A Nova Ideologia Russa nasce no Donbass
De uma perspectiva fenomenológico-existencial, no Donbass, onde a Rússia viverá ou morrerá, é por isso mesmo onde se define o que é “ser russo”. Por conseguinte é lá, no campo de batalha e sob as chuvas de mísseis, que nasce uma nova ideologia russa. É assim que o filósofo Alexander Dugin interpreta o pano-de-fundo filosófico da guerra.
O Declínio da Psicanálise como Teoria e Práxis Terapêutica Global
Falaremos aqui sobre o declínio e não sobre o fracasso da psicanálise. A psicanálise, atualmente integrada ao suporte oferecido pela psicossomática e pelos novos modelos de psicoterapia (dos quais a psicanálise é a origem autorizada, pelo menos desde Groddeck), continua sendo a proponente incontestável da "reivindicação" da recuperação terapêutica da neurose e de todos os sintomas ansioso-depressivos cuja etiologia pode ser atribuída a esse vasto mundo de contornos frequentemente indefinidos, que na linguagem atual chamamos de estresse.
A Coragem como virtude fundamental na transição para a Multipolaridade
Se colocarmos nossos pés na tradição helênica, que possui relevância para a civilização europeia, mas também para outras civilizações próximas ou relacionadas (como a ibero-americana), veremos o destaque dado por filósofos como Aristóteles à virtude da coragem (ἀνδρεία). Considerada a virtude máxima dos espartanos ─ como podemos deduzir dos Ditos dos Espartanos, de Plutarco ─, segundo Aristóteles, a virtude da coragem envolvia uma disposição de enfrentar um risco existencial real, porém não privado de esperança, em prol de uma finalidade digna. Aristóteles nega, portanto, que estamos lidando com a virtude da coragem quando o perigo não é existencial, quando não há chance de triunfo ou quando não há finalidade digna. A coragem, logo, como todas as virtudes aristotélicas, envolve um objeto correto, um modo correto e um momento correto, em uma espécie de medida exata entre os extremos do medo e da confiança.
O Comitê Multipolar
O mundo multipolar é baseado no reconhecimento da igualdade de civilizações e culturas, cada uma das quais forma seu próprio cosmos. Isto significa que cada civilização tem o seu sistema de valores, os seus códigos, o seu Logos, a sua identidade. Se assim for, cada civilização forma suas próprias idéias sobre Deus, o homem, o mundo, o tempo, o espaço, a matéria, a sociedade, o bem e o mal, o certo e o errado. E são essas idéias que formam a base do sistema social, político e econômico que cada civilização cria independentemente. Não há regras universais e universais para todas as civilizações.
Discurso de Lucas Leiroz para a Conferência Global Multipolar
minha mais sincera gratidão a cada um de vocês por este evento. Como membro da Nova Resistência, sou imensamente grato ao professor Alexandr Dugin e sua equipe, ao Movimento Russofilo Internacional e aos amigos chineses do Thinker’s Forum por fazerem deste evento um verdadeiro pilar para a construção do Mundo Multipolar.
DARYA DUGINA: A MELHOR FORMA DE DAR JUSTIÇA É RESISTIR CONTRA AS FORÇAS GLOBALISTAS
Há 1 ano, as forças globalistas mataram de forma infame, nossa amiga, nossa irmã, Darya Dugina (15/12/1992 - 20/08/2022). Darya foi uma jovem filósofa russa brilhante que tive o prazer de conhecer, empenhada em fazer avançar a causa da multipolaridade, uma jornalista geopolítica, uma grande patriota do seu povo, pronta a apoiar qualquer entidade, qualquer povo que pudesse resistir a este cancro que é globalismo neoliberal, para construir um mundo multipolar, com mais impérios civilizacionais, mais identidades, mais culturas.
Dugin – O Brasil Profundo
Abaixo apresentamos um pequeno trecho da obra O Logos de Ariel: a metafísica e a existência de uma Civilização Latino-Americana, do filósofo contemporâneo Alexander Dugin. A síntese da tese apresentada por Dugin na obra é um trabalho ainda a ser feito. No entanto, a título de anotação preliminar, pode-se dizer que trata-se da aplicação dos conceitos gerais da Noomaquia (método de análise e interpretação das civilizações criado por Dugin) e da Etnossociologia à realidade iberoamericana. Em se tratando de Brasil, Dugin passeia por diversos momentos históricos e intérpretes nacionais (como Darcy Ribeiro, Câmara Cascudo, Vicente Ferreira da Silva) para construir sua esquematização noológica de nossa civilização. O caráter mestiço povo iberoamericano (inclusive do ponto de vista da Raça Cósmica de José Vasconcelos), sua originalidade, as energias arcaicas/tradicionais que alimentam o continente são alguns dos marcadores conceituais a partir dos quais Dugin parte. O trecho abaixo é altamente sintético e consiste na conclusão do capítulo sobre o “Grande Brasil”. Dugin apresenta o Brasil como configurado por pelo menos quatro eixos socioculturais e tradicionais distintos.
