes volumes do projeto Noomaquia, aplicando o conceito de “dois horizontes” para testar como essa hermenêutica opera, essa interpretação nos casos específicos representados por cada uma dessas culturas e como essa superposição de dois níveis afeta o conteúdo e a semântica de cada um desses povos. Posso afirmar com absoluta certeza que em todos os lugares podemos identificar os dois horizontes existenciais, suas interações e aspectos da prevalecente um horizonte mais do que o outro em uma variedade de contextos – na mitologia, na religião, na ciência, na visão do mundo em si – já que o Logos envolve e influencia tudo.

As Cinco Lições de Carl Schmitt para a Rússia

O famoso jurista alemão Carl Schmitt é considerado um clássico do direito moderno. Alguns o chamam de “Maquiavel moderno” por sua falta de moralismo sentimental e de retórica humanista em sua análise da realidade política. Carl Schmitt acreditava que, ao determinar questões legais, é importante primeiramente dar um contorno claro e realista dos processos políticos e sociais e evitar o utopismo, os anseios e imperativos e dogmas apriorísticos. Hoje, as heranças jurídica e acadêmica de Carl Schmitt compõem um elemento necessário da educação jurídica em universidades ocidentais. Para a Rússia também, a criatividade de Schmitt é de interesse especial e de importância particular, já que ele tomou interesse nas situações críticas da vida política moderna. Indubitavelmente, suas análises do direito e do contexto político da legalidade podem nos ajudar a compreender mais claramente e profundamente o que exatamente está acontecendo em nossa sociedade e na Rússia.

A Anatomia do Populismo e o Desafio da Matrix

Os "coletes amarelos" rebelaram-se contra Macron bem como contra a elite liberal dominante. Mas hoje, já não é mais um movimento da direita ou da esquerda clássica. Macron é de esquerda no apoio à migração, proteção de minorias, a legalização de distorções e o chamado "marxismo cultural", mas de direita (direita liberal) em termos de economia, defendendo firmemente os interesses dos grandes negócios e da burocracia europeia. Ele é um globalista puro, sem descartar uma declaração direta de sua pertença à Maçonaria (seu famoso sinal de mão, representando um triângulo), e até com slogans satânicos diretos: “Faça o que quiser, mas vote em Macron.” A revolta dos “coletes amarelos” é precisamente contra essa combinação de direita liberal e esquerda liberal.

Se Mélenchon e Marine Le Pen não podem ser unidos politicamente, sendo um - muito à esquerda e o outro – muito à direita, então os "coletes amarelos" farão isso no lugar dos líderes políticos que buscam liderar um movimento populista. Os “coletes amarelos” não são apenas contra a política econômica ou a imigração - eles são contra Macron como um símbolo de todo o sistema, contra o globalismo, contra o totalitarismo liberal, contra o “estado atual das coisas”. O movimento dos "coletes amarelos" é uma revolução populista e popular. E a palavra "povo" (populus, "le peuple") no conceito de "populismo" deve ser entendida literalmente.

A Quarta Dimensão

No século XIX , testemunhamos a ascensão de guerras conduzidas em nome da humanidade, isto é, guerras de natureza moralizante e criminalizante, guerras baseadas em uma ideologia, onde princípios abstratos eram defendidos. Esse tipo de guerra assinalou o retorno da “guerra justa” (sua primeira aparição pôde ser observada durante a Guerra Civil Americana). A quarta forma de guerra é, agora, a guerra contra o “terror” (ou a “Guerra nas Estrelas”): uma guerra de caráter assimétrico e total.

Em muitos sentidos, nós já entramos na quarta dimensão da guerra. Entrar nesta quarta dimensão nos traz para mais perto da hora da verdade. A questão que permanece é: qual será a configuração geral das questões neste século, as principais linhas de demarcação e as clivagens decisivas? Por enquanto, vivemos em um tipo de interregnum. Porém, a partir de agora, a questão essencial deve ser abordada: o enigma do sujeito do processo histórico em um mundo cominado pelo capitalismo, no qual o próprio capitalismo está sujeito a terríveis contradições internas, enquanto, ao mesmo tempo, se torna cada vez mais forte, dia após dia. Quem será o sujeito histórico que abalará as coisas agora?

