Breve Análise do Primeiro Turno das Eleições Presidenciais da França
O primeiro turno das eleições presidenciais francesas expuseram a imensa rachadura social do povo francês. Como muitos analistas têm comentado, trata-se de um embate entre as forças do capital apátrida, representadas por Macron, contra as forças do trabalho enraizado, representadas por Le Pen. Resta saber como os eleitores dos outros candidatos vão se remanejar para o segundo turno.
Operação Russa na Ucrânia: Amigos e Inimigos – A Batalha pelo Rimland
As reações dos vários países do mundo ao conflito russo-ucraniano reconfiguraram todo o tabuleiro geopolítico do século XXI. A Europa caiu, por enquanto, sob um jugo estadunidense ainda mais forte. Mas a lista de países neutros, a semente de um novo “movimento não alinhado”, recorda o papel geopolítico do Rimland, o arco geopolítico onde serão travadas as próximas batalhas geopolíticas entre Telurocracia e Talassocracia.
Otimismo escatológico: origens, evolução e direções
O tema do otimismo escatológico é um tema bastante perigoso e complexo. É perigoso porque nunca foi desenvolvido até este ponto, está repleto de muitas armadilhas, muitas imprecisões. Quando eu estava tentando me preparar para a palestra de hoje, percebi que embora tal hipótese de otimismo escatológico possa explicar muitos processos históricos e filosóficos, dar-lhes conteúdo e dimensões adicionais, contexto e profundidade adicionais, ainda há muitas perguntas. Assim, enquanto me preparava, estava constantemente me questionando e procurando por contradições. Por outro lado, pensei que tenho todo o direito de trazer esta hipótese à sua discussão, pois, no final, aquelas doutrinas que convergem são sempre imperfeitas.
Daria Dugina na 16ª Conferência Internacional “O universo do pensamento platônico”
O pleno reconhecimento sempre foi negado à filosofia política, concentrando-se na análise dos aspectos metafísicos do neoplatonismo. Conceitos neoplatônicos como “permanência” (μονή), “emanação” (πρόοδος), “retorno” (ὲπιστροφή), etc. foram tratados em obras histórico-filosóficas separadamente da esfera do Político1. Assim, o Político foi interpretado apenas como uma etapa de ascensão em direção ao Bem, inserida no rígido modelo hierárquico do pensamento filosófico neoplatônico, mas não como um polo independente do modelo filosófico.
A Geopolítica da Seca: As “Pedras da Fome” na Europa
Logo que a economia da UE foi atingida por sanções antirrussas, um novo desastre atingiu a Europa: temperaturas sem precedentes. Este verão se tornou um dos mais quentes da história mundial. As consequências são terríveis: seca, exposição de “pedras da fome” nos estuários dos rios – símbolos de desgraça iminente e fracasso da colheita – contas exorbitantes de ar condicionado, milhares de hectares de florestas europeias engolidas por incêndios.
O “Gramscismo de Direita”: A experiência da “Nova Direita”
A “Nova Direita” é um conjunto de movimentos intelectuais que surgiu em 1968 como uma reação à crise ideológica e ao fortalecimento da hegemonia liberal na Europa. Em 1968, os movimentos clássicos de “direita” estavam repletos de motivos ideológicos liberais, como a adoção do capitalismo, sentimentos pró-americanos e estatismo. Por sua vez, a agenda da “esquerda”, cujo núcleo era constituído pela oposição ao capitalismo1, também foi afetada por influências liberais. O igualitarismo, o individualismo, a negação das diferenças entre as culturas e o universalismo estavam tornando os movimentos de “esquerda” aliados e parceiros da doutrina liberal.
Existe uma filosofia política na tradição neoplatônica?
Em suas exposições sobre a filosofia grega, Friedrich Nietzsche chamou Platão de um revolucionário radical. Platão, conforme Nietzsche, é quem ultrapassa a noção grega clássica do cidadão ideal: O filósofo de Platão ascende sobre a religiosidade, contemplando diretamente a ideia do Bem, diferente das outras qualidades (guerra e artífice).
Pós-política vs. Política existencial
A morte do liberalismo não parece tão óbvia quanto a do comunismo ou fascismo. Francis Fukuyama proclama ‘o fim da história’, i.e., o fim da rivalidade entre as três ideologias e a vitória da doutrina liberal. Mas o liberalismo não venceu… Isso é visível quando se atenta para o sujeito da política atual. Se no liberalismo clássico o sujeito político era o indivíduo (cuja virtude é a liberdade negativa acuradamente descrita por Helvétius, ‘Um homem livre é aquele não agrilhoado, não aprisionado ou intimidado como um escravo temente pela punição…’), hoje esse indivíduo não mais existe. O sujeito do liberalismo clássico é eliminado de todas as esferas, sua totalidade é contestada, até sua identidade, mesmo de conotação negativa, é caracterizada pelo fracasso no funcionamento do sistema global virtual moderno.