Discurso de Konstantin Malofeev para a Conferência Global Multipolar
O liberalismo, o liberalismo global, está morto. Agora estamos testemunhando sua agonia. O que Francis Fukuyama recentemente acreditou ser o fim da história, o que foi apresentado aos povos do mundo não apenas como o fim da história, mas como seu apogeu, alcançar o destino final, uma sociedade absoluta que realiza o ideal da democracia liberal ocidental, transformou-se em uma farsa.
Mensagem do Ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, aos participantes e organizadores da Conferência Global Multipolar
Dou boas-vindas aos participantes e organizadores da Conferência Mundial sobre o Mundo Multipolar. É gratificante que tenhamos reunido importantes representantes políticos, públicos e acadêmicos de várias dezenas de países de quase todos os continentes do mundo. Só podemos saudar este interesse numa troca de pontos de vista franca e despolitizada.
Discurso de Maria Zakharova para a Conferência Global Multipolar
Vocês já ouviram o discurso do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, no qual ele delineou as principais perspectivas para a construção de um mundo multipolar, a irreversibilidade e as razões objetivas desse processo. Gostaria de enfatizar que, pela primeira vez, o novo conceito de política externa da Rússia estabelece sistematicamente os princípios de uma ordem mundial mais justa e multipolar e visa facilitar sua implementação.
Discurso de Alexander Markovics para a Conferência Global Multipolar
Estamos vivendo tempos interessantes. Por mais de 30 anos, os europeus sentiram que viviam no “Fim da História” proclamado por Francis Fukuyama. Nenhuma alternativa parecia possível ao nosso sistema liberal-capitalista, nenhuma outra forma senão a democracia liberal. Mas com o início da operação militar especial russa, tornou-se óbvio que a história está se movendo novamente. O fim da história acabou.
Construir o Estado da União Rússia-Irã
A escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irã é um fato. Trump está mudando as prioridades da política externa americana. Para a administração anterior — Biden e seus globalistas afins —, a principal prioridade era a guerra com a Rússia na Ucrânia. Para Trump, Israel tem muito mais importância e, consequentemente, o conflito entre Israel e o Irã assume precedência. Os Estados Unidos estão se envolvendo cada vez mais nessa guerra e, como resultado, a escalada entre Washington e Teerã se intensifica.
O fator Wagner e a tese da Justiça
Ao longo da Operação Militar Especial, a empresa militar privada Wagner e Evgeny Prigozhin se estabeleceram com confiança no centro das atenções da sociedade russa e do público global. Para os russos, eles se tornaram o principal símbolo de vitória, determinação, heroísmo, coragem e firmeza. Para o inimigo: uma fonte de ódio, mas ao mesmo tempo medo e horror. O que é importante é que Prigozhin não está simplesmente liderando a unidade mais batalhadora, vitoriosa e imparável entre as forças armadas da Rússia, mas ao mesmo tempo está expressando aqueles sentimentos, pensamentos, demandas e esperanças que vivem no coração das pessoas em guerra, daqueles engajados na guerra plenamente e até o fim, irreversivelmente imersos em seu elemento primordial.
Operação Belisário: estratégia eurasiana para o Ocidente
É uma honra falar aqui hoje em nome do povo neerlandês, que vive há mais de mil anos às margens do cinzento Mar do Norte, na fronteira marítima da grande Eurásia, e falar por uma grande causa que une todos os povos da Eurásia na luta por um futuro pós-globalista, um futuro no qual também os Países Baixos merecem um lugar ao sol.
Em Defesa do Eurasianismo
A campanha antieurasiana que foi lançada na mídia social por nacionalistas russos (que coincide com o aniversário do Professor Alexander Dugin) despertou meu interesse (embora eu não goste muito do que está acontecendo). É claro que o eurasianismo não tem nada a ver com nacionalismo e, na verdade, ambas as ideologias se criticam mutuamente. Entretanto, é necessário ter um diálogo que não só esteja à altura da tarefa, mas também seja respeitoso. Algo que não está acontecendo.
Mircea Eliade: Política Sagrada e Existencial
Preparando este relatório… Na verdade, foi Dasha (Daria Dugina) quem me convidou para vir e me envolver no Conselho. Ela sugeriu que eu falasse sobre Lucian Blaga, porque Alexander Dugin havia falado sobre ele no contexto da Quarta Via e da política existencial. Mas decidi fazer uma reportagem sobre Eliade, embora por algum motivo tenha parecido inesperado e felizmente esteja no contexto do tema levantado por Nikita Syundyukov. E parece-me agora que o relatório e o assunto que ele aborda tornaram-se, para dizer imodestamente, algo prático, mas por alguma razão também tratou destes temas: sacrifício, Páscoa, história de alguma forma… Então vamos ao relatório em si. Presumo que Daria deva ser mencionada no final do relatório sem nenhuma dedicatória especial a ela no início, já que na verdade o relatório inteiro foi dedicado a ela.
Um Mundo Heptapolar
O que aconteceu na 15ª Cúpula do BRICS em Joanesburgo é realmente histórico. Mesmo que o Presidente da Rússia, fundador do BRICS, não tenha participado, ainda assim é um ponto de virada na história moderna. A ordem mundial está mudando diante de nossos olhos. Vamos repetir o significado das mudanças tectônicas em andamento.