“O antifascismo e o anticomunismo visam suprimir a revolta dos povos contra o Pensamento Único

A extrema-esquerda e a extrema-direita são simulacros do século XX, ainda atadas ao conceito de nação do século XIX. Mas o Estado-Nação deve ser superado pelo conceito de Civilização, como Samuel Huntington já havia entendido no início dos anos noventa. É necessário superar a Vestfália e reconhecer a multiplicidade, na esteira do conceito heideggeriano de Dasein, que é o pré-requisito necessário para o reconhecimento das diferentes civilizações. Heidegger criticou o liberalismo e o comunismo, mas também – e de modo profundo – o nacional-socialismo, que ele acusou de ser racista e mecanicista. A Quarta Teoria Política não é uma mera Terceira Via entre o liberalismo e o comunismo. Com isso, ressalto minha crítica e meu ataque ao fascismo, ao nacionalismo e as suas expressões racistas, que têm servido como instrumentos do colonialismos eurocêntrico por parte do Ocidente, que usa destas para minar o desenvolvimento independente das diversas civilizações. Hoje, esse fascismo não tem lugar no Ocidente: diferente do Populismo, que é um fenômeno fundamental.

 

Encontro com Heidegger: Um Convite à Jornada

Dentre os grandes pensadores, dois lugares podem ser colocados pra Heidegger, dependendo de como olhamos pra ele, do grau que o estudamos e em quanto acreditamos nele. Ao menos pode-se afirmar que Heidegger é o maior pensador contemporâneo, entrando na constelação dos melhores pensadores da Europa, deste os tempos pré-socráticos até a nossa época. Nesse sentido, eles o chamam de "príncipe dos filósofos". Mesmo aqueles para os quais a filosofia dele é indiferente ou aqueles que discordam dele reconhecem sua grandeza inquestionável.

Heidegger é universalmente reconhecido como um grande filósofo da história mundial. Ninguém contesta isso seriamente, mas há pessoas que calmamente seguem em frente, se apoiando em outros nichos de filosofia, enquanto outros respondem intensamente a mensagem dele, usando seus termos ("Dasein", "existencial", "Angst", etc.) e se permitindo conduzir pelos pensamentos do filósofo.

Um lugar diferente, especial e exclusivo na história da filosofia pode ser colocado para Heidegger, caso reconheçamos e confiemos plenamente nele, imergindo-nos em seu pensamento e fazendo dele nossa maior autoridade [filosófica]. Em outras palavras, Heidegger, no espaço do heideggerianismo, vai diferir essencialmente do Heidegger na posição média e convencional da história da filosofia.

Nesse caso, Heidegger será revelado não apenas como o maior filósofo, comparável a outros grandes nomes, mas como o maior dentre todos eles, ocupando o lugar de último profeta, concluindo o desenvolvimento do primeiro estágio da filosofia (de Anaximandro a Nietzsche) e servindo como transição, a ponte para uma nova filosofia, a qual ele apenas antecipa em seus trabalhos.