A desnazificação é a erradicação da russofobia na Ucrânia e além
A questão sobre o nazismo ucraniano é midiaticamente dominada pelo Ocidente, sendo de difícil argumentação e domínio conceitual. Por isso, é imprescindível reconhecer que o nazismo ucraniano está enraizado mais profundamente na russofobia, esse é o seu caráter mais claro, que deve ser rejeitado e destruído no mundo inteiro.
A Nova Ordem Mundial no Contexto das Teorias das Relações Internacionais
Muito se fala hoje em globalismo, como sendo a ideologia da classe hegemônica a nível internacional, mas em que consiste, academicamente, o globalismo pela perspectiva das Relações Internacionais. O filósofo russo Aleksandr Dugin aborda o globalismo em suas relações com as escolas do liberalismo e do realismo nas RI.
Paradigma do Fim
A análise das civilizações, sua correlação, seu confronto, seu desenvolvimento, sua interdependência é um problema tão difícil, que na dependência de métodos, na profundidade da pesquisa, pode-se obter não apenas resultados diferentes, mas resultados diretamente contrários. Portanto, mesmo para obter as conclusões mais aproximadas é preciso aplicar a redução, reduzir a variedade de critérios a um único modelo simplificado. O marxismo prefere apenas a abordagem econômica, que se torna um substituto e um denominador comum para todas as outras disciplinas. O mesmo acontece (embora menos explicitamente) com o liberalismo.
A filosofia vencedora
A Operação Militar Especial russa na Ucrânia descortinou o conflito aberto contra o espectro da civilização Ocidental. Diante desse movimento, surge a abertura para a reforma total, a emergência do Logos civilizacional. Mas para isso, não basta uma vitória militar, é preciso expurgar o mal pela raiz, com uma filosofia autêntica, uma filosofia vencedora.
A Rússia deve passar por mudanças radicais
É o povo que sente a necessidade de mudanças urgentes e a mesma coisa aconteceu no final de 1980, mas naquela época o Partido Comunista da URSS não deixou as coisas rolarem. Foi então que os liberais se aproveitaram da situação e declararam abertamente que eles eram a mudança. O que aconteceu em seguida foi a ascensão do capitalismo, a idolatria em relação ao ocidente, o estabelecimento do livre mercado e a destruição e saque de todos as características positivas da era soviética.
A Etnossociologia da Ucrânia no Contexto da Operação Militar
Um dos pontos centrais da questão ucraniana é se os ucranianos são uma etnia, uma nação, um povo ou alguma outra coisa. Afinal, qual é a relação dos ucranianos com os russos e como se deu a formação étnica e sociológica dos ucranianos. O professor Aleksandr Dugin aborda todos esses temas de maneira completa e definitiva.
Ortodoxia Russa e Iniciação
Nosso estudo do layout geográfico sagrado da Rússia e, em um sentido mais amplo, da Eurásia, nos levou à necessidade de considerar o aspecto puramente religioso da “singularidade russa”, isto é, o aspecto diretamente conectado à Igreja Ortodoxa em que um dos mais importantes elementos da identidade do “continente russo” estão concentrados.
Rússia vs Anti-Rússia: Interesses e Valores
O conflito no qual a Rússia se encontra hoje não é contra a Ucrânia, mas contra o Ocidente que construiu na Ucrânia uma Anti-Rússia pela fusão insólita entre liberalismo globalista e neonazismo russofóbico. Segundo o filósofo Aleksandr Dugin, para responder a essa ameaça a Rússia deve acelerar a multipolarização do mundo, único contexto no qual a Rússia poderia seguir sendo russa.
A reviravolta eurasiática da Rússia
A Rússia é um país enorme que abrange todo um continente e, portanto, é muito difícil mudar sua dinâmica por causa de sua inércia. Entretanto, seria absurdo permitir que esta inércia nos conduzisse ao abismo. É por isso que as reformas (e outras emendas que precisam ser feitas) são muito difíceis de serem feitas.
Vitória ou Nada
A Rússia atravessou o Rubicão e agora não há como voltar atrás. Para a Rússia e para o mundo é impossível voltar à situação anterior. O mundo unipolar está no fim e a vitória russa abrirá o caminho para a multipolaridade. Mas o Ocidente seguirá lutando para manter sua hegemonia sobre boa parte do mundo, mesmo enquanto novos polos começam a surgir.