Sem Mais Ameaças! É Hora de Responder!
As autoridades russas estão ansiosas para demonstrar o cumprimento de certas regras na guerra na Ucrânia. O Ocidente acredita, desde o início do OME e, de fato, desde 2014, com a anexação da Crimeia, que a Rússia violou as regras (benéficas para o Ocidente). E mesmo que não tivesse quebrado, isso não significaria nada. Portanto, o Ocidente está jogando sem regras contra a Rússia.
A Multipolaridade e a Ascensão dos Estados Civilizacionais
Na véspera da visita do presidente chinês Xi Jinping à Rússia em 19 de março, fui entrevistado pelo Russia Today e me perguntaram como eu via as pesadas sanções ocidentais contra a Rússia: eu disse que a Rússia foi isolada pelo Ocidente e o Ocidente foi isolado pelo resto. Por que então? A razão é simples: embora a operação militar da Rússia na Ucrânia seja controversa, um dos objetivos declarados da Rússia é transformar a ordem mundial unipolar liderada pelos EUA em uma ordem mundial multipolar, e esse objetivo é amplamente apoiado, ou, pelo menos, compreendido, pelo Mundo não-ocidental.
Trump e o Problema Ucraniano
Quando dizemos que toda a Ucrânia deve fazer parte de um espaço russo unificado, não estamos fazendo exigências excessivamente extremas. Isso não é maximalismo. O estado atual da Ucrânia é incompatível com a própria existência da Rússia. E se essa questão for congelada novamente, mesmo que incluamos todos os nossos novos territórios dentro das fronteiras administrativas, ainda assim isso não resolve nada. Eles irão se rearmar e atacar novamente. Ninguém pode garantir o contrário.
Os Fundamentos Geográficos e Geopolíticos do Eurasianismo
Há motivos significativamente mais fortes para chamar a Rússia de "Estado do meio" (Zhongguo em chinês) do que a China. Quanto mais tempo passar, mais esses motivos se tornarão evidentes. Para a Rússia, a Europa não é mais que uma península do Velho Continente que se encontra a oeste de suas fronteiras.
O Príncipe Nikolai Trubetskoy e a sua Teoria do Eurasianismo
Em 16 de abril de 1890, nasceu Nikolai Sergeevich Trubetskoy, o grande pensador russo, linguista e fundador do movimento ideológico do Eurasianismo. A principal ideia de Trubetskoy era que a Rússia não é simplesmente um país europeu, como insistiam os ocidentalizadores russos, mas uma civilização particular e separada, o Mundo Russo. Este é o ponto mais importante.
Pensar o Caos e o "Outro Começo" da Filosofia
O caos não fazia parte do contexto da filosofia grega. A filosofia grega foi construída exclusivamente como uma filosofia do Logos e, para nós, tal estado de coisas é tão normal que (provavelmente corretamente do ponto de vista histórico) identificamos a filosofia com o Logos. Não conhecemos outra filosofia e, em princípio, se acreditarmos em Friedrich Nietzsche e Martin Heidegger junto com a filosofia pós-moderna contemporânea, teremos que reconhecer que a própria filosofia descoberta pelos gregos e construída em torno do Logos esgotou completamente seu conteúdo hoje.
Hegel e o Salto Platônico
No dia 14 de novembro de 1831, faleceu Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), o maior filósofo romântico na história do pensamento. Heidegger, junto com Nietzsche, acreditava que Hegel foi aquele que completou a história da filosofia do Logos Ocidental e o ápice da história da filosofia e da filosofia em geral. Se Platão foi o filósofo do início, então Hegel e Nietzsche foram os filósofos do fim. Nesse sentido, Hegel foi o filósofo somativo.
Conosco ou Nada
É possível dividir o fenômeno bolchevique em duas partes. Por um lado, o campo doutrinário de vários socialismos pré-marxistas, visões e teorias comunistas que existiram paralelamente e continuaram a existir como motivos intelectuais mesmo depois que o marxismo foi imposto como ideologia oficial. Essa primeira etapa pode ser chamada de "projeto bolchevique".
O Instagram e a Ideologia Liberal
Estamos muito próximos do ponto de não retorno para o liberalismo, não só na Rússia, mas também no mundo inteiro. Sem uma catástrofe, as elites liberais não serão mais capazes de manter seu poder sobre a humanidade. O fracasso de Biden no recente debate com Trump é um sintoma muito significativo. O mesmo vale para os sucessos dos populistas de direita na Europa, onde Orban está se tornando uma figura simbólica importante.
O Conceito de "Civilização" e os seus Labirintos
Como no Brasil é muito comum que todo debate seja extremamente tardio, discute-se hoje sobre se o Brasil é ou não é "ocidental". Alguns grandes brasileiros, à frente do seu tempo, como Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro, Sérgio Buarque de Holanda, Plínio Salgado, entre outros, consideravam ponto pacífico que o Brasil era parte de uma civilização "latino-americana" (em outro texto eu já expliquei o porquê de rechaçar esse termo em prol do "ibero-americana"), e não de qualquer outra.





