Política, Liberalismo e Violência: Walter Benjamin e Carl Schmitt

Entre os escritos filosóficos de Walter Benjamin, destaca-se por sua lucidez o ensaio Para uma Crítica da Violência. Gewalt, violência, em alemão também significa força, poder, autoridade; a palavra, como em seguida deixa claro o autor, indica uma causa agente moralmente conotável. Entrelaça-se com o direito e a justiça no ciclo dos fins e dos meios. Para o direito natural não se propõe o problema da utilização de meios violentos para fins justos; a delegação de direitos feia pelos indivíduos para o Estado pressupõe "que o indivíduo enquanto tal, e antes da conclusão desse contrato racional, exerce também de jure todos os poderes que tem de facto", [2] já que spinozianamente "o direito de cada um se estende até onde se estende seu determinado poder" [3]. Em contraste com a teoria jusnaturalista da violência como "fisiológica", natural, o direito positivo considera o poder historicamente dado, julgando somente o uso de seus meios. O direito natural e o direito positivo se distinguem respectivamente como critério dos fins e critérios dos meios, na medida em que se baseiam, um sobre o princípio da justiça e o outro sobre o princípio da legalidade. O único ponto de união das duas escolas é, em palavras de Benjamin, o "dogma fundamental comum: os fins justos podem ser alcançados com meios legítimos, os meios legítimos podem ser empregados para fins justos". [4] Em outras palavras, o jusnaturalismo adapta os meios aos fins justos, enquanto que a teoria positiva do direito garante o bom fim com a legitimidade dos meios, razão pela qual "se o direito positivo é cego para a incondicionalidade dos fins, o direito natural é cego para os condicionamentos dos meios" [5]; as duas perspectivas revelam uma insuficiência crítica.

O que acontece com a Europa?

Geopoliticamente a Europa é hoje uma entidade atlantista. A teoria geopolítica criada pelo inglês Sir H. Mackinder declara que há dois tipos de civilizações – a civilização do Mar (Seapower) e a civilização da Terra (Landpower). Ambas estão constituídas sobre sistemas de valores opostos. O Seapower é puramente mercantil, modernista e materialista. O Landpower é tradicionalista, espiritual e heroico. Esse dualismo corresponde ao par conceitual de Werner Sombart: Händlres e Helden. A sociedade europeia moderna está plenamente integrada na civilização do mar. Isso se manifesta na hegemonia estratégica norte-americana e na OTAN. 
 
Essa situação impede que a Europa se converta numa entidade geopolítica independente. Mais profundamente, perverte a natureza geopolítica da Europa como entidade continental – Landpower. 
 
Portanto, há uma necessidade de mudar a situação e restabelecer a estratégia do Landpower baseada na verdadeira soberania europeia. Em vez do atlantismo, a Europa necessita converter-se numa potência estratégica continental.

Sobre os Identitários, a Tradição e a Revolução Global

Considero que os identitários são aliados quando rechaçam a modernidade, a oligarquia global e o capitalismo liberal mortífero para as culturas étnicas e as tradições. 
 
A ordem política moderna é essencialmente global e se baseia puramente na identidade individual. É a pior ordem possível e deve ser totalmente destruída. 
 
Quando os identitários militam por uma reafirmação da Tradição e das antigas culturas dos povos europeus, têm razão. Mas quando atacam os imigrantes, os muçulmanos, os nacionalistas doutros países (baseado em conflitos históricos), quando defendem os EUA, o atlantismo, o liberalismo ou a modernidade, quando consideram a raça branca (a que criou a modernidade) como a raça superior e afirmam que outras raças são inferiores, estou em total desacordo com eles. 
 
Mais do que isso, não posso defender brancos contra não-brancos apenas por ser branco e indo-europeu. Reconheço a diferença de outros grupos étnicos como uma coisa natural e rechaço qualquer hierarquia entre os povos, dado que não existe, e não pode existir, uma medida universal para a comparação das sociedades étnicas e os sistemas de valores. 

São Patrício e o Logos Irlandês

No quinto período da era dos Gaels, os irlandeses realçaram a era de São Patrício, que cristianizou a Irlanda no século V. Antes dele, a crônica falava do bispo Palladius, que veio à Irlanda em 431, enviado por Roma, mas sua imagem foi tradicionalmente fundida à de São Patrício.