Aleksandr Dugin - A Doutrina Tradicional dos Elementos (Lição IV) - A Metafísica da Luz
Para começar, gostaria de dizer que no platonismo há uma particularidade na semântica dos termos mais centrais. Nos termos que formam uma estrutura essencial da filosofia platônica. O momento central é precisamente a separação ou divisão entre mundo intelectual ou contemplativo e o mundo sensível ou perceptível, que podemos tocar ou perceber fenomenologicamente.
Operação Militar na Ucrânia: Análise Geopolítica
Infelizmente, a mídia de massa não informa absolutamente nada sobre as raízes geopolíticas do conflito ucraniano. Tudo é colocado em termos sensacionalistas e histéricos. Não obstante, é impossível entender esse conflito sem atentar para o projeto secular de cerco à Rússia para garantir o controle atlantista sobre o coração da Eurásia, considerado pelos primeiros geopolitólogos como chave para a hegemonia mundial.
Nacionalismo: Ficção Modernista e Impasse Ideológico
Provavelmente poucas pessoas prestaram séria atenção ao fato de que a Quarta Teoria Política, à qual aderi, presta a mais séria atenção às críticas ao fascismo. Mais marcantes são as críticas ao liberalismo e a rejeição do dogma marxista. Mas igualmente necessária é a rejeição radical não só do fascismo, mas até mesmo do Estado-nação.
Dugin: O Limite da Paciência Russa
A história do Tribunal de Haia é simbólica. A Rússia nunca antes se perguntou que tipo de instituição ele é. Na verdade, ele faz parte da implementação do Governo Mundial, um sistema político supranacional criado sobre os Estados-Nação que são convidados a ceder parte de sua soberania a essa estrutura. Isso inclui o Tribunal Europeu de Direitos Humanos e a própria UE, mas também o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a OMS, etc. A Liga das Nações, e mais tarde a ONU, foi concebida como outro passo preparatório no caminho para a estabelecimento de um governo mundial.
ABC dos valores tradicionais: (I)dentidade
Falemos agora da letra “и” – memória histórica e continuidade intergeracional. O que é mais importante do que este valor tradicional se queremos alcançar todos os outros? Afinal, se perdermos nossa memória histórica, se ficarmos como aquele que não se lembra de seu parentesco, então, em geral, não importará o que planejamos antes.
Mito, utopia e realismo pluriversal
George Sorel dividiu a política de seu tempo entre mitos e utopias. A utopia liberal transmutou-se consecutivamente ao longo de décadas até atingir um estágio de mutação para a distopia. Os projetos míticos modernos foram insuficientes para derrotá-la, o que nos traz ao novo momento e a construção do pluriverso.
A Multipolaridade e a Ascensão dos Estados Civilizacionais
Na véspera da visita do presidente chinês Xi Jinping à Rússia em 19 de março, fui entrevistado pelo Russia Today e me perguntaram como eu via as pesadas sanções ocidentais contra a Rússia: eu disse que a Rússia foi isolada pelo Ocidente e o Ocidente foi isolado pelo resto. Por que então? A razão é simples: embora a operação militar da Rússia na Ucrânia seja controversa, um dos objetivos declarados da Rússia é transformar a ordem mundial unipolar liderada pelos EUA em uma ordem mundial multipolar, e esse objetivo é amplamente apoiado, ou, pelo menos, compreendido, pelo Mundo não-ocidental.
DARYA DUGINA: A MELHOR FORMA DE DAR JUSTIÇA É RESISTIR CONTRA AS FORÇAS GLOBALISTAS
Há 1 ano, as forças globalistas mataram de forma infame, nossa amiga, nossa irmã, Darya Dugina (15/12/1992 - 20/08/2022). Darya foi uma jovem filósofa russa brilhante que tive o prazer de conhecer, empenhada em fazer avançar a causa da multipolaridade, uma jornalista geopolítica, uma grande patriota do seu povo, pronta a apoiar qualquer entidade, qualquer povo que pudesse resistir a este cancro que é globalismo neoliberal, para construir um mundo multipolar, com mais impérios civilizacionais, mais identidades, mais culturas.
O Comitê Multipolar
O mundo multipolar é baseado no reconhecimento da igualdade de civilizações e culturas, cada uma das quais forma seu próprio cosmos. Isto significa que cada civilização tem o seu sistema de valores, os seus códigos, o seu Logos, a sua identidade. Se assim for, cada civilização forma suas próprias idéias sobre Deus, o homem, o mundo, o tempo, o espaço, a matéria, a sociedade, o bem e o mal, o certo e o errado. E são essas idéias que formam a base do sistema social, político e econômico que cada civilização cria independentemente. Não há regras universais e universais para todas as civilizações.