Os celtas não consideraram a cristianização como uma mudança identitária radical e revolucionária, dado que a peculiaridade da cristandade irlandesa e da Igreja dos celtas, de modo geral, comparada a muitas outras sociedades europeias, não era estritamente oposta ao mito pré-cristão local, mas o incluía leve e suavemente em sua cultura espiritual. Assim, muitos druidas e personagens mitológicos foram cristianizados, e os santos e discípulos cristãos tornaram-se uma nova versão dos druidas. A cristandade irlandesa é um exemplo único da integração harmônica de tradições pré-cristãs à nova religião.
 

Iniciantes Absolutos

Sem Alternativa, sem Novo Início. Nada fora (tudo ao redor é falso). Nada dentro (as forças da alma foram esfriadas). Não obstante, as vinhas da ira estão maturando e as redes de conspiração estão se tecendo, uma conspiração global contra esse presente odioso.
É uma conspiração da Estrela. Em qualquer idade, em qualquer lugar, em qualquer estado, em qualquer momento, em qualquer situação, em qualquer posição, "todo homem e toda mulher" pode começar, pode abrir o Início Absoluto, ser perfurado pelo Raio Negro, sem fim, passando pelos ciclos e eras em oposição a toda lógica, toda predisposição externa, todo sistema causal. Qualquer impulso vital, qualquer busca apaixonada, qualquer estado estridente pode subitamente transbordar, se tornado excessivo, desenfreado. Ganância e generosidade, ascetismo e devassidão, ciúme e lealdade, raiva e ternura, doença e saciedade, podem se tornar um Início Absoluto, um terrível acorde trovejante de uma Nova Revolução, uno e indivisível, direita e esquerda, exterior e interior.
 

Os Ataques Terroristas em Paris: Lição de Enantiodromia

Estamos vivendo no momento decisivo em que a civilização ocidental se aproxima de seu fim. Atos terroristas como os de 13/11 de Paris mostram isso de forma clara e inequívoca. O Ocidente que conhecemos não existe mais. Ele não pode existir por mais tempo. Era uma vez houve um certo Ocidente. Com valores patriarcais heroicos, identidade cristã, cultura profunda e rica com raízes grecorromanas. O Ocidente de Deus, do homem e da natureza. Não há nada como isso em vistas. As ruínas. A civilização liberal fraca e venenosa, baseada na auto-indulgência e ao mesmo tempo no ódio por si mesmo. Sem identidade, a não ser uma puramente negativa. Povoada por humanos egoístas e envergonhados de si mesmos. Ela não pode ter futuro. Diante de combatentes brutais pós-modernos do ISIS, ela não pode afirmar nada, não pode opôr nada, não pode sugerir nada. O Ocidente não pode mais ser ocidental. Ele está perdendo a si mesmo. Está se afogando. A França não é o pior lugar. Todo o resto da Europa e dos EUA estão da mesma maneira. O Ocidente tem medo. Não do ISIS, de si mesmo, de seu vazio, de seu niilismo. Se o Ocidente sobreviver, não será o mesmo Ocidente que conhecemos. Ou ele se transformará em um clone do Oriente Médio em sangue e fogo e sem saída, ou em um sistema totalitário obcecado com segurança. O ISIS não é o perigo real, ele é um sintoma de máxima decadência. Os vermes não podem causar a morte. Eles vem quando tudo está no fim. Se você negar Aquele que se ergueu dos mortos e salvou o outro, a morte é o verdadeiro fim. Assim, é o dia do juízo final.

Eurasianismo Ortodoxo

1 - O termo "Eurasianismo Ortodoxo" é cada vez mais usado pela Junta de Kiev para descrever a visão de mundo da República da Novorossiya. Por mais que seja claro que esse elemento de linguagem tenha sido inventado em Washington, ele é, no entanto, do meu ponto de vista, precisamente correto.

2 - Quase todos os Eurasianistas históricos foram patriotas Russos Ortodoxos. Contudo, diferentemente de Eslavófilos e Leontiev, eles eram céticos sobre a possibilidade de unir todos os Eslavos porque eles sentiam que as diferenças culturais, religiosas e históricas entre eles eram mais importante que suas proximidades etno-linguísticas. Ao mesmo tempo, eles enfatizaram que a civilização russa integrou, em uma unidade do destino, um número de povos não-Eslavos (Turcos, Caucasianos, o povo da Sibéria) que estavam em contato geográfico conosco.
3 - Cedo, nos anos 90, sob nossa influência, o Eurasianismo integrou no seu corpo, a geopolítica (talassocracia contra telurocracia, Eurásia contra o mundo Atlântico, Eurasianos contra Atlanticistas) e tradicionalismo (Tradição contra o mundo moderno e pós-moderno).
 

"Unidos pelo Ódio"

Manuel Ochsenreiter.: Prof. Dugin, a mídia de massas Ocidental e políticos do establishment descrevem a recente situação na Ucrânia como um conflito entre a aliança de oposição  pro-Européia, democrática e liberal de um lado e um regime autoritário com um ditador como presidente no outro lado. O senhor concorda?

Dugin: Eu conheço essas histórias e considero esse tipo de análise completamente errada. Nós não podemos dividir o mundo ao estilo de Guerra Fria. Não existe um ‘mundo democrático’ que se coloca contra um ‘mundo anti-democrático’, como muito da mídia Ocidental relata.
 

A vacuidade intelectual da Velha Direita

A Direita nunca foi apreciadora de intelectuais. Não é de admirar, então, que a expressão “intelectual de esquerda” tem sido, por muito tempo, uma tautologia. Para muitas pessoas da Direita, os intelectuais são simplesmente insuportáveis. Eles os visualizam sentados em espreguiçadeiras, é claro, e os vê como “tipos hipócritas” que sodomizam moscas, dividem o cabelo e publicam livros, invariavelmente descritos como “indigestos” e “chatos”.

Essa idéia pode ser encontrada em diferentes backgrounds. Para os libertários, os intelectuais são inevitavelmente “desconectados da realidade”. Para os ativistas, intelectuais tergiversam enquanto estamos diante de um “estado de emergência”, exigindo ação.

Já ouvi coisas como esta a minha vida inteira. De fato, há um lado positivo nesta atitude. Direitistas mostram uma preocupação real para fatos concretos, uma verdadeira desconfiança de abstrações inúteis ou intelecto puro, um desejo de afirmar a primazia da alma sobre o espírito, do orgânico sobre a “secura” teórico, a esperança (sempre desiludida) para voltar a uma vida mais simples, etc.

A Quarta Teoria Política e a "Outra Europa"

Em seu livro Carl Schmitt, Leo Strauss e O Conceito do Político Heinrich Meier assinalou que o mundo está tratando de deixar de identificar a diferença entre amigo ou inimigo. Schmitt mostra claramente ao mundo a inevitabilidade do "bem" com o fim de intensificar a "consciência de uma situação de emergência" e voltar a despertar a capacidade que se manifesta quando "o inimigo se revela a si mesmo com particular clareza". De fato, hoje podemos identificar sem deixar lugar para dúvidas o nosso inimigo. O inimigo ideológico (e ontológico) é o liberal, o partidário da teoria política que derrotou às duas ideologias do século XX, o comunismo e o fascismo/nacional-socialismo. Hoje nos enfrentamos com o resultado da vitória. Ao dizer "nós" não me refiro a alguma entidade política abstrata, mais exatamente me refiro aos representantes da tradição geopolítica da Eurásia ou dos enfoques da geopolítica telurocrática (portanto, os inimigos estão determinados por sua participação na geopolítica talassocrática). Comentando a obra fundamental O Conceito do Político, Leo Strauss assinala que apesar de toda a crítica radical do liberalismo contida nela, Schmitt não segue até o fim, já que sua crítica se desenvolve e se mantém dentro do alcance do liberalismo.