Dugin – O Brasil Profundo
Abaixo apresentamos um pequeno trecho da obra O Logos de Ariel: a metafísica e a existência de uma Civilização Latino-Americana, do filósofo contemporâneo Alexander Dugin. A síntese da tese apresentada por Dugin na obra é um trabalho ainda a ser feito. No entanto, a título de anotação preliminar, pode-se dizer que trata-se da aplicação dos conceitos gerais da Noomaquia (método de análise e interpretação das civilizações criado por Dugin) e da Etnossociologia à realidade iberoamericana. Em se tratando de Brasil, Dugin passeia por diversos momentos históricos e intérpretes nacionais (como Darcy Ribeiro, Câmara Cascudo, Vicente Ferreira da Silva) para construir sua esquematização noológica de nossa civilização. O caráter mestiço povo iberoamericano (inclusive do ponto de vista da Raça Cósmica de José Vasconcelos), sua originalidade, as energias arcaicas/tradicionais que alimentam o continente são alguns dos marcadores conceituais a partir dos quais Dugin parte. O trecho abaixo é altamente sintético e consiste na conclusão do capítulo sobre o “Grande Brasil”. Dugin apresenta o Brasil como configurado por pelo menos quatro eixos socioculturais e tradicionais distintos.
O Declínio da Psicanálise como Teoria e Práxis Terapêutica Global
Falaremos aqui sobre o declínio e não sobre o fracasso da psicanálise. A psicanálise, atualmente integrada ao suporte oferecido pela psicossomática e pelos novos modelos de psicoterapia (dos quais a psicanálise é a origem autorizada, pelo menos desde Groddeck), continua sendo a proponente incontestável da "reivindicação" da recuperação terapêutica da neurose e de todos os sintomas ansioso-depressivos cuja etiologia pode ser atribuída a esse vasto mundo de contornos frequentemente indefinidos, que na linguagem atual chamamos de estresse.
O fator Wagner e a tese da Justiça
Ao longo da Operação Militar Especial, a empresa militar privada Wagner e Evgeny Prigozhin se estabeleceram com confiança no centro das atenções da sociedade russa e do público global. Para os russos, eles se tornaram o principal símbolo de vitória, determinação, heroísmo, coragem e firmeza. Para o inimigo: uma fonte de ódio, mas ao mesmo tempo medo e horror. O que é importante é que Prigozhin não está simplesmente liderando a unidade mais batalhadora, vitoriosa e imparável entre as forças armadas da Rússia, mas ao mesmo tempo está expressando aqueles sentimentos, pensamentos, demandas e esperanças que vivem no coração das pessoas em guerra, daqueles engajados na guerra plenamente e até o fim, irreversivelmente imersos em seu elemento primordial.
Operação Belisário: estratégia eurasiana para o Ocidente
É uma honra falar aqui hoje em nome do povo neerlandês, que vive há mais de mil anos às margens do cinzento Mar do Norte, na fronteira marítima da grande Eurásia, e falar por uma grande causa que une todos os povos da Eurásia na luta por um futuro pós-globalista, um futuro no qual também os Países Baixos merecem um lugar ao sol.
A Coragem como virtude fundamental na transição para a Multipolaridade
Se colocarmos nossos pés na tradição helênica, que possui relevância para a civilização europeia, mas também para outras civilizações próximas ou relacionadas (como a ibero-americana), veremos o destaque dado por filósofos como Aristóteles à virtude da coragem (ἀνδρεία). Considerada a virtude máxima dos espartanos ─ como podemos deduzir dos Ditos dos Espartanos, de Plutarco ─, segundo Aristóteles, a virtude da coragem envolvia uma disposição de enfrentar um risco existencial real, porém não privado de esperança, em prol de uma finalidade digna. Aristóteles nega, portanto, que estamos lidando com a virtude da coragem quando o perigo não é existencial, quando não há chance de triunfo ou quando não há finalidade digna. A coragem, logo, como todas as virtudes aristotélicas, envolve um objeto correto, um modo correto e um momento correto, em uma espécie de medida exata entre os extremos do medo e da confiança.
Em Defesa do Eurasianismo
A campanha antieurasiana que foi lançada na mídia social por nacionalistas russos (que coincide com o aniversário do Professor Alexander Dugin) despertou meu interesse (embora eu não goste muito do que está acontecendo). É claro que o eurasianismo não tem nada a ver com nacionalismo e, na verdade, ambas as ideologias se criticam mutuamente. Entretanto, é necessário ter um diálogo que não só esteja à altura da tarefa, mas também seja respeitoso. Algo que não está acontecendo.





