O Fim do Mundo realmente ocorreu

O fim do mundo aconteceu, de fato. Ele não ocorreu em um dia específico, mas se arrastou por várias décadas. O mundo que desapareceu era um mundo em que a maioria das crianças sabia como ler e escrever. Um mundo em que admirávamos os heróis ao invés das vítimas. Um mundo em que as máquinas políticas não tinham se tornado aparelhos de esmigalhar almas. Um mundo em que nós tínhamos mais modelos de papéis sociais que direitos. Um mundo em que uma pessoa podia entender o que Pascal queria dizer quando ele escreveu que os entretenimentos nos distraem de viver a verdadeira vida humana. Um mundo em que as fronteiras salvaguardavam aqueles que viviam seu modo de vida e uma vida própria.

 

A Concepção Sagrada dos Espaços

Nós definimos o tema que escolhemos para a nossa discussão, "A Concepção Sagrada dos Espaços". Como você bem sabe, a escola de pensamento do tradicionalismo integrante baseia-se sobre um determinado assunto: os conceitos polares opostos subjacentes à abordagem dialética da realidade humana são dois simetricamente opostos - Tradição e Modernidade. Por Tradição compreendemos de modo geral a abordagem do "sagrado" ao real, uma leitura simbólica da mesma que, trabalhando com o que Carl Schmitt chamou de "catolicismo romano e forma política" princípio da representação, consideraremos o plano como um reflexo do mundo imanente transcendente, como expresso sistematicamente pela filosofia platônica. É um erro, porém definir o conservadorismo como um ramo da filosofia derivada do idealismo platônico porque, em sua visão ortodoxa, é considerada a ciência que estuda a manifestação do Uno pré-existente imanente - uma revelação eterna - e as estradas a fim de acessar sua experiência direta. A abordagem tradicional também pode ser definida cosmologicamente. A modernidade é a ruptura drástica com a concepção de existência simbólica e espiritual: a chave para o que não é mais cosmológico, como é na concepção tradicional, e sim mecânico. Se o pensamento tradicional é generalizante, representante, universalizante e essencialmente metafísico, o pensamento moderno, como seu oposto radical, manifesta-se como fragmentado, mecanicista e potencialmente niilista. 

Inleiding tot de idee Marc. Eemans

Toen ik aanvaardde een essay te wijden aan het werk en het denken van de schilder, dichter en kunsthistoricus Marc. Eemans, heb ik me afgevraagd of het in mijn geval geoorloofd was te spreken van een zekere continuïteit in zijn geestelijke ontwikkeling. Langzaam maar zeker kwamen elementen en argumenten aan het licht om mijn overtuiging te staven dat die vraag positief macht beantwoord worden. Aldus is deze geschiedenis van de intellectuele en creatieve levensweg van Marc. Eemans ontstaan. Daarbij werd de klemtoon vooral op zijn denken en op zijn poëtisch oeuvre gelegd, vermits het illustratiemateriaal dat deze uitgave verrijkt, als een soort picturaal complement van mijn stelling kan beschouwd worden. Overigens bleven om voor de hand liggende redenen, biografische en andere gegevens buiten beschouwing.

Hopelijk vergeeft de lezer het me dat ik met hem wegen ga verkennen, die men normaliter in essays van het onderhavige genre links laat liggen. Maar op de eerste plaats is het zo dat ik geen kunsthistoricus ben en het derhalve als een punt van elementaire intellectuele eerlijkheid beschouw me onbevoegd te verklaren om een verantwoord waardeoordeel over het schilderkunstig werk van Marc. Eemans uit te spreken. En voorts is er het oude adagium « de gustibus et coloribus non disputandum », dat in de loop der tijden zijn geldigheid heeft behouden. Waarom de lezer dan ook willen beïnvloeden met een onvermijdelijk subjectieve analyse van de boodschap die de schilderijen van Marc. Eemans brengen?

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